– Eu trarei justiça a Westeros. Algo que Sor Axell compreende tão mal quanto compreende a guerra. A Ilha da Garra não me traria nada... e seria uma coisa maligna, como você disse. Celtigar tem de pagar o preço da traição pessoalmente. E quando eu subir ao trono, pagará. Cada homem colherá o que semeou, do mais alto dos senhores ao mais baixo rato de sarjeta. E alguns perderão mais do que as pontas dos dedos, garanto. Fizeram o meu reino sangrar, e não me esqueço disso. – O Rei Stannis afastou-se da mesa. – De joelhos, Cavaleiro das Cebolas.
– Vossa Graça?
– Pelas cebolas e pelo peixe, fiz-lhe um dia cavaleiro. Por isso, estou decidido a fazê-lo senhor.
– Sinto-me satisfeito por ser seu cavaleiro, Vossa Graça. Não saberia como começar a ser senhorial.
– Ótimo. Ser senhorial é ser falso. Aprendi duramente essa lição. Agora,
Davos ajoelhou-se e Stannis puxou a espada. Melisandre chamara-a de
– Sor Davos da Casa Seaworth – disse o rei –, é meu verdadeiro e honesto vassalo, agora e para sempre?
– Sou, Vossa Graça.
– E jura servir-me com lealdade todos os seus dias, dar-me conselhos honestos e obediência rápida, defender os meus direitos e o meu reino contra todos os adversários, em grandes e pequenas batalhas, proteger o meu povo e punir os inimigos?
– Sim, Vossa Graça.
– Então volte a levantar-se, Davos Seaworth, e levante-se como Senhor da Mata de Chuva, Almirante do Mar Estreito e Mão do Rei.
Por um momento, Davos ficou atordoado demais para se mexer.
– Vossa Graça, não pode... eu não sou o homem certo para ser Mão do Rei.
– Não há homem mais certo. – Stannis embainhou Luminífera, ofereceu a mão a Davos e ajudou-o a se levantar.
– Sou de baixo nascimento – recordou-lhe. – Um contrabandista elevado a nobre. Seus senhores nunca me obedecerão.
– Então arranjaremos novos senhores.
– Mas... eu não sei ler... nem escrever.
– Meistre Pylos pode ler por você. Quanto a escrever, meu último Mão escreveu tanto que sua cabeça saiu de cima de seus ombros. Tudo que lhe peço é aquilo que sempre me deu. Honestidade. Lealdade. Serviço.
– Certamente haverá alguém melhor... algum grande senhor...
Stannis fungou.
– Bar Emmon, aquele rapaz? Meu avô sem fé? Celtigar abandonou-me, o novo Velaryon tem seis anos, e o novo Sunglass zarpou para Volantis depois de eu queimar seu irmão. – Fez um gesto irritado. – Restam alguns bons homens, é verdade. Sor Gilbert Farring ainda controla Ponta Tempestade em meu nome, com duzentos homens leais. Lorde Morrigen, o Bastardo de Nocticantiga, o jovem Chyttering, meu primo Andrew... mas não confio em nenhum deles como confio em você, senhor da Mata de Chuva. Será minha Mão. É o senhor que eu quero ao meu lado para a batalha.
– Vossa Graça pediu conselhos honestos. Então honestamente... faltam-nos as forças para outra batalha contra os Lannister.
– Sua Graça está falando da grande batalha – disse uma voz de mulher, enriquecida com o sotaque do leste. Melisandre encontrava-se junto à porta, vestida com suas sedas vermelhas e seus cintilantes cetins, com um prato de prata tampado nas mãos. – Essas guerrinhas não são mais do que uma briga de crianças diante daquilo que está por vir. Aquele cujo nome não pode ser proferido está reunindo o seu poder, Davos Seaworth, um poder impiedoso, maligno e poderoso para lá de todas as medidas. Em breve chegará o frio, e a noite que nunca termina. – Apoiou o prato de prata na Mesa Pintada. – A não ser que homens verdadeiros encontrem a coragem de lutar contra ele. Homens cujo coração seja fogo.
Stannis fitou o prato de prata.
– Ela mostrou-me, Lorde Davos. Nas chamas.
– Viu isso, senhor? – mentir sobre uma coisa dessas não seria algo que Stannis Baratheon faria.