Читаем A Tormenta de Espadas полностью

O ocidente tinha tomado a cor de um hematoma, mas o céu por cima de sua cabeça mostrava-se azul-cobalto, aprofundando-se até o púrpura, e estrelas começavam a surgir. Jon sentou-se entre dois merlões, com apenas um espantalho de companhia, e observou o Garanhão galopar céu acima. Ou seria o Senhor Chifrudo? Perguntou-se onde estaria agora Fantasma. Também se interrogou sobre Ygritte, e disse a si mesmo que esse caminho levava à loucura.

Eles chegaram de noite, claro. Como ladrões, pensou Jon. Como assassinos.

Cetim urinou-se quando os berrantes soaram, mas Jon fingiu não reparar.

– Vá sacudir o Dick pelo ombro – disse ao rapaz de Vilavelha –, senão ele é capaz de passar a luta toda dormindo.

– Estou assustado. – O rosto de Cetim estava pálido como a morte.

– Eles também. – Jon encostou a muleta em um merlão e pegou o arco, vergando o liso e grosso teixo de Dorne para enfiar uma corda nos entalhes. – Não desperdice dardos, a menos que saiba que tem uma boa chance de acertar – disse quando Cetim retornou depois de acordar Dick. – Temos um grande estoque aqui em cima, mas grande não significa inesgotável. E fique atrás de um merlão para recarregar, não tente se esconder atrás de um espantalho. Eles são feitos de palha, uma flecha vai atravessá-los. – Não se incomodou em dizer qualquer coisa a Dick Follard. Dick sabia ler os lábios se houvesse luz suficiente e tivesse algum interesse no que lhe estava sendo dito, mas já sabia tudo aquilo.

Os três ocuparam posições em três lados da torre redonda. Jon pendurou uma aljava no cinto e puxou uma flecha. A haste era negra, as penas, cinzentas. Ao encaixá-la na corda, lembrou-se de uma coisa que Theon Greyjoy tinha dito certa vez após uma caçada, sorrindo daquele seu jeito habitual: “O javali pode ficar com as suas presas e o urso com as suas garras. Não há nada que seja nem de longe tão mortífero quanto uma pena cinzenta de ganso.”

Jon nunca fora nem metade do caçador que Theon era, mas tampouco era estranho ao arco. Havia silhuetas escuras deslizando em volta do arsenal, com as costas tocando a pedra, mas não as via suficientemente bem para desperdiçar uma flecha. Ouviu gritos distantes, e viu os arqueiros na Torre dos Guardas disparando flechas contra o chão. Isso ficava longe demais para interessar a Jon. Mas quando vislumbrou três sombras se separando dos velhos estábulos, a cinquenta metros de distância, aproximou-se da ameia, ergueu o arco e puxou. Os homens corriam, por isso seguiu-os, esperando, esperando...

A flecha soltou um silvo suave quando abandonou a corda. Um momento depois ouviu-se um gemido, e de repente eram apenas duas as sombras que atravessavam o pátio trotando. Corriam o mais depressa que conseguiam, mas Jon já tinha tirado uma segunda flecha da aljava. Daquela vez apressou-se demais e errou. Os selvagens tinham desaparecido quando voltou a encaixar mais uma flecha. Procurou outro alvo e encontrou quatro, correndo em volta da casca vazia da Fortaleza do Senhor Comandante. O luar cintilou em seus machados e lanças e nos pavorosos símbolos que traziam nos escudos redondos de couro; crânios e ossos, serpentes, garras de ursos, retorcidas caras demoníacas. Povo livre, compreendeu. Os Thenns usavam escudos de couro negro fervido, com relevos e bordas de bronze, mas os deles eram simples e sem adornos. Aqueles eram os escudos mais leves, de vime, dos corsários.

Jon puxou a pena de ganso até a orelha, apontou e soltou a flecha e depois encaixou, puxou e soltou de novo. A primeira flecha perfurou o escudo da garra de urso, a segunda, uma garganta. O selvagem gritou ao cair. Ouviu o profundo trum da besta do Dick Surdo à sua esquerda, e, um momento mais tarde, foi a do Cetim que soou.

– Acertei um! – gritou o rapaz em voz rouca. – Acertei no peito de um.

– Acerte outro – gritou Jon.

Agora não tinha de procurar alvos; só precisava escolhê-los. Abateu um arqueiro selvagem no momento em que o homem encaixava uma flecha na corda, e depois enviou uma flecha contra o corsário que atacava a porta da Torre de Hardin com um machado. Daquela vez errou, mas a flecha estremeceu no carvalho e fez o selvagem pensar duas vezes. Foi só quando o homem fugiu que reconheceu o Grande Furúnculo. Meio segundo depois, o velho Mully disparou do telhado das Casernas de Sílex e espetou uma flecha na perna dele, e o homem afastou-se engatinhando, sangrando. Aquilo irá fazer com que deixe de choramingar por causa do furúnculo, pensou Jon.

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