– Não – rugiu Donal Noye para três dos homens de Vila Toupeira, lá embaixo. – O piche vai para o guincho, o azeite para as escadas, dardos para bestas para o quarto, o quinto e o sexto patamares, lanças para o primeiro e o segundo. Enfiem a banha de porco debaixo das escadas, sim, aí, entre as tábuas. Os barris de carne são para a barricada.
Três quartos da aldeia tinham levado a sério o aviso de Jon e vindo para Castelo Negro em busca de refúgio. Noye decretara que qualquer homem suficientemente vivo para pegar numa lança ou brandir um machado ajudaria a defender a barricada, caso contrário podiam perfeitamente voltar para casa e correr seus riscos com os Thenns. Tinha esvaziado o arsenal para pôr bom aço em suas mãos, grandes machados de lâmina dupla, punhais afiados como navalhas, espadas longas, clavas, maças de guerra com espigões. Vestidos com gibões de couro tachonado e pequenas camisas de cota de malha, com grevas nas pernas e gorjais para manter as cabeças sobre os ombros, alguns até pareciam soldados.
Noye também tinha colocado mulheres e crianças para trabalhar. Aqueles que eram novos demais para lutar transportariam água e cuidariam das fogueiras, a parteira de Vila Toupeira ajudaria Clydas e Meistre Aemon com os feridos e o Hobb Três-Dedos de repente tinha tantos assadores, mexedores de panelas e cortadores de cebolas que não sabia o que fazer com eles. Duas das prostitutas tinham se oferecido para lutar e mostraram habilidade suficiente com a besta para lhes ser atribuído um lugar nos degraus a doze metros de altura.
– Está frio. – Cetim tinha enfiado as mãos nas axilas por baixo do manto. Suas bochechas estavam fortemente vermelhas.
Jon obrigou-se a sorrir.
– Nas Presas de Gelo está frio. Isto é um dia fresco de outono.
– Nesse caso, espero nunca ver as Presas de Gelo. Conheci uma garota em Vilavelha que gostava de gelar o vinho. Esse é o melhor lugar para o gelo, acho. No vinho. – Cetim deu um olhar de relance para o sul e franziu a testa. – Acha que as sentinelas-espantalho os assustaram, senhor?
– Podemos ter essa esperança. – Jon supunha que era possível... mas o mais certo era que os selvagens tivessem simplesmente feito uma pausa para se dedicarem a um pouco de estupro e saque em Vila Toupeira. Ou talvez Styr estivesse à espera do cair da noite, para se aproximar com a cobertura da escuridão.
O meio-dia chegou e partiu, ainda sem sinal de Thenns na estrada do rei. Mas Jon ouviu passos dentro da torre, e Owen Idiota saltou do alçapão, vermelho da subida. Trazia um cesto de bolos de leite com passas debaixo de um braço, uma rodela de queijo debaixo do outro, um saco de cebolas pendurado em uma mão.
– O Hobb disse para lhes dar de comer, para o caso de ficarem presos aqui algum tempo.
– Agradeça ao Hobb por nós, Owen.