Depois ficou deitado no chão, agarrado ao seu troféu e sangrando calmamente, fraco demais para se mover. Algum tempo depois compreendeu que, caso não se
– Sorte que a minha perna se pôs no caminho – murmurou.
Descansou por algum tempo, para deixar a égua pastar. O animal não vagueou até longe. Isso era bom. Coxo, com uma perna em mau estado, nunca teria conseguido apanhá-la. Precisou de todas as suas forças para se obrigar a ficar em pé e subir ao dorso do animal.
Um trovão ribombou a distância, mas, por cima de sua cabeça, as nuvens estavam se abrindo. Jon perscrutou o céu até encontrar o Dragão de Gelo e depois virou a égua para o norte, na direção da Muralha e de Castelo Negro. As pulsações de dor no músculo da coxa fizeram-no estremecer quando bateu os calcanhares no cavalo do velho.
Cavalgou até de madrugada, enquanto as estrelas olhavam para baixo como se fossem olhos.
DAENERYS
Seus batedores dothraki tinham-lhe dito como era, mas Dany queria ver por si mesma. Sor Jorah Mormont atravessou com ela, a cavalo, uma floresta de vidoeiros e subiu uma íngreme cumeeira de arenito.
– Estamos suficientemente próximos – avisou-a ao chegar ao topo.
Dany freou a égua e olhou por sobre os campos, para o local onde a tropa de Yunkai atravessava seu caminho. Barba-Branca andara ensinando-lhe a melhor forma de estimar os números de um inimigo.
– Cinco mil – disse, passado um momento.
– Diria que sim. – Sor Jorah apontou. – Aqueles nos flancos são mercenários. Lanceiros e arqueiros a cavalo, com espadas e machados para o trabalho de proximidade. Os Segundos Filhos na ala esquerda, os Corvos Tormentosos na direita. Cerca de quinhentos homens cada. Vê os estandartes?
A harpia de Yunkai agarrava um chicote e uma coleira de ferro em vez de uma corrente. Mas os mercenários hasteavam os próprios estandartes por baixo dos da cidade que serviam: do lado direito, quatro corvos entre relâmpagos cruzados; do esquerdo, uma espada quebrada.
– São os próprios yunkaitas que constituem o centro – destacou Dany. A distância, seus oficiais eram indistinguíveis dos de Astapor; elmos altos e brilhantes e mantos revestidos de cintilantes discos de cobre. – Os soldados que lideram são escravos?
– Em grande parte. Mas não se igualam aos Imaculados. Yunkai é conhecida por treinar escravos de cama, não soldados.
– O que acha? Podemos derrotar este exército?
– Facilmente – disse Sor Jorah.
– Mas não sem sangue. – Grande quantidade de sangue empapou os tijolos de Astapor quando a cidade caiu, embora pouco dele pertencesse a ela ou aos seus. – Podemos ganhar aqui uma batalha, mas a um custo que talvez não nos permita tomar a cidade.
– Esse é sempre um risco,
Dany refletiu. A tropa dos senhores de escravos parecia pequena comparada com a sua, mas os mercenários estavam montados. Viajara tempo demais com os dothraki para não ter um saudável respeito por aquilo que guerreiros a cavalo podiam fazer à infantaria.
– Os senhores de escravos gostam de falar – disse. – Envie uma mensagem dizendo que os receberei esta noite em minha tenda. E convide também os comandantes das companhias mercenárias para uma visita. Mas não juntos. Os Corvos Tormentosos ao meio-dia, e os Segundos Filhos duas horas mais tarde.
– Às suas ordens – disse Sor Jorah. – Mas se não vierem...
– Virão. Terão curiosidade de ver os dragões e de ouvir o que eu tenho para dizer, e os que forem inteligentes verão aí uma oportunidade para avaliar as minhas forças. – Fez a égua prateada dar meia-volta. – Vou esperá-los em meu pavilhão.