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Bran forçou-se a olhar em volta. A manhã estava fria mas luminosa, com o sol a brilhar num céu de um azul duro, mas os ruídos não lhe agradavam. O vento causava um assobio nervoso ao estremecer por entre as torres quebradas, os baluartes gemiam e aquietavam-se e ouviam-se ratazanas arrastando-se sob o chão do grande salão. Os filhos do Cozinheiro Ratazana fugindo do pai. Os pátios eram pequenas florestas onde árvores esguias esfregavam seus ramos nus uns nos outros e folhas mortas corriam como baratas por cima de manchas de neve antiga. Havia árvores crescendo onde os estábulos tinham estado, e um represeiro branco e retorcido assomava por um buraco escancarado no telhado em cúpula da cozinha. Até Verão se sentia desconfortável naquele local. Bran enfiou-se em sua pele, só por um instante, para sentir o cheiro do lugar. Também não gostou dele.

E não havia maneira de atravessar.

Bran tinha lhes dito que não haveria. Tinha dito e redito, mas Jojen Reed insistiu em ver com os próprios olhos. Dizia que tivera um sonho verde, e que seus sonhos verdes não mentiam. Também não abrem portões, pensou Bran.

O portão que Fortenoite defendia estava selado desde o dia em que os irmãos negros tinham carregado as mulas e os garranos e partido para Lago Profundo; a sua porta levadiça de ferro encontrava-se descida, as correntes que a içavam tinham sido levadas e o túnel fora preenchido com pedras e entulho, tudo congelado até se tornar tão impenetrável como a própria Muralha.

– Devíamos ter seguido Jon – disse Bran quando o viu. Pensava frequentemente no irmão bastardo, desde a noite em que Verão o vira se afastando na tempestade. – Devíamos ter procurado a estrada do rei e seguido para Castelo Negro.

– Não nos atrevemos, meu príncipe – disse Jojen. – Já lhe disse por quê.

– Mas há selvagens. Eles mataram um homem qualquer e também queriam matar o Jon. Jojen, eram uma centena.

– Foi o que você disse. Nós somos quatro. Ajudou seu irmão, se é que era realmente ele, mas isso quase lhe custou o Verão.

– Eu sei – disse Bran com um ar infeliz.

O lobo gigante tinha matado três deles, talvez mais, mas eram muitos. Depois de formarem um anel apertado em volta do homem alto sem orelhas, tinha tentado se esgueirar através da chuva, mas uma das flechas veio num relâmpago atrás dele e a súbita punhalada de dor expulsou Bran da pele do lobo e fez com que voltasse à sua. Depois que a tempestade finalmente passou, tinham se aninhado no escuro, sem uma fogueira, falando em sussurros quando falavam, escutando a respiração pesada de Hodor e perguntando a si mesmos se os selvagens iriam tentar atravessar o lago de manhã. Bran tentara várias vezes alcançar Verão, mas a dor que encontrou afastou-o, da mesma forma que uma chaleira em brasa nos faz afastar a mão quando tentamos pegá-la. Só Hodor dormiu naquela noite, murmurando “Hodor, hodor”, enquanto se debatia e virava. Bran estava aterrorizado pela possibilidade de Verão estar morrendo na escuridão. Por favor, oh deuses antigos, rezou, levaram Winterfell, meu pai e minhas pernas, não levem também o Verão. E protejam também Jon Snow e façam com que os selvagens vão embora.

Não cresciam represeiros naquela ilha pedregosa no lago, mas de algum modo os deuses antigos devem tê-lo ouvido. Os selvagens levaram tempo até partirem na manhã seguinte, despindo os corpos de seus mortos e do velho que tinham matado, e até pescando alguns peixes do lago, e houve um momento assustador quando três deles encontraram o caminho elevado e começaram a avançar pela água... mas o caminho virou e eles não, e dois quase se afogaram antes de os outros os puxarem para terra. O homem alto e careca berrou para eles, com palavras que ecoaram sobre as águas numa língua qualquer que nem mesmo Jojen conhecia, e pouco depois pegaram escudos e lanças e marcharam para nordeste, a mesma direção que Jon seguira. Bran queria partir também, para ir à procura de Verão, mas os Reed disseram que não.

– Vamos ficar mais uma noite – Jojen disse –, colocar algumas léguas entre nós e os selvagens. Não quer voltar a encontrá-los, não é?

Mais tarde nessa noite, Verão voltou de onde quer que estivera escondido, arrastando a pata traseira. Tinha comido partes dos cadáveres na estalagem, afastando os corvos, e depois nadado até a ilha. Meera arrancou a flecha quebrada da pata dele e esfregou a ferida com a seiva de umas plantas que encontrara crescendo em volta da base da torre. O lobo gigante ainda mancava, mas parecia a Bran que o fazia um pouco menos a cada dia. Os deuses tinham escutado.

– Talvez devêssemos tentar outro castelo – disse Meera ao irmão. – Talvez consigamos atravessar o portão em algum outro lugar. Podia ir bater terreno, se você quisesse, seria mais rápida sozinha.

Bran sacudiu a cabeça.

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