Saltou ao ouvir o estrondo do metal, quando Clegane afastou o primeiro machado. Enquanto lutava com o primeiro homem, o segundo deu a volta por trás dele e desferiu um golpe contra a parte baixa de suas costas. Estranho girava, e Cão de Caça foi atingido por não mais que um golpe de raspão, o bastante para fazer um grande rasgão em sua blusa larga de camponês e expor a cota de malha que tinha por baixo.
Então viu o terceiro cavaleiro vindo em sua direção. Arya pôs-se atrás da carroça.
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Quando ele avançou, Arya atirou a pedra, da mesma maneira que atirara uma maçã apodrecida em Gendry. Tinha acertado em Gendry bem no meio da testa, mas agora falhou a pontaria, e a pedra rolou, de lado, na têmpora do homem. Foi o suficiente para interromper a arremetida, mas apenas isso. Arya fugiu, correndo nas pontas dos pés pelo terreno lamacento, pondo a carroça de novo entre ambos. O cavaleiro seguiu-a a trote, só trevas por trás da fenda para os olhos. Nem sequer amassara seu elmo. Giraram uma, duas vezes, uma terceira. O cavaleiro amaldiçoou-a.
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A cabeça do machado acertou em cheio na nuca dele, rasgando-lhe o elmo e o crânio, por baixo, e fazendo-o voar da sela e aterrissar de cara no chão. Atrás dele encontrava-se Cão de Caça, ainda montado no Estranho.
– Vá buscar o meu elmo – rosnou-lhe Clegane.
O elmo estava enfiado no fundo de uma saca de maçãs secas, na parte de trás da carroça, escondida atrás dos pés de porco em salmoura. Arya virou a saca e jogou o elmo para Cão de Caça. Ele apanhou-o no ar com uma só mão e enfiou-o na cabeça, e no local onde estivera o homem havia apenas um cão de aço, rosnando para os incêndios.
– Meu irmão...
– Morto – ele gritou em resposta. – Acha que massacrariam os homens dele e o deixariam vivo? – Voltou a cabeça para o acampamento. – Olhe.
O acampamento transformara-se num campo de batalha.
– Venha comigo. – Sandor Clegane estendeu uma mão para baixo. – Temos que sair daqui, e já. – Estranho sacudiu impacientemente a cabeça, com as ventas se abrindo ao sentir o cheiro de sangue. A canção tinha terminado. Restava apenas um tambor solitário, cujos sons lentos e monótonos ecoavam por sobre o rio como o bater de um coração monstruoso. O céu negro chorava, o rio resmungava, homens praguejavam e morriam. Arya tinha lama nos dentes e o rosto estava molhado.
– Estamos
– Cadelinha estúpida. – Os incêndios refletiam-se no focinho de seu elmo e faziam os dentes de aço brilhar. – Se entrar ali, não volta a sair. O Frey talvez a deixe beijar o cadáver de sua mãe.
– Talvez possamos
– Você talvez possa. Eu não estou cansado de viver ainda. – Avançou em sua direção, empurrando-a contra a carroça. – Fique ou parta, loba. Sobreviva ou morra. A escolha...