– Ele passava agora metade do tempo dormindo na sela, confiando que o garanhão seguisse o caminho rural sulcado ou a trilha de caça em que se encontrassem. O cavalo era um corcel pesado, quase tão grande quanto um cavalo de batalha, mas muito mais rápido. Cão de Caça chamava-o de
Seguiram pela margem do rio durante horas, passando por dois afluentes lamacentos antes de chegarem ao lugar que Sandor Clegane mencionara.
– A Vila de Lorde Harroway – disse, e depois, quando a viu: –
Mas Arya viu que saía fumaça da torre, e um barco largo de fundo achatado encontrava-se bem amarrado por baixo de uma janela em arco. O barco tinha uma dúzia de toletes e um par de grandes esculturas de cabeça de cavalo, montadas na proa e na popa.
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Os homens no barco conferenciaram um com o outro. Um deles, um homem grisalho com braços fortes e costas arqueadas, aproximou-se da amurada.
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Os barqueiros estavam de novo conversando. Por fim, o das costas arqueadas virou-se e soltou um grito. Surgiram mais seis homens, puxando capuzes por sobre a cabeça para se protegerem da chuva. Outros ainda torceram-se para fora da janela da torre e saltaram para o convés. Metade deles era suficientemente parecida com o homem corcunda para ser de sua família. Alguns desataram as correntes e pegaram em longas varas, enquanto outros encaixaram pesados remos de lâmina larga nos toletes. O barco girou e começou a se aproximar lentamente dos baixios, com os remos batendo regularmente na água de ambos os lados. Sandor Clegane desceu a colina para ir ao seu encontro.
Quando a parte de trás do barco colidiu com a encosta da colina, os barqueiros abriram uma porta larga que havia por baixo da cabeça esculpida do cavalo, e estenderam uma pesada prancha de carvalho. Estranho refugou à beira da água, mas Cão de Caça enterrou os calcanhares no flanco do corcel e incitou-o a subir na prancha. O homem corcunda esperava-os no convés.
– Está úmido o suficiente para você, sor? – perguntou, sorrindo.
A boca de Cão de Caça torceu-se.
– Preciso de seu barco, não das suas gracinhas. – Desmontou e puxou Arya para baixo. Um dos barqueiros estendeu a mão para o freio do Estranho. – Eu não faria isso – disse Clegane, no momento em que o cavalo escoiceava. O homem saltou para trás, escorregou no convés tornado traiçoeiro pela chuva, e estatelou-se sobre o traseiro, xingando.
O barqueiro com as costas arqueadas já não estava sorrindo.
– Podemos levá-lo para o outro lado – disse ele num tom irritado. – Irá custar uma peça de ouro para você. Outra pelo cavalo. Uma terceira pelo rapaz.
– Três dragões? – Clegane latiu uma gargalhada. – Por três dragões devia me tornar dono da porcaria do barco.
– No ano passado, talvez se tornasse. Mas com este rio, vou precisar de mãos extras nas varas e nos remos só para tratar de não sermos arrastados cento e cinquenta quilômetros até o mar. As suas opções são essas. Três dragões, ou então ensinar esse seu cavalo infernal a caminhar sobre a água.
– Gosto de um bandoleiro honesto. Que seja como pretende. Três dragões... quando nos deixar a salvo na margem norte.
– Quero-os agora, senão não vamos. – O homem esticou uma mão grossa e cheia de calos, com a palma para cima.
Clegane sacudiu a espada para que a lâmina se soltasse dentro da bainha.
– Aqui tem as s