Читаем A Tormenta de Espadas полностью

– Não é questão de desejo. O trono é meu, como herdeiro de Robert. Essa é a lei. Depois de mim, deve passar para a minha filha, a menos que Selyse finalmente me dê um filho. – Passou três dedos levemente pela mesa, sobre as camadas de verniz liso e duro, escurecido pela idade. – Eu sou rei. Os quereres não entram nisso. Tenho um dever para com a minha filha. Para com o reino. Até para com Robert. Ele gostava pouco de mim, eu sei, mas era meu irmão. A mulher Lannister pôs os chifres nele e fez dele um bobo vestido de xadrez. Até pode tê-lo assassinado, tal como assassinou Jon Arryn e Ned Stark. Para crimes assim tem de haver justiça. Começando por Cersei e suas abominações. Mas só para começar. Pretendo esfregar aquela corte até ficar limpa. Como Robert devia ter feito, depois do Tridente. Sor Barristan disse-me uma vez que a podridão no reinado do Rei Aerys começou com Varys. O eunuco nunca devia ter sido perdoado. Tal como o Regicida. No mínimo, Robert devia ter arrancado de Jaime o manto branco e enviado o homem para a Muralha, como Lorde Stark lhe pediu. Em vez disso, deu ouvidos a Jon Arryn. Eu ainda estava em Ponta Tempestade, sob cerco e sem ser consultado. – Virou-se abruptamente, para lançar a Davos um olhar duro e astuto. – E agora a verdade. Por que quis assassinar a Senhora Melisandre?

Então ele sabe. Davos não podia mentir.

– Quatro de meus filhos arderam na Água Negra. Ela entregou-os às chamas.

– Está sendo injusto com Melisandre. Aqueles incêndios não foram obra dela. Amaldiçoe o Duende, amaldiçoe os piromantes, amaldiçoe aquele idiota do Florent que avançou com a minha frota para dentro das mandíbulas de uma armadilha. Ou amaldiçoe-me por meu orgulho obstinado, por mandá-la embora quando mais precisava dela. Mas Melisandre não. Ela continua sendo minha fiel servidora.

– Meistre Cressen era seu fiel servidor. Ela matou-o, tal como matou Sor Cortnay Penrose e seu irmão Renly.

– Agora soa como um tolo – protestou o rei. – Ela viu o fim de Renly nas chamas, sim, mas não desempenhou nele um papel maior do que eu. A sacerdotisa estava na minha companhia. Seu Devan poderá confirmar. Pergunte a ele, se duvida de mim. Ela teria poupado Renly se tivesse podido. Foi Melisandre quem me pediu para me encontrar com ele e lhe dar uma última chance de reparar sua traição. E foi Melisandre quem me disse para mandar buscar você quando Sor Axell quis entregá-lo a R’hllor. – Deu um fino sorriso. – Isso o surpreende?

– Sim. Melisandre sabe que não sou amigo dela ou de seu deus vermelho.

– Mas é meu amigo. Ela também sabe disso. – Fez sinal para que Davos se aproximasse. – O garoto está doente. Meistre Pylos tem andado sangrando-o.

– O garoto? – os pensamentos de Davos rumaram ao seu Devan, o escudeiro do rei. – Meu filho, senhor?

– Devan? Bom garoto. Tem nele muito de você. É o bastardo de Robert que está doente, o garoto que encontramos em Ponta Tempestade.

Edric Storm.

– Falei com ele no Jardim de Aegon.

– Tal como ela quis. Tal como ela viu. – Stannis suspirou. – O garoto encantou-o? Tem esse dom. Tirou isso do pai, com o sangue. Sabe que é filho de um rei, mas prefere esquecer que é ilegítimo. E adora Robert, tal como Renly adorava quando era novo. O meu real irmão se fazia de pai amigo durante as suas visitas a Ponta Tempestade, e havia presentes... espadas, pôneis e mantos forrados de peles. Trabalho do eunuco, todos eles. O garoto escrevia para a Fortaleza Vermelha, cheio de agradecimentos, e Robert ria e perguntava a Varys o que tinha enviado naquele ano. Renly não era melhor. Deixou a educação do garoto a castelões e meistres, e todos eles caíram vítimas de seu encanto. Penrose preferiu morrer a entregá-lo. – O rei rangeu os dentes. – Isso ainda me enfurece. Como ele pôde pensar que eu iria fazer mal ao garoto? Escolhi Robert, não escolhi? Quando esse duro dia chegou. Escolhi o sangue em detrimento da honra.

Ele não usa o nome do garoto. Isso deixou Davos muito desconfortável.

– Espero que o jovem Edric se recupere rapidamente.

Stannis sacudiu uma mão, colocando de lado a sua preocupação.

– É um resfriado, nada mais. Ele tosse, tem arrepios e febre. Em breve, Meistre Pylos irá deixá-lo bom. Em si mesmo, o garoto não é nada, entende? Mas nas veias dele corre o sangue de meu irmão. Há poder no sangue de um rei, diz ela.

Davos não teve de perguntar quem ela era.

Stannis tocou a Mesa Pintada.

– Olhe-o, Cavaleiro das Cebolas. Meu reino de direito. Meu Westeros. – Passou uma mão pelo mapa. – Essa conversa de Sete Reinos é uma loucura. Aegon compreendeu isso há trezentos anos, quando estava onde nos encontramos agora. Pintaram esta mesa por ordem dele. Pintaram rios e baías, colinas e montanhas, castelos, cidades e vilas francas, lagos, pântanos e florestas... mas nenhuma fronteira. É tudo um só. Um reino, para que um rei o governe sozinho.

– Um rei – concordou Davos. – Um rei significa a paz.

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