Читаем A Tormenta de Espadas полностью

– Ele passava agora metade do tempo dormindo na sela, confiando que o garanhão seguisse o caminho rural sulcado ou a trilha de caça em que se encontrassem. O cavalo era um corcel pesado, quase tão grande quanto um cavalo de batalha, mas muito mais rápido. Cão de Caça chamava-o de Estranho. Arya tentou roubá-lo uma vez, no momento em que Clegane urinava contra uma árvore, pensando que talvez conseguisse se afastar antes de ele alcançá-la. Estranho quase lhe arrancara o rosto com os dentes. Com o dono, era gentil como um velho castrado, mas com outras pessoas tinha um temperamento tão negro quanto o pelo. Nunca vira um cavalo tão rápido em morder ou escoicear.

Seguiram pela margem do rio durante horas, passando por dois afluentes lamacentos antes de chegarem ao lugar que Sandor Clegane mencionara.

– A Vila de Lorde Harroway – disse, e depois, quando a viu: – Sete infernos! – a vila estava submersa e desolada. As águas da enchente tinham transbordado as margens do rio. Tudo que restava da vila de Harroway era o andar superior de uma estalagem de taipa, a cúpula de sete lados de um septo afundado, dois terços de uma torre redonda de pedra, alguns telhados de sapê bolorentos e uma floresta de chaminés.

Mas Arya viu que saía fumaça da torre, e um barco largo de fundo achatado encontrava-se bem amarrado por baixo de uma janela em arco. O barco tinha uma dúzia de toletes e um par de grandes esculturas de cabeça de cavalo, montadas na proa e na popa. O cavalo de duas cabeças, compreendeu. Havia uma casa de madeira com telhado de turfa bem no meio do convés, e quando Cão de Caça pôs as mãos em volta da boca e gritou, dois homens correram para fora. Um terceiro surgiu na janela da torre, trazendo uma besta engatilhada.

O que quer? – gritou por sobre as turbulentas águas marrons.

Leve-nos para o outro lado – gritou o Cão de Caça em resposta.

Os homens no barco conferenciaram um com o outro. Um deles, um homem grisalho com braços fortes e costas arqueadas, aproximou-se da amurada.

Vai custar dinheiro.

Então pagarei.

Com o quê?, perguntou Arya a si mesma. Os fora da lei tinham levado o ouro de Clegane, mas talvez Lorde Beric lhe tivesse deixado um pouco de prata e cobre. Uma travessia de barco não devia custar mais do que alguns cobres...

Os barqueiros estavam de novo conversando. Por fim, o das costas arqueadas virou-se e soltou um grito. Surgiram mais seis homens, puxando capuzes por sobre a cabeça para se protegerem da chuva. Outros ainda torceram-se para fora da janela da torre e saltaram para o convés. Metade deles era suficientemente parecida com o homem corcunda para ser de sua família. Alguns desataram as correntes e pegaram em longas varas, enquanto outros encaixaram pesados remos de lâmina larga nos toletes. O barco girou e começou a se aproximar lentamente dos baixios, com os remos batendo regularmente na água de ambos os lados. Sandor Clegane desceu a colina para ir ao seu encontro.

Quando a parte de trás do barco colidiu com a encosta da colina, os barqueiros abriram uma porta larga que havia por baixo da cabeça esculpida do cavalo, e estenderam uma pesada prancha de carvalho. Estranho refugou à beira da água, mas Cão de Caça enterrou os calcanhares no flanco do corcel e incitou-o a subir na prancha. O homem corcunda esperava-os no convés.

– Está úmido o suficiente para você, sor? – perguntou, sorrindo.

A boca de Cão de Caça torceu-se.

– Preciso de seu barco, não das suas gracinhas. – Desmontou e puxou Arya para baixo. Um dos barqueiros estendeu a mão para o freio do Estranho. – Eu não faria isso – disse Clegane, no momento em que o cavalo escoiceava. O homem saltou para trás, escorregou no convés tornado traiçoeiro pela chuva, e estatelou-se sobre o traseiro, xingando.

O barqueiro com as costas arqueadas já não estava sorrindo.

– Podemos levá-lo para o outro lado – disse ele num tom irritado. – Irá custar uma peça de ouro para você. Outra pelo cavalo. Uma terceira pelo rapaz.

– Três dragões? – Clegane latiu uma gargalhada. – Por três dragões devia me tornar dono da porcaria do barco.

– No ano passado, talvez se tornasse. Mas com este rio, vou precisar de mãos extras nas varas e nos remos só para tratar de não sermos arrastados cento e cinquenta quilômetros até o mar. As suas opções são essas. Três dragões, ou então ensinar esse seu cavalo infernal a caminhar sobre a água.

– Gosto de um bandoleiro honesto. Que seja como pretende. Três dragões... quando nos deixar a salvo na margem norte.

– Quero-os agora, senão não vamos. – O homem esticou uma mão grossa e cheia de calos, com a palma para cima.

Clegane sacudiu a espada para que a lâmina se soltasse dentro da bainha.

– Aqui tem as suas opções. Ouro na margem norte, ou aço na margem sul.

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