Читаем A Tormenta de Espadas полностью

– Não pode – tinha lhe dito o tio. – É exatamente essa a ideia. A Patrulha da Noite jura não participar nas disputas do reino. Mas, ao longo dos séculos, certos Senhores Comandantes, mais orgulhosos do que sensatos, esqueceram os votos e quase nos destruíram com suas ambições. O Senhor Comandante Runcel Hightower tentou deixar a patrulha como herança ao seu filho bastardo. O Senhor Comandante Rodrik Flint decidiu fazer de si mesmo Rei-para-lá-da-Muralha. Tristan Mudd, o Louco Marq Rankenfell, Robin Hill... sabia que há seiscentos anos os comandantes do Portão da Neve e de Fortenoite partiram para a guerra um contra o outro? E que quando o Senhor Comandante tentou impedi-los, juntaram forças para assassiná-lo? O Stark de Winterfell teve de dar uma mão... e cortar a cabeça deles. Coisa que fez com facilidade, porque os fortes deles não eram defensáveis. A Patrulha da Noite teve novecentos e noventa e seis Senhores Comandantes antes de Jeor Mormont, e em sua maioria foram homens de coragem e honra... mas também tivemos covardes e idiotas, os nossos tiranos e os nossos loucos. Sobrevivemos porque os senhores e reis dos Sete Reinos sabem que não constituímos ameaça para eles, independente de quem nos lidere. Os nossos únicos inimigos estão ao norte, e ao norte temos a Muralha.

Mas agora esses inimigos passaram pela Muralha e chegam do sul, refletiu Jon, e os senhores e reis dos Sete Reinos esqueceram-nos. Estamos encurralados entre o martelo e a bigorna. Sem uma muralha, Castelo Negro não podia ser mantido; Donal Noye sabia disso tão bem quanto todos os outros.

– O castelo não lhes serve para nada – tinha dito o armeiro à sua pequena guarnição. – Cozinhas, sala comum, estábulos, até as torres... que capturem tudo. Vamos esvaziar o arsenal, deslocar todos os abastecimentos que pudermos para o topo da Muralha e resistir em volta do portão.

E assim, Castelo Negro tinha finalmente uma espécie de muralha, uma barricada em forma de crescente, com três metros de altura, feita de material armazenado; barris de pregos e de carneiro salgado, caixotes, fardos de pano preto, troncos empilhados, tábuas, estacas endurecidas pelo fogo e sacos e mais sacos de cereais. O baluarte improvisado rodeava as duas coisas que mais valiam a pena defender: o portão para o norte e a base da grande escada de madeira em zigue-zague que arranhava e escalava a face da Muralha como um relâmpago bêbado, sustentada por traves de madeira grandes como troncos de árvore, profundamente enterradas no gelo.

Jon viu que o último punhado de toupeiras ainda fazia a longa subida, incentivado pelos irmãos. Grenn levava um garotinho nos braços, enquanto Pyp, dois lances abaixo, deixava que um velho se apoiasse em seu ombro. Na base da escada, os aldeões mais velhos esperavam que a gaiola acabasse de fazer o caminho de volta desde o topo da Muralha. Pousou os olhos numa mãe que puxava duas crianças, uma em cada mão, no momento em que um rapaz mais velho passava por eles, correndo pelos degraus. Sessenta metros mais acima, Su Azul-Celeste e a Senhora Meliana (que todos os amigos eram unânimes em dizer que não era senhora coisa nenhuma) estavam paradas num patamar, olhando para o sul. Tinham uma vista da fumaça melhor do que a dele, sem dúvida. Jon perguntou a si mesmo o que acontecera aos aldeões que tinham decidido não fugir. Havia sempre alguns teimosos, estúpidos ou corajosos demais para se refugiarem, alguns que preferiam lutar, esconder-se ou render-se. Os Thenns talvez os poupassem.

O que devíamos ter feito era levar o ataque até eles, pensou. Com cinquenta patrulheiros bem montados, podíamos desbaratá-los na estrada. Mas não tinham cinquenta patrulheiros, nem metade dos cavalos necessários. A guarnição não tinha retornado, e não havia como saber onde estava, ou mesmo se os correios que Noye enviara a tinham alcançado.

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