Читаем A Tormenta de Espadas полностью

Mas subia fumaça pela chaminé do arsenal; só um fiapo, quase invisível contra o céu cinzento do Norte. Era o bastante. Jon desmontou e mancou para lá. Jorrava calor da porta aberta como se fosse o hálito quente do verão. Lá dentro, Donal Noye manejava só com um braço os seus foles junto ao fogo. Ergueu o olhar ao ouvir barulho.

– Jon Snow?

– Ele mesmo. – Apesar da febre, da exaustão, da perna, do Magnar, do velho, de Ygritte, de Mance, apesar de tudo, Jon sorriu. Era bom estar de volta, era bom ver Noye com a sua grande barriga e a manga arregaçada, com o queixo eriçado de curtos pelos negros.

O ferreiro largou os foles.

– A sua cara...

Quase tinha se esquecido do rosto.

– Um troca-peles tentou arrancar meu olho.

Noye franziu a testa.

– Marcada ou não, é uma cara que eu pensava que não voltaria a ver. Ouvimos dizer que tinha passado para o lado de Mance Rayder.

Jon agarrou-se à porta para se manter em pé.

– Quem lhe disse isso?

– Jarman Buckwell. Ele voltou há uma quinzena. Seus batedores dizem que viram você com os próprios olhos, acompanhando a coluna dos selvagens com um manto de pele de ovelha sobre os ombros. – Noye observou-o. – Vejo que a última parte é verdade.

– É tudo verdade – confessou Jon. – Até aí, pelo menos.

– Nesse caso, devia pegar uma espada para estripá-lo?

– Não. Estava agindo sob ordens. A última ordem de Qhorin Meia-Mão. Noye, onde está a guarnição?

– Defendendo a Muralha contra os seus amigos selvagens.

– Sim, mas onde?

– Por todo lado. Harma Cabeça de Cão foi vista em Atalaiabosque da Lagoa, Camisa de Chocalho no Monte Longo, Chorão perto de Marcagelo. Ao longo de toda a Muralha... estão aqui, estão ali, estão escalando perto do Portão da Rainha, estão atacando os portões de Guardagris, estão se reunindo para atacar Atalaialeste... mas um vislumbre de um manto negro e desaparecem. No dia seguinte, estão em outro lugar qualquer.

Jon engoliu um gemido.

– Simulações. Mance quer que fiquemos bem espalhados, não vê? – E Bowen Marsh fez sua vontade. – O portão está aqui. O ataque será aqui.

Noye atravessou a sala.

– Sua perna está ensopada de sangue.

Jon olhou para baixo, entorpecido. Era verdade. A ferida tinha voltado a abrir.

– Um ferimento de flecha...

– Uma flecha de selvagem. – Não era uma pergunta. Noye só tinha um braço, mas o que tinha era grosso e musculoso. Enfiou-o sob o de Jon para ajudar a apoiá-lo. – Está branco como leite, e fervendo. Vou levá-lo a Aemon.

– Não há tempo para isso. Há selvagens ao sul da Muralha, subindo de Coroadarrainha para abrir o portão.

– Quantos? – Noye quase carregou Jon porta fora.

– Cento e vinte, e bem armados para selvagens. Armaduras de bronze, alguns pedaços de aço. Quantos homens restam aqui?

– Quarenta e poucos – disse Donal Noye. – Os aleijados e os enfermos, e alguns rapazes verdes ainda em treinamento.

– Se Marsh partiu, quem foi que o nomeou como castelão?

O armeiro soltou uma gargalhada.

– Sor Wynton, que os deuses o protejam. O último cavaleiro no castelo, e tudo mais. O problema é que o Stout parece ter se esquecido e ninguém se apressou em lembrá-lo disso. Suponho que sou o melhor que temos agora como comandante. O mais feroz dos aleijados.

Pelo menos isso era bom. O armeiro maneta era obstinado, duro e bem experimentado na guerra. Sor Wynton Stout, por outro lado... bem, ele tinha sido um bom homem outrora, todos concordavam, mas passara oitenta anos como patrulheiro e tanto suas forças como seu juízo tinham sumido. Uma vez adormeceu durante o jantar e quase se afogou numa tigela de sopa de ervilhas.

– Onde está o seu lobo? – perguntou Noye enquanto atravessavam o pátio.

– Fantasma. Tive de abandoná-lo quando escalei a Muralha. Tinha esperança de que ele tivesse conseguido chegar aqui.

– Lamento, jovem. Não houve sinal dele. – Coxearam até a porta do meistre, no longo edifício de madeira sob a colônia de corvos. O armeiro deu um chute nela. – Clydas!

Após um momento, um homenzinho, de ombros curvados e vestido de negro pôs a cabeça para fora. Seus pequenos olhos cor-de-rosa esbugalharam-se ao ver Jon.

– Deite o moço, vou buscar o meistre.

Ardia um fogo na lareira, e a sala estava quase abafada. O calor deixou Jon sonolento. Assim que Noye o deitou de costas, fechou os olhos para fazer com que o mundo parasse de girar. Ouvia os corvos crocitando e protestando, na colônia, por cima de sua cabeça. “Snow”, uma ave estava dizendo. “Snow, snow, snow.” Jon lembrou-se de que aquilo havia sido obra de Sam. Perguntou a si mesmo se Samwell Tarly teria retornado em segurança, ou se tinham sido apenas as aves dele.

Meistre Aemon não demorou a chegar. Deslocava-se lentamente, com uma mão manchada apoiada no braço de Clydas, enquanto avançava com pequenos passos cautelosos. Em volta de seu pescoço fino, a corrente caía pesadamente, com os elos de ouro e prata cintilando entre ferro, chumbo, estanho e outros metais menos nobres.

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