– Eu lhe dei uma espada – disse Lorde Tywin.
Estava a seus pés. Jaime a procurou, apalpando por baixo da água até que sua mão se fechou em torno do cabo.
De trás veio um grande jorrar de água. Jaime rodopiou para o som... mas a tênue luz revelou apenas Brienne de Tarth, com as mãos presas por pesadas correntes.
– Jurei mantê-lo a salvo – disse teimosamente a garota. – Fiz um juramento. – Nua, ergueu as mãos para Jaime. – Sor. Por favor. Se tivesse a bondade.
Os elos de aço rasgaram-se como seda.
– Uma espada – suplicou Brienne, e ali estava ela, com bainha, cinto e tudo. Afivelou-o em volta de sua larga cintura. A luz era tão tênue que Jaime quase não conseguia vê--la, embora não estivessem afastados mais do que escassas dezenas de centímetros.
– As chamas arderão enquanto viver – ele ouviu Cersei gritar. – Quando morrerem, você também terá de morrer.
–
Brienne moveu sua espada de um lado para o outro, observando as chamas prateadas tremulando e cintilando. Sob os seus pés, um reflexo da lâmina em chamas brilhava na superfície da água negra e lisa. Ela era tão alta e forte quanto se lembrava, mas pareceu a Jaime que agora tinha mais formas de mulher.
– Eles têm um urso lá embaixo? – Brienne caminhava de forma lenta e cuidadosa, de espada na mão; um passo, virar e escutar. Cada passo fazia um pequeno barulho de água. – Um leão das cavernas? Lobos gigantes? Um urso? Diga-me, Jaime. O que vive aqui? O que vive nas trevas?
– A perdição. –
À fria luz azul-prateada das espadas, a grande garota parecia pálida e feroz.
– Não gosto deste lugar.
– Eu mesmo não o aprecio. – As lâminas criavam pequenas ilhas de luz, mas em volta estendia-se um mar de escuridão, sem fim. – Meus pés estão molhados.
– Podíamos voltar pelo caminho por onde nos trouxeram. Se subisse em meus ombros, não teria dificuldade em alcançar a abertura do túnel.
Então poderia encontrar Cersei. Sentiu-se enrijecendo-se com aquele pensamento e virou-se para que Brienne não reparasse.
– Escute. – Ela apoiou uma mão em seu ombro e ele estremeceu com o súbito toque.
Jaime espreitou as sombras até que também conseguiu ver. Algo se movia pelas trevas, mas não conseguia distinguir o que seria...
– Um homem a cavalo. Não, dois. Dois cavaleiros, lado a lado.
– Aqui, por baixo do Rochedo? – não fazia sentido. E, no entanto, ali vinham dois cavaleiros, montados em cavalos claros, tanto os homens como as montarias revestidos de armaduras. Os cavalos de batalha emergiram do negrume a passo lento.
– É você, Stark? – gritou Jaime. – Venha. Nunca o temi vivo, não o temo morto.
Brienne tocou seu braço.
– Há mais.
Ele também os viu. Parecia-lhe que estavam todos couraçados de neve, e faixas de névoa fluíam em torvelinhos de seus ombros. As viseiras dos seus elmos estavam fechadas, mas Jaime Lannister não precisava contemplar seus rostos para reconhecê-los.
Cinco tinham sido seus irmãos. Oswell Whent e Jon Darry. Lewyn Martell, um príncipe de Dorne. O Touro Branco, Gerold Hightower. Sor Arthur Dayne, a Espada da Manhã. E, junto a eles, coroado em névoa e pesar com seus longos cabelos fluindo pelas costas, seguia Rhaegar Targaryen, Príncipe de Pedra do Dragão e legítimo herdeiro do Trono de Ferro.