– Nunca bati na sua irmã – disse Cão de Caça. – Mas bato em você, se me levar a isso. Pare de tentar pensar em maneiras de me matar. Nenhuma servirá de nada para você.
Ela não tinha resposta para aquela ameaça. Continuou roendo a salsicha e fitou-o friamente.
– Ao menos você olha para a minha cara. Isso admito, pequena loba. Gosta dela?
– Não. Está toda queimada e é feia.
Clegane ofereceu-lhe um pedaço de queijo com a ponta do punhal.
– É uma tolinha. De que adiantaria se
– Não acabaria
– Não conheceu o meu irmão. Gregor uma vez matou um homem por roncar. Um de seus próprios homens. – Quando sorriu, o lado queimado do rosto retesou-se, torcendo sua boca de uma maneira estranha e desagradável. Ele não tinha lábios desse lado, e a orelha não passava de um resto.
– Conheci o seu irmão, sim senhor. – A Montanha talvez fosse pior, agora que Arya pensava nisso. – Conheci tanto ele qunato Dunsen, Polliver, Raff, o Querido, e Cócegas.
Cão de Caça pareceu surpreso.
– E como é que a preciosa filhinha de Ned Stark chegou a conhecer gente como essa? Gregor nunca traz suas ratazanas de estimação à corte.
– Conheço-os da aldeia. – Comeu o queijo, e estendeu a mão para um naco de pão duro. – A aldeia junto ao lago onde capturaram Gendry, eu e Torta Quente. Também capturaram Lommy Mãos-Verdes, mas Raff, o Querido, matou-o porque tinha a perna ferida.
A boca de Clegane torceu-se.
– Capturou-a? Meu irmão
Não era a primeira vez que ele falava em matar a Montanha.
– Mas ele é seu irmão – disse Arya, num tom hesitante.
– Nunca teve um irmão que quisesse matar? – voltou a rir. – Ou talvez uma irmã? – então deve ter visto qualquer coisa em seu rosto, porque se debruçou para mais perto. – Sansa. É isso, não é? A loba quer matar o passarinho.
– Não – cuspiu-lhe Arya em resposta. – Quero matar você.
– Por que cortei ao meio o seu amiguinho? Matei muitos mais do que ele, garanto. Acha que isso faz de mim um monstro qualquer. Bem, talvez faça, mas também salvei a vida de sua irmã. No dia em que a multidão a derrubou de cima do cavalo, abri caminho pelo meio deles com a espada e trouxe-a de volta ao castelo. Caso contrário, teriam dado a ela o mesmo que deram à Lollys Stokeworth. E cantou para mim. Não sabia disso, não é? Sua irmã cantou para mim uma cançãozinha doce.
– Está mentindo – disse ela de imediato.
– Não sabe nem metade do que pensa que sabe. A
O escárnio na voz dele fez com que ela hesitasse.
– De volta a Porto Real – disse. – Vai me levar a Joffrey e à rainha. – De repente, só pelo modo como ele colocava as questões, compreendeu que se enganava. Mas tinha de dizer
– Lobinha estúpida e cega. – A voz dele era áspera e dura como um raspar de ferro. – Que se dane o Joffrey, que se dane a rainha, e que se dane aquela gargulazinha retorcida que ela chama de irmão. Estou farto da cidade deles, farto da sua Guarda Real, farto de Lannisters. O que faz um cão com leões, pergunto a você. – Estendeu a mão para o odre de água e bebeu um longo gole. Enquanto limpava a boca, ofereceu o odre a Arya e disse: – O rio era o Tridente, garota. O
– Ele nunca o aceitará – cuspiu ela em resposta. –