Читаем A Tormenta de Espadas полностью

O relâmpago tinha ofuscado a visão de Jon, mas ele conseguiu vislumbrar a sombra que se movia a grande velocidade meio segundo antes de ouvir o guincho. O primeiro Thenn morreu como o velho, com sangue jorrando de sua garganta rasgada. Então a luz desapareceu e a silhueta estava de novo girando, rosnando, e outro homem caiu na escuridão. Houve imprecações, gritos, uivos de dor. Jon viu Grande Furúnculo tropeçar e cair para trás, derrubando três homens. Fantasma, pensou, durante um louco instante. O Fantasma saltou a Muralha. Então o relâmpago transformou a noite em dia, e viu o lobo que estava em pé sobre o peito de Del, com sangue escorrendo, negro, de suas mandíbulas. Cinza. Ele é cinza.

A escuridão caiu com o trovão. Os Thenns estavam dando estocadas com as lanças enquanto o lobo voava entre eles. A égua do velho empinou-se, enlouquecida pelo cheiro do massacre e atacou furiosamente com os cascos. Garralonga continuava em sua mão. E, de repente, Jon Snow percebeu que nunca teria uma oportunidade melhor.

Abateu o primeiro homem quando se virou para o lobo, passou por um segundo com um empurrão, golpeou um terceiro. Em meio àquela loucura, ouviu alguém chamar seu nome, mas se foi Ygritte ou o Magnar não soube dizer. O Thenn que lutava para controlar o cavalo nem chegou a vê-lo. Garralonga era leve como uma pena. Brandiu-a contra a barriga da perna do homem e sentiu o aço enterrar-se até o osso. Quando o selvagem caiu, a égua fugiu, mas, sem saber como, Jon conseguiu se agarrar à crina com a mão esquerda e saltar para o dorso dela. Uma mão fechou-se em volta de seu tornozelo, e ele deu um golpe para baixo e viu o rosto de Bodger dissolver-se numa balbúrdia de sangue. O cavalo empinou-se, escoiceando para a frente. Um dos cascos atingiu o Thenn na têmpora, com um crunch.

E então estavam a galope. Jon não fez qualquer esforço para guiar o cavalo. Precisou de todas as suas forças para se manter em cima dele enquanto mergulhavam através da lama, da chuva e dos trovões. Mato úmido chicoteava seu rosto e uma lança passou voando junto à sua orelha. Se o cavalo tropeça e quebra uma pata, apanham-me e matam-me, pensou, mas os deuses antigos acompanharam-no e o cavalo não tropeçou. O relâmpago estremeceu através da cúpula negra do céu e o trovão rolou pelas planícies. Os gritos reduziram-se e morreram atrás de Jon.

Longas horas mais tarde, a chuva parou. Jon deu por si sozinho, num mar de mato alto e negro. Havia uma profunda dor latejante em sua coxa direita. Quando olhou para baixo, ficou surpreendido por ver uma flecha espetada na parte de trás da coxa. Quando foi que isso aconteceu? Agarrou a haste e deu um puxão, mas a ponta da flecha estava profundamente enterrada na carne de sua perna, e a dor quando a puxou foi insuportável. Tentou pensar na loucura na estalagem, mas tudo que conseguiu recordar foi o animal, esguio, cinza e terrível. Era grande demais para ser um lobo comum. Um lobo gigante, portanto. Tinha de ser. Nunca tinha visto um animal mover-se tão depressa. Como um vento cinzento... Poderia Robb ter retornado ao Norte?

Jon sacudiu a cabeça. Não tinha respostas. Era difícil demais pensar... sobre o lobo, o velho, Ygritte, tudo aquilo...

Desajeitadamente deslizou de cima da égua. A perna ferida cedeu sob seu corpo, e ele teve de engolir um grito. Isso vai ser uma agonia. Mas a flecha tinha de sair, e esperar apenas pioraria a situação. Jon colocou a mão em volta das penas, respirou fundo e empurrou a flecha para a frente. Soltou um grunhido e depois um xingamento. Doeu tanto que teve de parar. Estou sangrando como um porco na matança, pensou, mas não havia nada a fazer até que a flecha saísse. Fez uma careta e voltou a tentar... e depressa voltou a parar, tremendo. Tentou novamente. Daquela vez gritou, mas, quando terminou, a ponta da flecha espetava a parte da frente da coxa. Jon comprimiu contra a perna os calções ensanguentados a fim de conseguir pegar melhor na flecha, fez um esgar e puxou lentamente a haste através da perna. Nunca soube como conseguiu terminar aquilo sem desmaiar.

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