O resto do seu povo seguia-os: Groleo e os outros capitães e suas tripulações, e os oitenta e três dothraki que restavam dos cem mil que um dia tinham acompanhado o
A Praça do Orgulho, com sua grande harpia de bronze, era pequena demais para conter todos os Imaculados que tinha comprado. Em vez de estarem ali, os escravos tinham sido reunidos na Praça da Punição, em frente ao portão principal de Astapor, para poderem ser levados diretamente da cidade assim que Dany estivesse na posse deles. Ali não havia estátuas de bronze; só uma plataforma de madeira onde escravos rebeldes eram torturados, esfolados e enforcados.
– Os Bons Mestres colocam-nos assim para que sejam a primeira coisa que um novo escravo vê quando entra na cidade – disse-lhe Missandei quando entraram na praça.
À primeira vista, Dany pensou que os castigados tinham pele listrada, como os zebralos dos Jogos Nhai. Então aproximou-se na sua prata e viu a carne viva sob as listras negras em movimento.
– O que este fez?
– Levantou uma mão contra o dono.
Com o estômago embrulhado, Dany virou sua prata e trotou na direção do centro da praça, e do exército que comprara a um preço tão elevado. Estavam em pé, fileira atrás de fileira, atrás de fileira, seus meios-homens de pedra com coração de tijolo; oito mil e seiscentos com os capacetes de espigão em bronze de Imaculados plenamente treinados, e cerca de cinco mil atrás deles, de cabeça descoberta, mas armados com lanças e espadas curtas. Viu que aqueles que se encontravam mais para trás não passavam de meninos, mas estavam tão rígidos e imóveis quanto os outros.
Kraznys mo Nakloz encontrava-se ali com todos os seus companheiros para saudá-la. Outros astapori de elevado nascimento juntavam-se em grupos atrás deles, bebericando vinho de taças altas de prata, enquanto escravos circulavam entre eles com bandejas cheias de azeitonas, cerejas e figos. O Grazdan mais velho ocupava uma liteira, sustentada por quatro enormes escravos com peles acobreadas. Meia dúzia de lanceiros a cavalo percorria os limites da praça, mantendo afastadas as multidões que tinham vindo assistir. O sol refulgia nos discos de cobre polido costurados aos seus mantos com um brilho que cegava, mas Dany não pôde deixar de reparar como seus cavalos pareciam nervosos.
Kraznys ordenou a um escravo que a ajudasse a descer da sela. Ele tinha as mãos ocupadas; uma agarrava o
– Aqui estão eles. – Olhou para Missandei. – Diga-lhe que são seus... se puder pagar.
– Pode – disse a garota.
Sor Jorah ladrou uma ordem, e a mercadoria foi trazida. Seis fardos de pele de tigre, trezentos rolos de boa seda. Potes de açafrão, potes de mirra, potes de pimenta, curry e cardamomo, uma máscara de ônix, doze macacos de jade, barris de tinta vermelha, preta e verde, uma caixa de raras ametistas negras, uma caixa de pérolas, um barril de azeitonas sem caroço recheadas com lagartas, uma dúzia de barris de bagres cegos em salmoura, um grande gongo de latão e um martelo para bater nele, dezessete olhos de marfim, e uma enorme arca cheia de livros escritos em línguas que Dany não sabia ler. E mais, e mais, e mais. Seu povo empilhou tudo diante dos negociantes de escravos.