– Com este beijo empenho o meu amor – respondeu o anão em voz rouca – e a tomo como minha senhora e esposa. – Debruçou-se para a frente, e os lábios tocaram-se brevemente.
O septão ergueu bem alto seu cristal, para que a luz arco-íris caísse sobre os dois.
– Aqui, à vista dos deuses e dos homens – disse –, proclamo solenemente que Tyrion da Casa Lannister e Sansa da Casa Stark são marido e mulher, uma carne, um coração, uma alma, agora e sempre, e maldito seja quem se interpuser entre eles.
Teve de morder o lábio para não soluçar.
O banquete de casamento foi servido no Pequeno Salão. Havia talvez cinquenta convidados; a maioria servidores e aliados dos Lannister, juntando-se àqueles que tinham estado no casamento. E ali Sansa encontrou os Tyrell. Margaery olhou-a de um modo cheio de tristeza, e quando a Rainha dos Espinhos entrou, vacilante, entre o Esquerdo e o Direito, sequer a olhou. Elinor, Alla e Megga pareciam determinadas a não conhecê-la.
Seu esposo bebeu muito e quase não comeu. Escutava sempre que alguém se levantava para fazer um brinde, e às vezes fazia um brusco aceno de apreço, mas fora isso daria para dizer que seu rosto era feito de pedra. O banquete pareceu prolongar-se sem fim, embora Sansa não tivesse provado nada da comida. Queria que aquilo acabasse, e no entanto temia o seu fim. Pois, após o banquete, vinha a noite de núpcias. Os homens iriam levá-la para sua cama nupcial, despindo-a no caminho e fazendo piadas grosseiras sobre aquilo que a aguardava entre os lençóis, enquanto as mulheres prestariam a Tyrion o mesmo serviço. Só depois de serem enfiados nus na cama é que os deixariam sós, e mesmo então os convidados permaneceriam à porta do aposento nupcial, gritando para dentro sugestões obscenas. A noite de núpcias parecera maravilhosamente maliciosa e excitante quando Sansa era garota, mas, agora que o momento estava quase chegando, sentia apenas terror. Não achava que seria capaz de suportar que arrancassem sua roupa, e estava certa de que rebentaria em lágrimas à primeira brincadeira lúbrica.
Quando os músicos começaram a tocar, Sansa apoiou timidamente a mão sobre a de Tyrion e disse:
– Senhor, lideramos o baile?
A boca dele torceu-se.
– Acho que já lhes demos divertimento suficiente para uma noite, não acha?
– Como quiser, senhor. – Retirou a mão.
Em vez deles, Joffrey e Margaery lideraram.
Outros convidados rapidamente se juntaram ao rei e à sua prometida. Elinor dançou com seu jovem escudeiro, e Megga, com o Príncipe Tommen. A Senhora Merryweather, a bela myrana de cabelos negros e grandes olhos escuros, girava tão provocantemente que em pouco tempo todos os homens presentes no salão a observavam. O Senhor e a Senhora Tyrell moviam-se mais calmamente. Sor Kevan Lannister pediu a honra à Senhora Janna Fossoway, irmã de Lorde Tyrell. Merry Crane juntou-se aos dançarinos com o príncipe exilado Jalabhar Xho, magnífico em seus adornos de penas. Cersei Lannister fez par primeiro com Lorde Redwyne, depois com Lorde Rowan, e por fim com o próprio pai, que dançava com uma graça fluida e séria.
Sansa ficou sentada com as mãos no colo, observando o modo como a rainha se movia, ria e sacudia os louros caracóis.
– Senhora Sansa. – Sor Garlan Tyrell estava em pé junto ao estrado. – Dá-me a honra? Se o seu senhor consentir?
Os olhos desiguais do Duende estreitaram-se.
– A minha senhora pode dançar com quem quiser.
Talvez devesse ter permanecido ao lado do marido, mas queria tanto dançar... e Sor Garlan era irmão de Margaery, de Willas, de seu Cavaleiro das Flores.
– Vejo por que lhe chamam Garlan, o Galante, sor – disse, ao pegar na mão dele.
– É muito amável por dizer isso, minha senhora. Foi meu irmão Willas quem me deu esse nome, por acaso. Para me proteger.
– Para protegê-lo? – Sansa dirigiu-lhe um olhar confuso.
Sor Garlan soltou uma gargalhada.
– Eu era um menininho rechonchudo, temo eu, e nós temos um tio chamado Garth, o Grosseiro. Por isso Willas atacou primeiro, não sem antes me ameaçar com Garlan, o Galo, Garlan, o Gatuno e Garlan, a Gárgula.