– Senhora, isso não é maneira de trazê-la para o seu casamento, peço-lhe perdão. E por fazer isso de forma tão súbita e secreta. O senhor meu pai achou necessário, por razões de estado. De outra forma, teria ido encontrá-la mais cedo, conforme eu desejava. – Bamboleou-se para mais perto. – Não pediu este casamento, eu sei. Eu também não. Mas se a tivesse recusado, eles teriam casado a senhora com meu primo Lancel. Talvez tivesse preferido assim. Ele tem uma idade próxima da sua, e é mais bonito de se ver. Se for esse seu desejo, diga, e eu porei fim a esta farsa.
– É gentil, senhor – disse, derrotada. – Sou protegida da coroa e meu dever é casar segundo as ordens do rei.
Ele estudou-a com seus olhos desiguais.
– Eu sei que não sou o tipo de esposo com que as garotas sonham, Sansa – disse, com suavidade –, mas também não sou Joffrey.
– Não – disse ela. – Foi gentil comigo. Eu me lembro.
Tyrion ofereceu-lhe uma mão grossa de dedos curtos.
– Então venha. Vamos cumprir o nosso dever.
E assim ela pousou a mão na dele e ele levou-a até o altar nupcial, onde o septão esperava entre a Mãe e o Pai para unir suas vidas. Sansa viu Dontos, com o seu traje de bobo, olhando-a com grandes olhos redondos. Sor Balon Swann e Sor Boros Blount encontravam-se lá, ostentando o branco da Guarda Real, mas Sor Loras não.
A cerimônia passou como que num sonho. Sansa fez tudo o que lhe foi pedido. Houve preces, votos e cânticos, e grandes velas queimando, uma centena de luzes dançantes, que as lágrimas em seus olhos se transformaram num milhar. Felizmente, ninguém pareceu reparar que ela estava chorando enquanto se encontrava ali, em pé, envolvida nas cores do pai; ou se viram, fingiram não ver. Naquilo que pareceu não ser tempo algum, chegaram à troca dos mantos.
Na condição de pai do reino, Joffrey ocupou o lugar de Eddard Stark. Sansa permaneceu dura como uma lança enquanto as mãos dele passaram sobre seus ombros para lutar contra o broche de seu manto. Uma delas roçou num seio e demorou-se lá, para lhe dar um pequeno apertão. Então o broche abriu-se, e Joff tirou seu manto de donzela com um floreado régio e um sorriso.
A parte do tio não correu tão bem. O manto de noiva que segurava era enorme e pesado, de veludo carmesim ricamente trabalhado com leões e debruado de cetim dourado e rubis. Mas ninguém havia se lembrado de trazer um banco, e Tyrion era meio metro mais baixo do que sua noiva. Quando ele se colocou atrás dela, Sansa sentiu um forte puxão na saia.
Sentiu outro puxão na saia, mais insistente.
O anão puxou-a pela terceira vez. Teimosamente, apertou os lábios e fingiu não reparar. Alguém atrás deles soltou um riso abafado.
– Dontos, de quatro – ordenou o rei. – Meu tio precisa de ajuda para subir até sua noiva.
E foi assim que o senhor seu esposo a cobriu com um manto nas cores da Casa Lannister enquanto se empoleirava nas costas de um bobo.
Quando Sansa se virou, o homenzinho fitava-a, de boca contraída, com o rosto tão vermelho quanto seu manto. De repente, sentiu-se envergonhada por sua teimosia. Alisou as saias e ajoelhou-se diante de Tyrion, para que as cabeças ficassem no mesmo nível.
– Com este beijo empenho o meu amor, e o tomo como meu senhor e esposo.