– Que os Outros o carreguem, Selmy. – Sor Jorah atirou a espada no tapete. – Khaleesi
, foi apenas no início, antes de começar a conhecê-la... antes de começar a amá...– Não diga essa palavra!
– afastou-se dele. – Como pôde fazer isso? O que o Usurpador lhe prometeu? Ouro, foi ouro? – os Imorredouros tinham dito que ela seria traída mais duas vezes, uma por ouro e outra por amor. – Diga-me o que lhe foi prometido!– Varys disse... que eu poderia ir para casa. – Baixou a cabeça.
Eu ia levá-lo para casa!
Os dragões pressentiram a sua fúria. Viserion rugiu e uma fumaça cinza subiu de seu focinho. Drogon bateu o ar com asas negras e Rhaegal torceu a cabeça para trás e arrotou uma chama. Devia dizer a palavra e queimar os dois. Não haveria ninguém em que pudesse confiar? Ninguém que a mantivesse em segurança?– Serão todos os cavaleiros de Westeros tão falsos como vocês dois? Saiam, antes que os meus dragões assem ambos. Qual é o cheiro de mentiroso assado? Cheirará tão mal quanto os esgotos de Ben Mulato? Vão!
Sor Barristan levantou-se, hirto e lento. Pela primeira vez, pareceu ter a idade que tinha.
– Para onde devemos ir, Vossa Graça?
– Para o inferno, servir o Rei Robert. – Dany sentiu lágrimas quentes nas bochechas. Dragon gritou, brandindo a cauda de um lado para o outro. – Que os Outros os carreguem. – Vão, vão embora para sempre, vocês dois, da próxima vez que vir suas caras cortarei essas suas cabeças de traidores
. Mas não conseguiu dizer tais palavras. Eles me traíram. Mas me salvaram. Mas mentiram. – Vão... – Meu urso, meu feroz e forte urso, o que farei sem ele? E o velho, amigo de meu irmão. – Vão... vão... – Para onde?E então soube.
TYRION
Tyrion vestiu-se na escuridão, escutando a respiração suave da esposa que vinha da cama que dividiam. Ela sonha
, pensou, quando Sansa murmurou qualquer coisa em voz baixa – um nome, talvez, embora fosse tênue demais para ter certeza – e se virou para o lado. Como marido e mulher, dividiam uma cama de casados, mas era tudo. Até as lágrimas guarda para si.Esperava angústia e ira quando lhe contou da morte do irmão, mas o rosto de Sansa permaneceu tão imóvel que por um momento temeu que ela não tivesse compreendido. Foi só mais tarde, com uma pesada porta de carvalho entre ambos, que a ouviu soluçar. Tyrion então pensou em ir até ela, para lhe oferecer o conforto que pudesse. Não
, teve de lembrar a si mesmo, ela não procurará consolo num Lannister. O máximo que podia fazer era protegê-la dos detalhes mais feios do Casamento Vermelho que continuavam a chegar das Gêmeas. Tinha decidido que Sansa não precisava ouvir como o corpo do irmão havia sido cortado e mutilado; nem como o cadáver da mãe fora atirado nu ao Ramo Verde numa zombaria selvagem dos costumes funerários da Casa Tully. A última coisa de que a garota precisava era mais alimento para seus pesadelos.Mas não era o bastante. Tinha enrolado seu manto em volta dos ombros dela e jurado protegê-la, mas isso era uma brincadeira tão cruel quanto a coroa que os Frey tinham colocado sobre a cabeça do lobo gigante de Robb Stark depois de a coserem ao seu cadáver decapitado. Sansa também sabia disso. O modo como o olhava, sua rigidez quando subia para a cama... quando estava com ela, nem por um instante conseguia se esquecer de quem era, e do que
era. Tal como ela não esquecia. A garota continuava indo todas as noites ao bosque sagrado rezar, e Tyrion imaginava se estaria rezando pela sua morte. Ela tinha perdido o lar, o seu lugar no mundo, e todos aqueles que alguma vez amara ou em quem confiara. O inverno está chegando, avisava o lema dos Stark, e realmente tinha chegado a eles com uma vingança. Mas é o auge do verão para a Casa Lannister. Então por que sinto este maldito frio?