– Sim, agora me lembro – disse Cersei – Robert disse
– E o que
– E por que haveria de gostar? Robert ignorava-o. Teria
– Aparentemente, havia coisas que precisavam ser ditas. – Lorde Tywin acenou-lhe com dois dedos, uma brusca despedida. – Saia.
E ela saiu, fervendo.
– Não é Robert Segundo – disse Tyrion. – É Aerys Terceiro.
– O rapaz tem treze anos. Ainda há tempo. – Lorde Tywin dirigiu-se à janela. Não era característico dele, estava mais perturbado do que queria mostrar. – Precisa de uma boa lição.
Tyrion tinha recebido a sua boa lição aos treze anos. Quase sentiu pena do sobrinho. Por outro lado, ninguém a merecia mais do que ele.
– Basta de falar de Joffrey – disse. – As guerras são ganhas com penas e corvos, não foi o que disse? Tenho de lhe dar os parabéns. Há quanto tempo andava conspirando isso com Walder Frey?
– Essa palavra desagrada-me – disse Lorde Tywin rigidamente.
– E a mim desagrada ser deixado no escuro.
– Não havia motivo para lhe contar. Não tinha participação nenhuma no assunto.
– Cersei foi informada? – quis saber Tyrion.
– Ninguém foi informado, exceto aqueles que tinham um papel a desempenhar. E esses só foram informados daquilo que precisavam saber. Devia saber que não há outra maneira de manter um segredo... especialmente aqui. Meu objetivo era livrar-nos de um inimigo perigoso da forma menos dispendiosa possível, não satisfazer a sua curiosidade ou fazer com que a sua irmã se sentisse importante. – Fechou as venezianas, franzindo a testa. – Você tem certa astúcia, Tyrion, mas a verdade é que
– Devia ter deixado que Joffrey a arrancasse – sugeriu Tyrion.
– Faria bem em não me tentar – disse Lorde Tywin. – Não quero mais conversas sobre isso. Tenho refletido sobre como melhor apaziguar Oberyn Martell e sua comitiva.
– Oh? E é alguma coisa que sou autorizado a saber, ou será que devo deixá-lo sozinho para que possa discutir o assunto consigo?
O pai ignorou o gracejo.
– A presença do Príncipe Oberyn na cidade é um infortúnio. O irmão é um homem cauteloso, um homem
– É verdade que tentou mobilizar Dorne em favor de Viserys?
– Ninguém fala disso, mas sim. Voaram corvos e galoparam mensageiros, com mensagens secretas que eu nunca soube o que diziam. Jon Arryn velejou até Lançassolar para devolver os ossos do Príncipe Lewyn, sentou-se com o Príncipe Doran e pôs fim a todo o falatório sobre guerra. Mas, depois disso, Robert nunca foi a Dorne, e o Príncipe Oberyn raramente saiu de lá.
– Bem, agora está aqui, com metade da nobreza de Dorne atrás, e fica mais impaciente a cada dia – disse Tyrion. – Talvez eu devesse mostrar-lhe os bordéis de Porto Real, isso talvez o distraia. Uma ferramenta para cada tarefa, não é assim que as coisas são? A minha ferramenta é sua, pai. Que nunca se diga que a Casa Lannister fez soar as trombetas e eu não respondi.
A boca de Lorde Tywin comprimiu-se.
– Muito divertido. Deverei mandar fazer um traje quadriculado para você, e um chapeuzinho cheio de guizos?
– Se o usar, terei licença para dizer tudo que quiser a respeito de Sua Graça, o Rei Joffrey?
Lorde Tywin voltou a se sentar e disse:
– Fui obrigado a aguentar as loucuras de meu pai. Não aguentarei as suas. Basta.
– Muito bem, já que o pede de um modo tão simpático. Temo que o Víbora Vermelha
– Mais um motivo para não dá-la.
–
– Animais menores. – Os dedos de Lorde Tywin entrelaçaram-se sob o seu queixo. – Sor Gregor serviu-nos bem. Nenhum outro cavaleiro no reino inspira tanto terror em nossos inimigos.
– Oberyn
– Ele não sabe nada. Ouviu histórias. Mexericos de estábulo e calúnias de cozinha. Não tem nem uma migalha de provas. Sor Gregor certamente não estará disposto a lhe fazer uma confissão. Pretendo mantê-lo bem afastado enquanto os dorneses estiverem em Porto Real.
– E quando Oberyn exigir a justiça que veio obter?
– Direi que foi Sor Amory Lorch quem matou Elia e os filhos – disse calmamente Lorde Tywin. – E você também, se ele perguntar.
– Sor Amory Lorch está morto – disse Tyrion numa voz sem expressão.