Читаем A Tormenta de Espadas полностью

Enquanto o pagamento era feito, Kraznys mo Nakloz concedeu-lhe algumas palavras finais sobre o modo de lidar com as tropas.

– Eles ainda estão verdes – disse ele através de Missandei. – Diga à prostituta de Westeros que faria bem em dar-lhes rapidamente o batismo de sangue. Há muitas cidades pequenas no caminho, cidades prontas para serem pilhadas. Qualquer saque que obtenha será apenas seu. Os Imaculados não cobiçam o ouro ou as pedras preciosas. E se capturar prisioneiros, alguns guardas serão suficientes para trazê-los para Astapor. Compraremos os saudáveis, e por um bom preço. E quem sabe? Daqui a dez anos, alguns dos garotos que nos mandar poderão ser por sua vez Imaculados. Assim todos prosperaremos.

Por fim, já não havia mais mercadoria a adicionar à pilha. Seus dothraki voltaram a subir para os cavalos, e Dany disse:

– Isto foi tudo o que pudemos transportar. O resto aguarda nos navios, uma grande quantidade de âmbar, vinho e arroz negro. E vocês têm os próprios navios. Então tudo que nos resta é...

– ... o dragão – terminou o Grazdan com a barba pontiaguda, que falava o Idioma Comum com forte sotaque.

– E aqui está ele. – Sor Jorah e Belwas dirigiram-se ao seu lado para a liteira, onde Drogon e os seus irmãos tostavam ao sol. Jhiqui desprendeu uma ponta da corrente e entregou-a a ela. Quando lhe deu um puxão, o dragão negro ergueu a cabeça, silvando, e abriu asas de noite e escarlate. Kraznys mo Nakloz deu um largo sorriso quando a sombra das asas caiu sobre si.

Dany entregou ao comerciante de escravos a ponta da corrente de Drogon. Em troca, ele presenteou-a com o chicote. O cabo era de osso negro de dragão, elaboradamente esculpido e incrustado de ouro. Nove longas e finas tiras de couro saíam desse cabo, todas rematadas por uma garra dourada. O botão de ouro era uma cabeça de mulher, com dentes pontiagudos de marfim.

– Os dedos da harpia – chamou Kraznys ao açoite.

Dany revirou o chicote na mão. Uma coisa tão leve, com um peso tão grande.

– Então está feito? Eles pertencem a mim?

– Está feito – concordou o homem, dando um forte puxão na corrente para que Drogon descesse da liteira.

Dany montou sua prata. Sentia o coração tamborilando no peito. Sentia um medo desesperado. Seria isso o que o meu irmão teria feito? Perguntou a si mesma se o Príncipe Rhaegar se sentira tão ansioso assim quando viu a tropa do Usurpador em formação do outro lado do Tridente, com todos os seus estandartes flutuando ao vento.

Pôs-se em pé nos estribos e ergueu os dedos da harpia sobre a cabeça, para que todos os Imaculados os vissem.

ESTÁ FEITO! – gritou, o mais alto que foi capaz. – VOCÊS SÃO MEUS! – Esporeou a égua e galopou ao longo da primeira fileira, mantendo os dedos erguidos. – PERTENCEM AGORA AO DRAGÃO! FORAM COMPRADOS E PAGOS! ESTÁ FEITO! ESTÁ FEITO!

Vislumbrou o velho Grazdan virando rapidamente a cabeça grisalha. Ele me ouviu falar valiriano. Os outros negociantes de escravos não estavam atentos. Aglomeravam-se em volta de Kraznys e do dragão, gritando conselhos. Embora os astapori puxassem e empurrassem, Drogon não saía da liteira. Fumaça cinza subia de suas mandíbulas abertas, e seu longo pescoço enrolava-se e endireitava-se enquanto ele tentava morder o rosto do feitor.

É hora de atravessar o Tridente, pensou Dany, ao virar-se e trazer a prata de volta. Seus companheiros de sangue aproximaram-se e cercaram-na.

– Está em dificuldades – observou Dany.

– Ele não quer vir – disse Kraznys.

– Há uma razão. Um dragão não é escravo de ninguém. – E Dany chicoteou com toda a força o rosto do negociante de escravos. Kraznys gritou e cambaleou para trás, com sangue escorrendo, vermelho, para sua barba perfumada. Os dedos da harpia tinham quase desfeito suas feições de um golpe, mas Dany não parou para contemplar o estrago. – Drogon – cantou em voz alta, em tom doce, todo o seu medo esquecido. – Dracarys.

O dragão negro abriu as asas e rugiu.

Uma lança de turbilhonantes chamas escuras atingiu em cheio o rosto de Kraznys. Seus olhos derreteram e escorreram pelas maçãs de seu rosto, e o óleo que tinha nos cabelos e barba incendiou-se com tanta violência que, por um instante, o senhor de escravos usou uma coroa flamejante duas vezes mais alta do que sua cabeça. O súbito fedor de carne carbonizada conseguiu sobrepor-se até mesmo ao seu perfume, e seu grito de dor pareceu afogar todos os outros sons.

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