– É duas vezes mais velho do que Castelo Negro – disse Bran, recordando. – Foi o primeiro castelo da Muralha, e também o maior. – Mas também foi o primeiro a ser abandonado, ainda no tempo do Velho Rei. Mesmo então, três quartos dele já se encontravam vazios, e era muito dispendioso mantê-lo. A Boa Rainha Alysanne sugeriu que a Patrulha o substituísse por um castelo menor e mais novo, num local a apenas onze quilômetros para leste, onde a Muralha se curvava ao longo da margem de um belo lago verde. Lago Profundo foi pago pelas joias da rainha e construído por homens que o Velho Rei enviou para o norte, e os irmãos negros entregaram Fortenoite às ratazanas.
Mas isso havia sido dois séculos antes. Agora, Lago Profundo estava tão vazio como o castelo que tinha substituído, e Fortenoite...
– Há fantasmas aqui – disse Bran. Hodor já tinha ouvido todas as histórias, mas Jojen talvez não. – Fantasmas
Passaram metade do dia esquadrinhando o castelo. Algumas das torres tinham desmoronado, e outras pareciam pouco seguras, mas subiram à torre sineira, onde não havia sinos, e à colônia dos corvos, onde não havia corvos. Sob a cervejaria, encontraram uma adega de enormes barris de carvalho que trovejavam ocamente quando Hodor batia neles com os nós dos dedos. Encontraram uma biblioteca onde as prateleiras e os escaninhos tinham desabado, não havia livros, mas era possível encontrar ratazanas por todo lado. Acharam uma masmorra úmida e fracamente iluminada, com celas suficientes para quinhentos cativos, mas quando Bran pegou numa das barras enferrujadas, ela partiu-se na sua mão. Só restava uma parede em ruínas no grande salão, a casa de banhos parecia estar se afundando no chão, e um enorme espinheiro conquistara o pátio de treinos em frente ao arsenal, onde irmãos negros um dia tinham trabalhado com lanças, escudos e espadas. No entanto, o arsenal e a forja ainda se mantinham em pé, embora as teias de aranha, as ratazanas e a poeira tivessem ocupado o lugar das lâminas, dos foles e da bigorna. Às vezes, Verão ouvia sons aos quais Bran parecia surdo, ou mostrava os dentes a coisa nenhuma, com o pelo do cangote eriçado... mas o Cozinheiro Ratazana não chegou a aparecer, e as setenta e nove sentinelas e o Machado Louco também não. Bran sentiu-se muito aliviado.
Quando Meera regressou, o sol era somente o fio de uma espada acima dos montes ocidentais.
– O que foi que viu? – perguntou-lhe o irmão Jojen.
– Vi a floresta assombrada – disse ela num tom pensativo. – Montes selvagens que se erguem até perder de vista, cobertos de árvores nunca tocadas por um machado. Vi a luz do sol cintilando num lago e nuvens que se aproximam vindas do oeste. Vi manchas de neve velha e pingentes do tamanho de lanças. Vi até uma águia pairando no céu. Acho que ela também me viu. Acenei para ela.
– Viu algum caminho para baixo? – perguntou Jojen.
Ela sacudiu a cabeça.
– Não. É uma queda livre, e o gelo é tão liso... eu talvez fosse capaz de descer se tivesse uma boa corda e um machado para abrir apoios para as mãos, mas...
– ... mas nós não – terminou Jojen.
– Não – concordou a irmã. – Tem certeza de que este é o lugar que viu no seu sonho? Talvez estejamos no castelo errado.
– Não. O castelo é este. Há um portão aqui.
Quando o sol começou a se pôr, as sombras das torres cresceram e o vento soprou com mais força, fazendo rajadas de folhas secas e mortas crepitar nos pátios. As sombras que se reuniam lembraram a Bran outra das histórias da Velha Ama, a história do Rei da Noite. Tinha sido o décimo terceiro homem a liderar a Patrulha da Noite, dizia ela; um guerreiro que não conhecia o medo.