Читаем A Tormenta de Espadas полностью

Gregor Clegane. Parecia que o pai pretendia minar a Montanha até a última pepita de minério antes de entregá-la à justiça de Dorne. Os Bravos Companheiros acabariam como cabeças montadas em espigões, e Mindinho entraria de passeio em Harrenhal, sem uma única mancha de sangue naquelas suas belas roupas. Perguntou a si mesmo se Petyr Baelish já teria chegado ao Vale. Se os deuses forem bons, enfrentou com uma tempestade no mar e afundou-se. Mas quando os deuses tinham sido razoavelmente bons?

– Deviam ser todos passados na espada – declarou de repente Joffrey. – Os Mallister, os Blackwood e os Bracken... todos. São traidores. Quero-os mortos, avô. Não quero nenhum termo generoso. – O rei virou-se para o Grande Meistre Pycelle. – E também quero a cabeça de Robb Stark. Escreva ao Lorde Frey e diga-lhe. O rei ordena. Vou servi-la a Sansa em meu banquete de casamento.

– Senhor – disse Sor Kevan numa voz chocada –, a senhora é agora sua tia pelo casamento.

– Uma brincadeira. – Cersei sorriu. – Joff não falava a sério.

– Falava, sim – insistiu Joffrey. – Ele era um traidor, e quero a sua estúpida cabeça. Vou obrigar Sansa a beijá-la.

Não. – A voz de Tyrion estava enrouquecida. – Sansa já não é sua para atormentar. Veja se percebe isso, monstro.

Joffrey deu um sorriso zombeteiro.

– O monstro é você, tio.

– Ah, sou? – Tyrion inclinou a cabeça. – Então talvez devesse falar comigo mais de mansinho. Os monstros são animais perigosos, e agora os reis parecem andar morrendo como moscas.

– Podia cortar sua língua por dizer isso – disse o jovem rei, corando. – Sou o rei.

Cersei apoiou uma mão protetora no ombro do filho.

– Deixe o anão fazer todas as ameaças que quiser, Joff. Quero que o senhor meu pai e o meu tio vejam aquilo que ele é.

Lorde Tywin ignorou aquilo; foi a Joffrey que se dirigiu.

– Aerys também achava que tinha de lembrar aos homens que era o rei. E também era muito amigo de arrancar línguas. Pode interrogar Sor Ilyn Payne a esse respeito, embora não vá obter resposta.

– Sor Ilyn nunca se atreveu a provocar Aerys como o seu Duende provoca Joff – disse Cersei. – Ouviu Tyrion. “Monstro”, disse ele. À Graça Real. E ameaçou-o...

– Fique calada, Cersei. Joffrey, quando os seus inimigos o desafiarem, tem de lhes servir aço e fogo. Mas quando se ajoelham, tem de ajudá-los a se levantar. De outro modo, nunca ninguém dobrará o joelho. E qualquer homem que tenha de dizer “sou o rei” não é rei de verdade. Aerys nunca compreendeu isso, mas você compreenderá. Depois de ganhar a sua guerra, restauraremos a paz régia e a justiça real. Em vez de cabeças, preocupe-se é com o cabaço de Margaery Tyrell.

Joffrey ostentava aquela sua expressão carrancuda e amuada. Cersei tinha-o firmemente preso pelo ombro, mas talvez devesse tê-lo agarrado pela garganta. O rapaz surpreendeu a todos. Em vez de fugir e de ir se enfiar debaixo de uma pedra, Joff ergueu-se com um ar desafiador e disse:

– Fala de Aerys, avô, mas tinha medo dele.

Ora essa, e não é que isso ficou interessante?, pensou Tyrion.

Lorde Tywin estudou o neto em silêncio, com salpicos de ouro brilhando em seus olhos verde-claros.

– Joffrey, peça perdão ao seu avô – disse Cersei.

Ele libertou-se das mãos dela.

– Por que devo pedir perdão? Todo mundo sabe que é verdade. O meu pai ganhou todas as batalhas. Matou o Príncipe Rhaegar e capturou a coroa, enquanto o seu pai estava escondido por baixo de Rochedo Casterly. – O rapaz dirigiu ao avô um olhar de desafio. – Um rei forte age com ousadia, não se limita a conversar.

– Obrigado por essas palavras de sabedoria, Vossa Graça – disse Lorde Tywin, com uma cortesia tão fria que era capaz de fazer cair suas orelhas, congeladas. – Sor Kevan, vejo que o rei está cansado. Por favor, acompanhe-o em segurança de volta ao seu quarto. Pycelle, talvez uma poção suave para ajudar Sua Graça a ter um sono descansado?

– Vinho dos sonhos, senhor?

– Não quero vinho dos sonhos nenhum – insistiu Joffrey.

Lorde Tywin teria dado mais ouvidos a um rato guinchando no canto.

– Vinho dos sonhos servirá. Cersei, Tyrion, fiquem.

Sor Kevan pegou firmemente no braço de Joffrey e levou-o porta afora, atrás da qual dois homens da Guarda Real esperavam. O Grande Meistre Pycelle apressou-se a segui-los o mais depressa que as suas velhas pernas trêmulas conseguiam levá-lo. Tyrion ficou onde estava.

– Pai, lamento – disse Cersei quando a porta foi fechada. – Joff sempre foi teimoso, eu preveni...

– Há léguas e léguas de diferença entre teimoso e burro. “Um rei forte age com ousadia?” Quem lhe disse isso?

– Eu não, garanto – disse Cersei. – O mais provável é que tenha sido algo que ouviu Robert dizer...

– A parte sobre você se esconder por baixo do Rochedo Casterly realmente soa a Robert. – Tyrion não queria que Lorde Tywin se esquecesse dessa parte da conversa.

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