Читаем A Tormenta de Espadas полностью

– Todos acreditam – disse Jon. – Ygritte disse que abriram uma centena de tumbas... tumbas de reis e heróis, ao longo de todo o vale do Guadeleite, mas não chegaram...

– Quem é Ygritte? – perguntou Donal Noye sem rodeios.

– Uma mulher do povo livre. – Como poderia explicar Ygritte para eles? Ela é quente, esperta e engraçada, e tanto pode beijar um homem como rasgar seu pescoço. – Ela está com Styr, mas não é... é jovem, só uma garota, na verdade, selvagem, mas ela... – Ela matou um velho por fazer uma fogueira. Sentiu a língua inchada e desajeitada. O leite de papoula estava anuviando seus pensamentos. – Quebrei os meus votos com ela. Não queria, mas... – Foi errado. Foi errado amá-la, foi errado deixá-la... – Não fui suficientemente forte. O Meia-Mão ordenou-me, cavalgue com eles, observe, não posso vacilar, eu... – Sentia a cabeça como se estivesse recheada de lã molhada.

Meistre Aemon voltou a cheirar o ferimento de Jon. Então pôs o pano ensanguentado na bacia novamente e disse:

– Donal, a faca quente, por favor. Vou precisar que o mantenha imóvel.

Não gritarei, disse Jon a si mesmo quando viu a lâmina brilhando, rubra. Mas também quebrou esse voto. Donal Noye segurou-o enquanto Clydas ajudava a guiar a mão do meistre. Jon não se mexeu, salvo para esmurrar a mesa, uma vez e outra mais. A dor foi tão enormemente violenta que se sentiu pequeno, fraco e impotente dentro dela, uma criança choramingando no escuro. Ygritte, pensou, quando o fedor da carne queimada subiu ao seu nariz e o som de seu próprio berro ecoou nos ouvidos. Ygritte, tive de fazer isso. Durante meio segundo, a agonia começou a diminuir. Mas então o ferro voltou a tocá-lo e ele desmaiou.

Quando suas pálpebras se abriram, estremecendo, estava envolto em lãs espessas e flutuava. Parecia não ser capaz de se mover, mas não importava. Durante algum tempo, sonhou que Ygritte se encontrava ao seu lado, cuidando dele com mãos suaves. Por fim, fechou os olhos e adormeceu.

A segunda vez que acordou não foi tão branda. O quarto estava escuro, mas sob as mantas a dor tinha voltado, um latejar na perna que se transformava em uma faca quente ao menor movimento. Jon ficou sabendo disso da pior maneira possível, quando tentou ver se ainda tinha a perna. Arquejando, engoliu um grito e voltou a fechar o punho.

– Jon? – uma vela surgiu, e um rosto de que se recordava bem estava olhando-o, com orelhas grandes e tudo. – Não devia se mexer.

– Pyp? – Jon estendeu a mão para cima, e o outro rapaz apertou-a. – Pensava que você tinha ido...

– ... com a Velha Romã? Não, ele acha que eu sou muito pequeno e verde. Grenn também está aqui.

– Também estou aqui. – Grenn aproximou-se do outro lado da cama. – Acabei dormindo.

Jon tinha a garganta seca.

– Água – arquejou. Grenn trouxe-a e levou-a aos lábios de Jon. – Eu vi o Punho – disse depois de beber um longo trago. – O sangue, e os cavalos mortos... Noye disse que uma dúzia de homens conseguiu voltar... quem?

– Dywen conseguiu. Gigante, Edd Doloroso, Doce Donnel Hill, Ulmer, Lew Mão Esquerda, Garth Pena-Cinza. Mais quatro ou cinco. Eu.

– Sam?

Grenn afastou o olhar.

– Ele matou um dos Outros, Jon. Eu vi. Apunhalou-o com aquela faca de vidro de dragão que você fez para ele, e começamos a chamá-lo de Sam, o Matador. Ele detestava.

Sam, o Matador. Jon dificilmente conseguiria imaginar um guerreiro menos provável para receber tal nome do que Sam Tarly.

– O que aconteceu com ele?

– Nós o abandonamos. – Grenn soava infeliz. – Sacudi-o e gritei com ele, até dei um tabefe na cara dele. Gigante tentou puxá-lo para colocá-lo em pé, mas ele era pesado demais. Lembra-se de como ele costumava se enrolar no chão durante o treino e ficar ali choramingando? Na Fortaleza de Craster nem sequer choramingava. Adaga e Ollo estavam desfazendo as paredes à procura de comida, Garth e o outro Garth lutavam, alguns estupravam as mulheres de Craster. Edd Doloroso achou que o grupo do Adaga fosse matar todos os homens leais para evitar que contassem o que eles tinham feito, e eram dois para cada um de nós. Abandonamos Sam com o Velho Urso. Ele não queria se mexer, Jon.

Era seu irmão, quase disse. Como pôde abandoná-lo no meio de selvagens e assassinos?

– Ele pode ainda estar vivo – disse Pyp. – Pode pregar uma surpresa em todos nós e chegar aqui amanhã, a cavalo.

– Com a cabeça de Mance Rayder, sim. – Jon via que Grenn estava tentando parecer alegre. – Sam, o Matador!

Jon tentou se sentar novamente. Foi um erro tão grande como da primeira vez. Gritou, xingando.

– Grenn, vá acordar Meistre Aemon – disse Pyp. – Diga que o Jon precisa de mais leite de papoula.

Sim, pensou Jon.

– Não – disse. – O Magnar...

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