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Arya virou as costas para ele e precipitou-se para o portão. A porta levadiça estava descendo, mas lentamente. Tenho que correr mais depressa. Mas a lama retardou-a, e depois a água. Corra, rápida como um lobo. A ponte levadiça tinha começado a subir, com a água escorrendo dela em cascata e a lama caindo em pesados grumos. Mais depressa. Ouviu um forte esparramar de água e, quando olhou para trás, viu Estranho trovejando em sua perseguição, fazendo voar nuvens de água a cada passo. E viu também o machado, ainda molhado de sangue e miolos. E Arya correu. Agora já não pelo irmão, nem mesmo pela mãe, mas por si mesma. Correu mais depressa do que jamais correra, de cabeça baixa e com os pés fazendo o rio espumar, fugiu dele como Mycah devia ter fugido.

E o machado atingiu-a na nuca.



TYRION

Jantaram sozinhos, como faziam tantas vezes.

– As ervilhas estão cozidas demais – arriscou sua esposa a certa altura.

– Não importa – disse. – O carneiro também está.

Era uma brincadeira, mas Sansa entendeu como crítica.

– Lamento, senhor.

– Por quê? Quem deve lamentar é um cozinheiro qualquer. Você não. As ervilhas não são de sua jurisdição, Sansa.

– Eu... eu lamento que o senhor meu esposo esteja descontente.

– Qualquer descontentamento que eu possa estar sentindo nada tem a ver com ervilhas. Tenho Joffrey e minha irmã para me descontentar, e também o senhor meu pai, e trezentos malditos dorneses. – Tinha instalado o Príncipe Oberyn e seus senhores numa torre de canto, com vista para a cidade, tão longe dos Tyrell quanto era possível sem expulsá-los por inteiro da Fortaleza Vermelha. Não era nem de perto suficientemente longe. Já tinha ocorrido um distúrbio numa casa de pasto da Baixada das Pulgas que deixou um homem de armas Tyrell morto e dois dos homens de Lorde Gargalen escaldados, e um feio confronto no pátio quando a encarquilhada e minúscula mãe de Mace Tyrell chamara Ellaria Sand de “a prostituta da serpente”. Sempre que acontecia de encontrar Oberyn Martell, o príncipe perguntava quando seria feita justiça. Ervilhas cozidas demais eram o último dos problemas de Tyrion, mas não via utilidade em sobrecarregar a sua jovem esposa com eles. Sansa tinha mágoas bastantes sem precisar das suas. – As ervilhas estão boas o suficiente – disse-lhe com concisão. – São verdes e redondas, o que mais podemos esperar de ervilhas? Veja, vou repetir o prato, se agradar à senhora. – Chamou, e Podrick Payne despejou tantas ervilhas em seu prato que já não conseguia ver o carneiro. Isso foi burrice, disse a si mesmo. Agora tenho que comer tudo, caso contrário ela vai começar a lamentar de novo.

O jantar terminou num silêncio tenso, como acontecia com tantos de seus jantares. Depois, enquanto Pod recolhia as taças e bandejas, Sansa pediu a Tyrion licença para visitar o bosque sagrado.

– Como quiser. – Habituara-se às devoções noturnas da esposa. Ela também rezava no septo real e frequentemente acendia velas à Mãe, à Donzela e à Velha. Tyrion achava toda aquela piedade excessiva, a bem da verdade, mas se estivesse no lugar dela, talvez também quisesse a ajuda dos deuses. – Confesso pouco saber dos deuses antigos – disse, tentando ser agradável. – Talvez algum dia possa me esclarecer. Até poderia acompanhá-la.

– Não – disse Sansa de imediato. – É... é gentil em sugerir isso, mas... não há devoções, senhor. Não há sacerdotes, canções ou velas. Só árvores e preces silenciosas. Iria aborrecê-lo.

– Tem certamente razão. – Ela conhece-me melhor do que eu pensava. – Se bem que o som do restolhar de folhas poderia ser mais agradável do que um septão qualquer cantarolando a respeito dos sete aspectos da graça. – Tyrion mandou-a embora com um gesto. – Não me intrometerei. Proteja-se bem, senhora, o vento lá fora é fresco. – Sentiu-se tentado a perguntar o que ela pedia ao rezar, mas Sansa era tão obediente que podia realmente lhe contar, e ele suspeitava de que não gostaria de saber.

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