– Eu subo primeiro. Brella vai querer ajuda com a água do banho. – Debruçou-se para lhe dar um último beijo, na testa. – Meu gigante Lannister. Amo tanto você.
SANSA
F
Afastou os cobertores.
O senhor seu esposo não estava ao seu lado, mas estava habituada a isso. Tyrion dormia mal, e frequentemente acordava antes do nascer do dia. Normalmente ia encontrá-lo no aposento privado, inclinado ao lado de uma vela, perdido num velho pergaminho qualquer ou num livro encadernado em couro. Às vezes o cheiro do pão da manhã que vinha dos fornos levava-o às cozinhas, e às vezes subia ao jardim do telhado, ou ia passear, sozinho, pelo Corredor do Traidor.
Abriu as venezianas e estremeceu quando o arrepio subiu por seus braços. Havia nuvens se acumulando no céu oriental, perfuradas por raios de sol.
Ouviu a porta se abrindo quando as aias trouxeram a água quente para o banho. Eram ambas novas ao seu serviço; Tyrion dizia que as mulheres que tomavam conta dela antes eram todas espiãs de Cersei, tal como Sansa sempre suspeitara.
– Venham ver – disse-lhes. – Há um castelo no céu.
Elas foram dar uma olhada.
– É feito de ouro. – Shae tinha cabelos escuros e curtos e olhos ousados. Fazia tudo o que lhe era pedido, mas às vezes dirigia a Sansa os mais insolentes dos olhares. – Um castelo todo feito de ouro, aí está uma coisa que eu gostaria de ver.
– Um castelo, é? – Brella tinha de semicerrar os olhos. – Aquela torre tá caindo, parece. É tudo ruínas, aquilo.
Sansa não queria ouvir falar de torres caindo e castelos arruinados. Fechou as venezianas e disse:
– Somos esperados no café da manhã da rainha. O senhor meu esposo está no aposento privado?
– Não, senhora – disse Brella. – Não o vi.
– Pode ser que tenha ido ver o pai – declarou Shae. – Talvez a Mão do Rei precise de seus conselhos.
Brella deu uma fungada.
– Senhora Sansa, talvez queira entrar na banheira antes que a água esfrie demais.
Sansa deixou que Shae puxasse sua camisa de dormir pela cabeça e entrou na grande banheira de madeira. Sentiu-se tentada a pedir uma taça de vinho, para lhe acalmar os nervos. O casamento estava marcado para o meio-dia no Grande Septo de Baelor, do outro lado da cidade. E, ao cair da noite, o banquete seria dado na sala do trono; mil convidados e setenta e sete pratos, com cantores, malabaristas e saltimbancos. Mas primeiro havia o café da manhã no Salão de Baile da Rainha, para os Lannister e os homens Tyrell – as mulheres Tyrell quebrariam o jejum com Margaery – e cento e tantos cavaleiros e fidalgos.
Brella mandou Shae ir buscar mais água quente enquanto lavava as costas de Sansa.
– Está tremendo, senhora.
– A água não está quente o suficiente – mentiu Sansa.
As aias a vestiam quando Tyrion apareceu, com Podrick Payne a reboque.
– Está adorável, Sansa. – Virou-se para o escudeiro. – Pod, faça a gentileza de me servir uma taça de vinho.
– Vai haver vinho no café da manhã, senhor – disse Sansa.
– Há vinho aqui. Não espera certamente que enfrente a minha irmã sóbrio? É um novo século, senhora. O tricentésimo ano desde a Conquista de Aegon. – O anão pegou a taça de tinto que Podrick tinha lhe entregado e ergueu-a bem alto. – A Aegon. Que cara afortunado. Duas irmãs, duas esposas e três grandes dragões, o que mais pode um homem pedir? – limpou a boca com as costas da mão.
Sansa reparou que as roupas do Duende estavam sujas e em desalinho; parecia que tinha dormido vestido.
– Vai vestir roupa lavada, senhor? Seu gibão novo é muito bonito.