Читаем A Tormenta de Espadas полностью

– Não há nada mais sensato. Não estou realmente bêbado, compreende? Mas pretendo ficar.

Sansa encheu uma taça para cada um. Será mais fácil se eu também estiver bêbada. Sentou-se na beira da grande cama de dossel e ingeriu metade do conteúdo de sua taça em três longos goles. Sem dúvida que o vinho era muito bom, mas estava nervosa demais para saboreá-lo. A bebida deixou sua cabeça flutuando.

– Quer que eu tire minhas roupas, senhor?

– Tyrion. – Ele ergueu a cabeça. – Meu nome é Tyrion, Sansa.

– Tyrion. Senhor. Devo tirar o vestido, ou quer me despir? – bebeu mais um gole de vinho.

O Duende virou as costas para ela.

– Da primeira vez que me casei, fomos só nós e um septão bêbado, e alguns porcos como testemunhas. Comemos uma das testemunhas no banquete de casamento. Tysha deu na minha boca pele torrada de porco assado e eu lambi a gordura dos dedos dela, e estávamos rindo quando caímos na cama.

– Foi casado antes? Eu... eu tinha me esquecido.

– Não esqueceu. Nunca soube.

– Quem era ela, senhor? – a contragosto, Sansa sentia curiosidade.

– A Senhora Tysha. – A boca dele torceu-se. – Da Casa Punho de Prata. As armas deles são uma moeda de ouro e cem de prata, num lençol ensanguentado. Nosso casamento foi muito curto... como é próprio de um homem muito baixo, suponho.

Sansa fitou as mãos e nada disse.

– Quantos anos você tem, Sansa? – perguntou Tyrion após um momento.

– Treze – disse ela –, quando a lua virar.

– Deuses, piedade. – O anão bebeu outro gole de vinho. – Bem, conversar não fará você ficar mais velha. Vamos tratar disso, senhora? Se for do seu agrado?

– Será do meu agrado agradar ao senhor meu esposo.

Aquilo pareceu enfurecê-lo.

– Esconde-se atrás da cortesia como se fosse uma muralha de castelo.

– A cortesia é a armadura de uma senhora – disse Sansa. Sua septã sempre lhe dizia isso.

– Eu sou o seu marido. Agora pode tirar a armadura.

– E a roupa?

– Isso também. – Fez um gesto na direção dela com a taça de vinho. – O senhor meu pai ordenou-me que consumasse este casamento.

As mãos de Sansa tremiam quando começou a remexer as roupas. Tinha dez polegares no lugar dos dedos, e todos estavam quebrados. Mas de algum modo conseguiu se desembaraçar dos nós e botões, e o seu manto, o vestido, o espartilho e a seda íntima deslizaram para o chão, até que por fim saiu de dentro da roupa de baixo. A pele de seus braços e pernas ficou arrepiada. Manteve os olhos no chão, tímida demais para olhá-lo, mas quando terminou, lançou-lhe um relance de olhos e viu-o a fitá-la. Havia fome no olho verde, pareceu a ela, e fúria no negro. Sansa não sabia qual dos dois a assustava mais.

– É uma criança – disse ele.

Ela cobriu os seios com as mãos.

– Já floresci.

– Uma criança – repetiu ele –, mas desejo você. Isso a assusta, Sansa?

– Sim.

– A mim também. Eu sei que sou feio...

– Não, sen...

Ele ergueu-se.

– Não minta, Sansa. Sou deformado, mutilado e pequeno, mas... – Sansa viu que ele procurava as palavras – ... na cama, depois das velas sopradas, não sou pior constituído do que os outros homens. No escuro, sou o Cavaleiro das Flores. – Bebeu um trago de vinho. – Sou generoso. Leal para com aqueles que me são leais. Provei que não sou covarde. E sou mais inteligente do que a maioria, decerto a esperteza deve contar para alguma coisa. Até posso ser bondoso. Temo que a bondade não seja um hábito entre nós, os Lannister, mas sei que tenho alguma, em algum lugar. Poderia ser... poderia ser bom para você.

Ele está tão assustado quanto eu, percebeu Sansa. Isso talvez devesse tê-la deixado mais compreensiva para com ele, mas não a deixou. Tudo que sentiu foi pena, e a pena é a morte do desejo. O anão olhava-a, à espera de que dissesse alguma coisa, mas todas as suas palavras tinham murchado. Só conseguiu ficar ali, em pé, tremendo.

Quando finalmente compreendeu que ela não tinha uma resposta para lhe dar, Tyrion Lannister entornou o resto do vinho.

– Compreendo – disse amargamente. – Vá para a cama, Sansa. Temos de cumprir o nosso dever.

Ela subiu para o colchão de plumas, consciente de que ele a encarava. Uma vela perfumada de cera de abelha ardia na mesa de cabeceira e pétalas de rosas tinham sido espalhadas entre os lençóis. Tinha começado a puxar uma manta para se cobrir quando o ouviu dizer:

– Não.

O frio fazia-a tremer, mas obedeceu. Seus olhos fecharam-se, e esperou. Um momento depois, ouviu o som do marido descalçando as botas, e o roçagar de roupa enquanto se despia. Quando saltou para a cama e pôs uma mão no seu seio, Sansa não conseguiu evitar um estremecimento. Ficou de olhos fechados, com cada músculo tenso, aterrorizada com o que poderia vir em seguida. Ele voltaria a tocá-la? Iria beijá-la? Deveria abrir já as pernas para ele? Não sabia o que era esperado de si.

– Sansa. – A mão tinha desaparecido. – Abra os olhos.

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