Читаем A Tormenta de Espadas полностью

Dick Follard era surdo como uma pedra, mas o nariz funcionava bastante bem. Os bolos de leite ainda estavam quentes do forno quando ele enfiou a mão no cesto e tirou um. Encontrou também um pote de manteiga e, com o punhal, espalhou um pouco no bolo.

– Passas – anunciou em tom feliz. – E também frutas secas. – Tinha uma pronúncia carregada, mas era bastante fácil compreendê-lo depois de se habituar a ela.

– Pode ficar com os meus – disse Cetim. – Não tenho fome.

– Coma – disse-lhe Jon. – Não sabemos quando haverá outra oportunidade. – Escolheu dois bolos para si. As frutas secas eram pinhões e, além das passas, havia também pedaços de maçã.

– Os selvagens vêm hoje, Lorde Snow? – perguntou Owen.

– Se vierem, saberá – disse Jon. – Fique à escuta dos berrantes.

– Dois. Dois é para os selvagens. – Owen era alto, de cabelos muito loiros e amigável, um trabalhador incansável, e surpreendentemente hábil quando se tratava de trabalhar a madeira, consertar catapultas e coisas do gênero. Mas, tal como ele alegremente afirmava, a mãe deixara-o cair de cabeça quando era bebê, e metade dos seus miolos tinham se derramado pela orelha.

– Lembra-se para onde deve ir? – perguntou-lhe Jon.

– Donal Noye diz que devo ir para as escadas. Devo subir até o terceiro patamar e disparar a besta contra os selvagens se tentarem escalar a barreira. O terceiro patamar, um, dois, três. – Sacudiu a cabeça para cima e para baixo. – Se os selvagens atacarem, o rei vem e nos ajuda, não é verdade? Ele é um grande guerreiro, o Rei Robert. Com certeza vem. Meistre Aemon enviou-lhe um pássaro.

Não valia a pena contar-lhe que Robert Baratheon estava morto. Esqueceria disso mais uma vez.

– Meistre Aemon enviou-lhe um pássaro – concordou Jon. Aquilo pareceu deixar Owen feliz.

Meistre Aemon tinha enviado um monte de pássaros... não a um rei, mas a quatro. Selvagens ao portão, dizia a mensagem. O reino está em perigo. Envie toda a ajuda que puder para Castelo Negro. Os corvos voaram até lugares tão distantes como Vilavelha e a Cidadela, e para meia centena de castelos de senhores poderosos. Os senhores do norte constituíam a melhor esperança, por isso Aemon enviou duas aves a cada um deles. As aves negras levaram seu apelo aos Umber e aos Bolton, ao Castelo Cerwyn e à Praça de Torrhen, a Karhold e ao Bosque Profundo, à Ilha dos Ursos, a Castelovelho, à Atalaia da Viúva, a Porto Branco, à Vila Acidentada e aos Regatos, às fortalezas de montanha dos Liddle, dos Burley, dos Norrey, dos Harclay e dos Wull. Selvagens ao portão. O norte em perigo. Venha com todas as suas forças.

Bem, os corvos podiam ter asas, mas lordes e reis não as tinham. Se a ajuda estava a caminho, não chegaria hoje.

À medida que a manhã foi se transformando em tarde, a fumaça de Vila Toupeira foi soprada para longe e o céu ao sul ficou de novo limpo. Não há nuvens, pensou Jon. Isso era bom. A chuva ou a neve poderiam condená-los a todos.

Clydas e Meistre Aemon subiram na gaiola do guincho até a segurança do topo da Muralha, e a maior parte das esposas de Vila Toupeira também. Homens com manto negro patrulhavam incansavelmente os topos das torres e gritavam uns aos outros por cima dos pátios. O Septão Cellador liderou os homens da barricada numa prece, suplicando ao Guerreiro que lhes desse forças. Dick Surdo Follard enrolou-se sob seu manto e adormeceu. Cetim percorreu uma centena de léguas aos círculos, ao redor das ameias. A Muralha chorou e o sol atravessou lentamente um céu de um azul intenso. Perto do cair da noite, Owen Idiota voltou com um pão preto e um balde do melhor carneiro de Hobb, cozido num espesso caldo de cerveja e cebolas. Até o Dick acordou para comer. E comeram até a última migalha, usando pedaços de pão para limpar o fundo do balde. Quando terminaram, o sol encontrava-se baixo a oeste, e as sombras estendiam-se, negras e bem definidas, por todo o castelo.

– Acenda a fogueira – disse Jon ao Cetim – e encha a panela de azeite.

Desceu ele próprio as escadas para trancar a porta e tentar afastar um pouco da rigidez de sua perna. Foi um erro, e Jon compreendeu isso rapidamente, mas agarrou-se à muleta e avançou mesmo assim. A porta da Torre do Rei era de carvalho reforçado com ferro. Poderia atrasar os Thenns, mas não os impediria se quisessem entrar. Jon enfiou a tranca nos seus encaixes, fez uma visita à latrina – podia bem ser a sua última oportunidade – e voltou mancando ao topo, fazendo caretas de dor.

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