– Talvez Mindinho tenha obtido sucesso onde você e Varys falharam. Lorde Bolton casará a garota com o seu filho bastardo. Permitiremos que o Forte do Pavor lute contra os homens de ferro durante alguns anos e veremos se consegue levar os outros vassalos dos Stark a se ajoelhar. Ao chegar a primavera, todos eles deverão estar no fim de suas forças e prontos para dobrar o joelho. O Norte passará para o seu filho e de Sansa Stark... se alguma vez arranjar suficiente virilidade para gerar um. Não se esqueça de que não é só Joffrey quem tem de pôr fim a uma virgindade.
– E quando acha que Sansa estará mais fértil? – perguntou Tyrion ao pai num tom que pingava ácido. – Antes ou depois de eu lhe contar como assassinamos sua mãe e seu irmão?
DAVOS
Por um momento, pareceu que o rei não tinha ouvido. Stannis não mostrou qualquer prazer com a notícia, nem ira, nem incredulidade, nem mesmo alívio. Encarou a sua Mesa Pintada com os dentes cerrados com força.
– Tem certeza? – perguntou.
– Não estou vendo o corpo, não, Vossa Realdade – disse Salladhor Saan. – Mas na cidade, os leões pavoneiam-se e dançam. O povo está chamando de
– Foi a ira do Senhor que o matou – declarou Sor Axell Florent. – Isso tem a mão de R’hllor!
–
– Será que a mão de R’hllor é manchada e entrevada? – perguntou Stannis. – Isso parece mais obra de Walder Frey do que de qualquer deus.
– R’hllor escolhe os instrumentos de que necessita. – O rubi na garganta de Melisandre brilhava, rubro. – Seus caminhos são misteriosos, mas nenhum homem pode resistir à sua vontade ardente.
–
– Fique calada, mulher. Não está numa fogueira noturna agora. – Stannis examinou a Mesa Pintada. – O lobo não deixa herdeiros, a lula gigante deixa muitos. Os leões vão devorá-los, a menos que... Saan, vou precisar de seus navios mais rápidos para levar enviados às Ilhas de Ferro e a Porto Branco. Oferecerei indultos. – O modo como cerrou os dentes mostrou o pouco que gostava da palavra. – Indultos totais, para todos aqueles que se arrependerem da traição e jurarem lealdade ao seu legítimo rei. Têm de compreender...
– Não compreenderão. – A voz de Melisandre era suave. – Lamento, Vossa Graça. Isso não é um fim. Mais falsos reis irão se erguer em breve para tomar a coroa daqueles que morreram.
– Mais? – Stannis parecia com vontade de esganá-la. – Mais usurpadores?
– Vi nas chamas.
A Rainha Selyse aproximou-se do rei.
– O Senhor da Luz enviou Melisandre para guiá-lo até a glória. Dê ouvidos a ela, suplico. As chamas sagradas de R’hllor não mentem.
– Há mentiras e mentiras, mulher. Mesmo quando essas chamas falam a verdade, estão cheias de truques, parece-me.
– Uma formiga que escute as palavras de um rei pode não compreender o que ele está dizendo – disse Melisandre – e todos os homens são formigas perante o rosto ardente de deus. Se às vezes confundi um aviso com uma profecia ou uma profecia com um aviso, a falha cabe ao leitor, não ao livro. Mas sei isso com certeza: enviados e indultos não lhe serão agora mais úteis do que sanguessugas. Tem de mostrar ao reino um sinal. Um sinal que prove o seu poder!
–
– Senhor esposo – disse a Rainha Selyse –, tem mais homens do que Aegon tinha há trezentos anos. Tudo que lhe falta são dragões.
O olhar que Stannis lhe dirigiu era sombrio.
– Nove magos cruzaram o mar para chocar os ovos de Aegon Terceiro. Baelor, o Abençoado, rezou sobre o seu durante meio ano. Aegon, o Quarto, construiu dragões de madeira e ferro. Aerion Chamaviva bebeu fogovivo para se transformar. Os magos falharam, as preces do Rei Baelor não obtiveram resposta, os dragões de madeira queimaram, e o Príncipe Aerion morreu aos gritos.
A Rainha Selyse mostrou-se inflexível.