Читаем A Tormenta de Espadas полностью

– Com meus próprios olhos. Depois da batalha, quando estava perdido em desespero, a Senhora Melisandre pediu-me para fitar o fogo da lareira. A chaminé puxava o ar com força, e pedacinhos de cinzas erguiam-se do fogo. Eu fitei-os, sentindo-me um pouco tolo, mas ela me pediu para olhar mais fundo, e... as cinzas eram brancas, erguendo-se na corrente ascendente de ar, mas de repente era como se estivessem caindo. Neve, pensei. Então as fagulhas no ar pareceram formar um círculo, para se transformarem em um anel de archotes, e eu estava olhando através do fogo para um monte alto qualquer numa floresta. As brasas tinham se transformado em homens de negro atrás dos archotes, e havia silhuetas em movimento através da neve. Apesar de todo o calor do fogo, senti um frio tão terrível que me arrepiei, e quando isso aconteceu, a visão desapareceu, e o fogo era de novo apenas um fogo. Mas o que vi foi real, apostaria nisso o meu reino.

– E foi o que fez – disse Melisandre.

A convicção na voz do rei assustou Davos profundamente.

– Um monte numa floresta... silhuetas na neve... eu não...

– Significa que a batalha começou – disse Melisandre. – A areia corre agora mais depressa pela ampulheta, e o tempo do homem sobre a terra está quase no fim. Temos de agir com ousadia, senão toda a esperança estará perdida. Westeros tem de se unir sob seu único rei verdadeiro, o príncipe que foi prometido, Senhor de Pedra do Dragão e escolhido de R’hllor.

– Então R’hllor faz estranhas escolhas. – O rei fez uma careta, como quem saboreia algo desagradável. – Por que eu e não meus irmãos? Renly e seu pêssego. Em meus sonhos, vejo o sumo escorrendo da boca dele, e o sangue da garganta. Se tivesse cumprido seu dever para com o irmão, teríamos esmagado Lorde Tywin. Uma vitória de que até Robert poderia se orgulhar. Robert... – Seus dentes rangeram, de um lado para o outro. – Ele também aparece em meus sonhos. Rindo. Bebendo. Vangloriando-se. Eram as coisas que ele fazia melhor. Isso, e lutar. Nunca o venci em nada. O Senhor da Luz devia ter feito de Robert o seu campeão. Por que eu?

– Porque é um homem reto – disse Melisandre.

– Um homem reto. – Stannis tocou com um dedo a bandeja de prata tampada. – Com sanguessugas.

– Sim – falou Melisandre –, mas tenho de lhe dizer de novo, esta não é a maneira certa.

– Jurou que daria certo. – O rei parecia zangado.

– Dará... e não dará.

– Ou uma coisa ou a outra.

– Ambas.

– Fale com sentido comigo, mulher.

– Quando os fogos falarem mais claramente, o mesmo farei eu. Há verdade nas chamas, mas nem sempre é fácil ver. – O grande rubi em sua garganta bebia fogo do clarão do braseiro. – Dê-me o garoto, Vossa Graça. É a maneira mais segura. A melhor maneira. Dê-me o garoto e acordarei o dragão de pedra.

– Já lhe disse que não.

– Ele é apenas um garoto ilegítimo, contra todos os garotos de Westeros e todas as garotas também. Contra todas as crianças que podem nunca chegar a nascer, em todos os reinos do mundo.

– O garoto é inocente.

– O garoto conspurcou sua cama nupcial e, se assim não fosse, certamente teria filhos seus. Ele envergonhou-o.

– Quem fez isso foi Robert. Não o garoto. Minha filha tornou-se amiga dele. E ele é do meu próprio sangue.

– É do sangue de seu irmão – disse Melisandre. – Do sangue de um rei. Só o sangue de um rei pode acordar o dragão de pedra.

Stannis rangeu os dentes.

– Não quero ouvir mais nada sobre isso. Os dragões acabaram-se. Os Targaryen tentaram trazê-los de volta meia dúzia de vezes. E fizeram papel de bobos, ou de cadáveres. Cara-Malhada é o único bobo de que precisamos neste rochedo esquecido por deus. Você tem as sanguessugas. Faça o seu trabalho.

Melisandre inclinou rigidamente a cabeça e disse:

– Às ordens de meu rei. – Enfiou a mão direita na manga esquerda e atirou um punhado de pó dentro do braseiro. Os carvões rugiram. Enquanto chamas pálidas se contorciam por cima deles, a mulher vermelha pegou o prato de prata e levou-o ao rei. Davos viu-a levantar a tampa. Por baixo dela encontravam-se três grandes sanguessugas negras, inchadas com sangue.

O sangue do garoto, soube Davos. Sangue de um rei.

Stannis estendeu uma mão, e seus dedos fecharam-se em volta de uma das sanguessugas.

– Diga o nome – ordenou Melisandre.

A sanguessuga retorcia-se na mão do rei, tentando se prender a um de seus dedos.

– O usurpador – disse ele. – Joffrey Baratheon. – Quando atirou a sanguessuga no fogo, ela enrolou-se entre os carvões como uma folha de outono e incendiou-se.

Stannis agarrou a segunda.

– O usurpador – declarou, dessa vez mais alto. – Balon Greyjoy. – Deu-lhe um piparote ligeiro para dentro do braseiro, e o corpo do animal abriu-se e crepitou. O sangue jorrou de seu interior, silvando e fumegando.

A última sanguessuga estava na mão do rei. Estudou aquela por um momento, enquanto se contorcia entre seus dedos.

– O usurpador – disse por fim. – Robb Stark. – E atirou-a para as chamas.



JAIME

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