– Alguns reis criam-se a si mesmos. Foi o que Robert fez.
– Ele não era um verdadeiro rei – disse Dany com desdém. – Não oferecia justiça. Justiça... é para isso que os reis
Sor Jorah não encontrou resposta. Limitou-se a sorrir, e tocou seus cabelos, muito de leve. Foi o bastante.
Naquela noite sonhou que era Rhaegar, a caminho do Tridente. Mas ia montada num dragão, e não num cavalo. Quando viu a tropa rebelde do Usurpador do outro lado do rio, eles tinham armaduras de gelo, mas ela banhou-os em fogo de dragão e eles derreteram-se como orvalho e transformaram o Tridente numa torrente. Uma pequena parte de si sabia que estava sonhando, mas outra parte exultou.
Acordou subitamente na escuridão de sua cabine, ainda transbordante de triunfo. O
Alguém estava com ela na cabine.
– Irri? Jhiqui? Onde estão? – as aias não responderam. Estava escuro demais para ver, mas ouvia-as respirar. – Jorah, é você?
– Eles dormem – disse uma mulher. – Todos eles dormem. – A voz estava muito próxima. – Até os dragões têm de dormir.
– Quem está aí? – Dany tentou ver na escuridão. Julgou detectar uma sombra, o mais tênue contorno de uma silhueta. – O que quer de mim?
– Lembre-se. Para ir para o norte, deve viajar para o sul. Para alcançar o oeste, tem de ir para leste. Para ir em frente, deve voltar para trás, e para tocar a luz, tem de passar sob a sombra.
–
–
– Um sonho. – Dany sacudiu a cabeça. – Tive um sonho, foi só isso. Voltem a dormir. Vamos todas voltar a dormir. – Mas, por mais que tentasse, o sono não queria voltar.
As ruas de tijolo vermelho de Astapor estavam quase repletas nessa manhã. Escravos e criados aglomeravam-se junto às paredes, enquanto os senhores de escravos e suas mulheres tinham vestido seus
Aggo seguia na sua frente, com seu grande arco dothraki. Belwas, o Forte, caminhava à direita de sua égua, e a pequena Missandei à esquerda. Sor Jorah Mormont vinha atrás, de cota de malha e sobretudo, lançando olhares carrancudos a todos os que se aproximassem em excesso. Rakharo e Jhogo protegiam a liteira. Dany ordenara que o topo fosse removido, para que os três dragões pudessem ser acorrentados à plataforma. Irri e Jhiqui seguiam com eles, para tentar mantê-los calmos. Mas Viserion brandia a cauda para um lado e para o outro, e uma fumaça subia, irritada, de suas narinas. Rhaegal também sentia que algo não estava bem. Por três vezes tentou levantar voo, só conseguindo ser puxado para baixo pela pesada corrente que Jhiqui tinha na mão. Drogon enrolara-se numa bola, com as asas e a cauda bem aconchegadas. Só os seus olhos indicavam que não estava dormindo.