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Catelyn agarrou uma mão-cheia dos longos cabelos grisalhos de Guizo Frey e arrastou-o para fora de seu esconderijo.
– Lorde Walder! – gritou. –
Lorde Walder olhou-a com desconfiança.
– Só um tolo acreditaria nessa bobagem. Toma-me por um tolo, senhora?
– Tomo-o por um pai. Fique comigo como refém, e com Edmure também, caso não o tenha matado. Mas deixe Robb ir.
– Não. – A voz de Robb era tênue como um suspiro. – Mãe, não...
– Sim. Robb, levante-se. Levante-se e saia, por favor,
– Jeyne? – Robb agarrou a borda da mesa e forçou-se a ficar em pé. – Mãe – disse –, o Vento Cinzento...
– Vá até ele. Já. Robb,
Lorde Walder resfolegou.
– E por que é que eu permitiria que ele fizesse isso?
Ela encostou a lâmina com mais força na garganta de Guizo. O retardado rolou os olhos para ela num apelo mudo. Um forte fedor assaltou seu nariz, mas não prestou mais atenção nele do que no soturno e incessante retumbar daquele tambor,
– Por minha honra como Tully – disse a Lorde Walder –, por minha honra como Stark, trocarei a vida do seu rapaz pela de Robb. Um filho por um filho. – Sua mão tremia tanto que estava fazendo a cabeça de Guizo tilintar.
– Um filho por um filho,
Um homem com uma armadura escura e um manto rosa-claro manchado de sangue aproximou-se de Robb.
– Jaime Lannister manda cumprimentos. – Ele espetou a espada no coração do filho de Catelyn e girou.
Robb tinha faltado à palavra, mas Catelyn manteve a sua. Puxou com força os cabelos de Aegon e serrou seu pescoço até a faca começar a raspar em osso. Correu sangue sobre os seus dedos. Os pequenos guizos tilintavam, tilintavam, tilintavam, e o tambor retumbava,
Por fim, alguém tirou a faca dela. As lágrimas ardiam como vinagre ao correrem por seu rosto. Dez corvos ferozes devastavam seu rosto com garras afiadas, rasgando fitas de carne, deixando profundos sulcos que escorriam, vermelhos de sangue. Sentia o sabor nos lábios.
– Louca – disse alguém –, perdeu o juízo.
– E outra pessoa disse:
– Dê um fim nela – e uma mão agarrou seus cabelos tal como ela fizera com Guizo, e Catelyn pensou,
ARYA
As tendas para banquetes estavam agora atrás deles. Chapinharam por sobre barro molhado e mato arrancado, para longe da luz e de volta às sombras. Em frente erguia-se a guarita do castelo. Arya via tochas em movimento nas muralhas, com as chamas a dançar, sopradas pelo vento. A luz brilhava, baça, sobre cota de malha e elmos molhados. Mais tochas moviam-se pela ponte escura de pedra que unia as Gêmeas, uma coluna de tochas que corria da margem ocidental para a oriental.