Читаем A Tormenta de Espadas полностью

A sul do reino ordenado de estacas, fossos, exercícios e eunucos tomando banho ficavam os acampamentos de seus libertos, um lugar muito mais ruidoso e caótico. Dany tinha armado o melhor que pôde os ex-escravos, com armas de Astapor e Yunkai, e Sor Jorah organizou os homens capazes de lutar em quatro fortes companhias, mas não viu ali ninguém se exercitando. Passaram por uma fogueira feita com madeira trazida pelo mar, onde uma centena de pessoas se reunira para assar a carcaça de um cavalo. Sentia o odor da carne e ouvia a gordura chiando enquanto os assadores viravam o espeto, mas a cena só a fez franzir a testa.

Crianças corriam sob os cavalos do grupo, saltando e gargalhando. Em vez de saudações, vozes chamavam-na de todos os lados numa balbúrdia de idiomas. Alguns dos libertos saudavam-na como “Mãe”, enquanto outros suplicavam mercês ou favores. Alguns rezavam para que estranhos deuses a abençoassem e outros pediam que ela abençoasse a eles. Ela sorria para eles, virando-se para a esquerda e para a direita, tocando suas mãos quando as erguiam, deixando que aqueles que ajoelhavam tocassem seu estribo ou sua perna. Muitos dos libertos acreditavam que havia boa sorte em seu toque. Se os ajuda a obter coragem, que me toquem, pensou. Ainda temos duros desafios pela frente.

Dany havia parado para falar com uma grávida que queria que a Mãe de Dragões desse um nome ao seu bebê quando alguém se aproximou e agarrou seu pulso esquerdo. Virando-se, vislumbrou um homem alto e esfarrapado com a cabeça raspada e o rosto queimado pelo sol.

– Com menos força – ela começou a dizer, mas antes de conseguir terminar, ele derrubou-a da sela. O chão avançou sobre si e fez com que perdesse o fôlego, enquanto sua prata relinchava e recuava. Atordoada, Dany rolou para o lado e apoiou-se num cotovelo...

... e então viu a espada.

– Aí está a porca traiçoeira – disse ele. – Eu sabia que acabaria vindo um dia para receber beijos nos pés. – Sua cabeça era calva como um melão, o nariz era vermelho e descascava, mas Dany conhecia aquela voz e aqueles olhos verde-claros. – Vou começar cortando suas tetas. – Dany estava vagamente consciente da voz de Missandei gritando por ajuda. Um liberto deu um passo adiante, mas só um passo. Um golpe rápido e caiu de joelhos, com sangue escorrendo pelo rosto. Mero limpou a espada nos calções. – Quem é o próximo?

– Sou eu. – Arstan Barba-Branca saltou do cavalo e colocou-se por cima dela, com o vento salgado fazendo ondular seus cabelos brancos como neve, e com ambas as mãos no grande bastão de madeira rija.

– Avô – disse Mero –, fuja antes que eu parta seu cajado em dois e o enfie no seu...

O velho fez uma finta com uma das pontas do bastão, puxou-a para trás, e brandiu a outra mais depressa do que Dany teria acreditado ser possível. O Bastardo do Titã cambaleou para trás, na direção da rebentação, cuspindo sangue e dentes quebrados da ruína de sua boca. Barba-Branca colocou Dany atrás de si. Mero lançou uma estocada no seu rosto. O velho saltou para trás, rápido como um gato. O bastão atingiu as costelas de Mero, fazendo-o recuar. Arstan chapinhou para o lado, parou um golpe em arco, afastou-se, dançando, de uma segunda investida, bloqueou um terceiro golpe no meio do caminho. Os movimentos eram tão rápidos que a garota quase não conseguia segui-los. Missandei estava ajudando Dany a ficar em pé quando esta ouviu um crac. Julgou que o bastão de Arstan tinha se partido até ver o osso irregular que se projetava da panturrilha de Mero. Ao cair, o Bastardo do Titã torceu-se e atacou, enviando a ponta da espada diretamente contra o peito do velho. Barba-Branca afastou sua lâmina quase com desprezo e atingiu violentamente a têmpora do grandalhão com a outra ponta do bastão. Mero estatelou-se, com sangue a borbulhar de sua boca enquanto as ondas o submergiam. Um momento mais tarde os libertos também o submergiram, com facas, pedras e punhos furiosos subindo e descendo num frenesi.

Dany afastou o olhar, nauseada. Sentia-se mais assustada agora do que enquanto os acontecimentos decorriam. Ele podia ter me matado.

– Vossa Graça – Arstan ajoelhou. – Sou um velho, e estou envergonhado. Ele nunca devia ter se aproximado o suficiente para agarrá-la. Fui negligente. Não o reconheci sem a barba e os cabelos.

– Assim como eu. – Dany respirou fundo para parar de tremer. Inimigos por todo lado. – Leve-me de volta à minha tenda. Por favor.

Quando Mormont chegou, estava enrolada em sua pele de leão, bebendo uma taça de vinho com especiarias.

– Examinei a muralha do rio – Sor Jorah começou a dizer. – É alguns centímetros mais alta do que as outras, e igualmente forte. E os meereeneses têm uma dúzia de barcos de fogo amarrados sob os baluartes...

Ela interrompeu-o.

– Podia ter me avisado de que o Bastardo do Titã tinha escapado.

Ele franziu a testa.

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