Читаем A Tormenta de Espadas полностью

Jon afastou-se. Uma maçã apodrecida estourou sob seu calcanhar. Styr vai matá-lo. O Magnar havia dito isso em Guardagris; quaisquer ajoelhadores que encontrassem seriam mortos de imediato, para terem certeza de que não dariam o alarme. Cavalgue com eles, coma com eles, lute com eles. Será que isso queria dizer que devia ficar mudo e impotente enquanto abriam a garganta de um velho?

Perto do limite da aldeia, Jon viu-se cara a cara com um dos guardas que Styr colocara. O Thenn rosnou qualquer coisa no Idioma Antigo e apontou com a lança para a estalagem. Volte para o lugar a que pertence, adivinhou Jon. Mas que lugar é esse?

Caminhou na direção da água e descobriu um local quase seco sob a parede inclinada de taipa de uma choupana em ruínas que tinha desabado quase por completo. Foi ali que Ygritte o encontrou, sentado, fitando o lago açoitado pela chuva.

– Eu conheço este lugar – disse-lhe quando ela se sentou ao seu lado. – Aquela torre... olhe para o topo da próxima vez que o relâmpago cair e diga-me o que vê.

– Tá bem, se quiser – disse ela, e depois: – Alguns dos Thenns tão dizendo que ouviram barulho ali. Gritos, dizem eles.

– Trovões.

– Eles dizem que são gritos. Podem ser fantasmas.

A fortaleza realmente tinha um aspecto sombrio e assustador, ali erguida, negra, no topo de sua ilha rochosa, com a tempestade vergastando o lago em volta.

– Podíamos dar uma olhada – sugeriu ele. – Duvido que possamos ficar muito mais molhados do que já estamos.

– Nadar? No meio da tempestade? – ela riu da ideia. – Isso é algum truque pra tirar minha roupa, Jon Snow?

– Ainda preciso de um truque para isso? – brincou ele. – Ou será que não sabe nadar? – Jon era um bom nadador, tendo aprendido a arte quando garoto, no grande fosso de Winterfell.

Ygritte esmurrou o braço dele.

– Você não sabe nada, Jon Snow. Eu sou meio peixe, vou lhe mostrar.

– Meio peixe, meio cabra, meio cavalo... há muitas metades em você, Ygritte. – Balançou a cabeça. – Se este lugar é o que eu penso, não teríamos de nadar. Poderíamos ir a pé.

Ela recostou-se e olhou-o.

– Caminhar na água? Que feitiçaria sulista é essa?

– Não é feit... – começou ele no momento em que um enorme relâmpago se precipitou do céu e tocou a superfície do lago. Durante meio segundo o mundo foi brilhante como ao meio-dia. O trovão soou tão alto que Ygritte se assustou e cobriu as orelhas.

– Viu? – perguntou Jon enquanto o som rolava para longe e a noite ficava negra novamente. – Percebeu?

– Amarelo – disse ela. – É isso o que quer dizer? Algumas daquelas pedras em pé lá em cima são amarelas.

– Chamamos de merlões. Foram pintadas de dourado há muito tempo. Isto é Coroadarrainha.

Do outro lado do lago, a torre estava negra novamente, uma silhueta tênue, tenuemente entrevista.

– Uma rainha vivia aqui? – perguntou Ygritte.

– Uma rainha passou uma noite aqui. – Foi a Velha Ama que tinha lhe contado a história, mas Meistre Luwin confirmou a maior parte dela. – Alysanne, a esposa do Rei Jaehaerys, o Conciliador. Ele é chamado de Velho Rei por ter reinado durante muito tempo, mas era jovem quando subiu ao Trono de Ferro. Naquela época, era seu costume viajar por todo o reino. Quando veio a Winterfell, trouxe a sua rainha, seis dragões e metade da corte. O rei tinha assuntos a discutir com o seu Protetor do Norte, e Alysanne ficou entediada, por isso montou em seu dragão Asaprata e voou para o norte, a fim de ver a Muralha. Esta aldeia foi um dos lugares onde parou. Mais tarde, o povo pintou o topo de sua fortaleza para se parecer com a coroa de ouro que ela usava quando tinha passado a noite entre eles.

– Nunca vi um dragão.

– Ninguém viu. Os últimos dragões morreram há cem anos ou mais. Mas isso foi há mais tempo.

– A Rainha Alysanne, você diz?

– A Boa Rainha Alysanne, como a chamaram mais tarde. Um dos castelos da Muralha também foi batizado em sua honra. Portão da Rainha. Antes de sua visita, chamavam-no de Portão da Neve.

– Se era assim tão boa, devia ter derrubado aquela Muralha.

Não, pensou ele. A Muralha protege o reino. Dos Outros... e também de você e dos seus, querida.

– Tive outro amigo que também sonhava com dragões. Um anão. Ele disse...

JON SNOW! – um dos Thenns encontrava-se em pé junto deles, de testa franzida. – Magnar quer. – Jon achou que podia ser o mesmo homem que o encontrara na porta da gruta na noite anterior à escalada da Muralha, mas não tinha certeza. Ficou em pé. Ygritte veio com ele, o que sempre fazia Styr franzir a testa, mas toda vez que tentava mandá-la embora, ela lembrava-lhe que era uma mulher livre, não uma ajoelhadora. Ia e vinha conforme lhe apetecia.

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