– Vocês não me assustam. – Gritou, girando, quando eles se dividiram e o cercaram. Não sabia para que lado se virar. – Lutarei contra vocês um por um ou todos ao mesmo tempo. Mas com quem a garota vai duelar? Ela fica zangada quando é posta de lado.
– Prestei o juramento de mantê-lo em segurança – disse ela à sombra de Rhaegar. – Prestei um juramento sagrado.
– Todos nós prestamos juramentos – disse Sor Arthur Dayne, num tom tristíssimo.
As sombras desmontaram de seus fantasmagóricos cavalos. Quando puxaram as espadas, não fizeram um som.
– Ele ia queimar a cidade – disse Jaime. – Para não deixar a Robert nada além de cinzas.
– Ele era o seu rei – disse Darry.
– Jurou mantê-lo a salvo – falou Whent.
– E às crianças, a elas também – disse o Príncipe Lewyn.
O Príncipe Rhaegar ardia com uma luz fria, ora branca, ora vermelha, ora escura.
– Eu deixei minha esposa e meus filhos em suas mãos.
– Nunca pensei que ele lhes faria mal. – A espada de Jaime agora emitia menos luz. – Eu estava com o rei...
– Matando o rei – disse Sor Arthur.
– Cortando a garganta dele – falou o Príncipe Lewyn.
– O rei por quem tinha jurado morrer – disse Touro Branco.
Os fogos que corriam ao longo da lâmina estavam se apagando, e Jaime lembrou-se daquilo que Cersei tinha dito.
– Não – disse –, não, não, não.
Com o coração aos saltos, acordou num pulo e deu por si no meio da escuridão estrelada, no interior de um grupo de árvores. Sentia o sabor de bílis na boca e tremia, encharcado em suor, ao mesmo tempo quente e frio. Quando olhou para a mão da espada, viu que o punho terminava em couro e linho, bem apertado em volta de um coto feio. Sentiu que súbitas lágrimas subiam aos seus olhos.
– Senhor. – Qyburn ajoelhou-se ao seu lado, com o rosto paternal todo enrugado de preocupação. – O que houve? Ouvi-o gritar.
Walton Pernas-de-Aço estava em pé sobre eles, alto e severo.
– O que houve? Por que gritou?
– Um sonho... só um sonho. – Jaime fitou o acampamento que o rodeava, momentaneamente desorientado. – Estava no escuro, mas tinha a minha mão de volta. – Olhou para o coto e sentiu-se de novo doente.
Qyburn pôs a mão na testa dele.
– Ainda tem um pouco de febre.
– Um sonho febril. – Jaime estendeu a mão para cima. – Ajudem-me. – Pernas-de-Aço pegou-o pela mão boa e o colocou em pé.
– Outra taça de vinho dos sonhos? – perguntou Qyburn.
– Não. Já sonhei o suficiente por esta noite. – Perguntou a si mesmo quanto tempo faltaria até a alvorada. De algum modo sabia que se fechasse os olhos voltaria àquele lugar escuro e úmido.
– Então leite de papoula? E alguma coisa para a febre? Ainda está fraco, senhor. Precisa dormir, descansar.
– Acredita em fantasmas, meistre? – perguntou a Qyburn.
O rosto do homem ganhou uma expressão estranha.
– Uma vez, na Cidadela, entrei numa sala vazia e vi uma cadeira vazia. E, no entanto, sabia que uma mulher tinha estado ali apenas um momento antes. A almofada estava comprimida onde ela se sentara, o tecido ainda estava quente e o cheiro dela permanecia no ar. Se deixamos nossos cheiros atrás de nós quando saímos de uma sala, decerto parte de nossa alma deve permanecer quando deixamos esta vida, não? – Qyburn estendeu as mãos. – Mas os arquimeistres não gostavam de minha forma de pensar. Bem, Marwyn gostava, mas era o único.
Jaime passou os dedos pelos cabelos.
– Walton – disse –, sele os cavalos. Quero voltar.
– Voltar? – Pernas-de-Aço olhou-o com uma expressão de dúvida.
– Deixei uma coisa em Harrenhal.
– É Lorde Vargo quem agora detém o castelo. Ele e seus Saltimbancos Sangrentos.
– Tem o dobro dos homens que ele possui.
– Se não entregá-lo ao seu pai conforme ordenado, Lorde Bolton arranca minha pele. Continuamos rumo a Porto Real.