Читаем A Tormenta de Espadas полностью

Sam bebeu o ar, e rolou debilmente para longe. A criatura ardia, com geada escorrendo, pingando, de sua barba enquanto a pele, por baixo, enegrecia. Sam ouviu o corvo guinchar, mas Paul não soltou um som. Quando a boca se abriu, só saíram chamas. E os seus olhos... Desapareceu, o brilho azul desapareceu.

Arrastou-se para a porta. O ar estava tão frio que respirar doía, mas era uma dor tão boa e doce. Abaixou-se para sair do salão.

– Goiva? – chamou. – Goiva, matei-o. Gil...

Ela estava em pé, encostada ao represeiro, com o menino nos braços. As criaturas rodeavam-na. Eram uma dúzia, uma vintena, mais... algumas tinham sido selvagens um dia, e ainda usavam peles... mas as que tinham sido irmãos de Sam eram mais numerosas. Viu Lark, o homem das Irmãs, Pé-Leve, Ryles. O quisto no pescoço de Chett estava negro e as pústulas estavam cobertas por uma fina película de gelo. E aquele parecia-se com Hake, embora fosse difícil ter certeza com metade da cabeça faltando. Tinham despedaçado o pobre garrano, e estavam arrancando suas entranhas com mãos que pingavam vermelho. Vapor esbranquiçado subia da barriga dele.

Sam soltou um gemido.

– Não é justo...

Justo.” O corvo pousou em seu ombro. “Justo, justo, justo.” Bateu as asas e acompanhou o grito de Goiva. As criaturas estavam quase em cima dela. Sam ouviu as folhas vermelho-escuras do represeiro restolhar, sussurrando umas para as outras numa língua que não conhecia. A própria luz das estrelas parecia se agitar, e por toda a volta as árvores gemiam e estalavam. Sam Tarly ficou da cor do leite coalhado, e seus olhos esbugalharam-se. Corvos! Estavam no represeiro, às centenas, aos milhares, empoleirados em galhos brancos como ossos, espreitando através das folhas. Viu seus bicos abrirem quando gritaram, viu-os abrirem suas asas negras. Guinchando, batendo as asas, caíram sobre as criaturas em nuvens furiosas. Um enxame deles rodeou o rosto de Chett e lançou-lhe bicadas nos olhos azuis, cobriram o homem das Irmãs como moscas, arrancaram pedaços de carne crua de dentro da cabeça desfeita de Hake. Havia tantos que, quando Sam olhou para cima, não conseguiu ver a lua.

”, disse a ave que se empoleirava em seu ombro. “Vá, vá, vá.”

Sam correu, com nuvens de geada explodindo de sua boca. A toda a volta, as criaturas brandiam os braços contra as asas negras e os bicos certeiros que as atacavam, caindo num silêncio arrepiante sem soltar um grunhido ou um grito. Mas os corvos ignoravam Sam. Pegou na mão de Goiva e puxou-a para longe do represeiro.

– Temos de ir.

– Mas para onde? – Goiva seguiu-o correndo, trazendo o bebê. – Eles mataram o cavalo, como vamos...

Irmão! – o grito atravessou a noite, atravessando os guinchos de um milhar de corvos. Sob as árvores, um homem, envolto da cabeça aos pés numa confusão de negros e cinza, montava um alce. – Aqui – gritou o cavaleiro. Um capuz engolia seu rosto.

Ele veste negro. Sam empurrou Goiva na direção do homem. O alce era enorme, um alce gigante, com três metros de altura no cachaço, e com um par de chifres que tinham quase outros tantos metros de largura. O animal caiu de joelhos para permitir que montassem.

– Aqui – disse o cavaleiro, estendendo uma mão enluvada para puxar Goiva para trás de si. Então foi a vez de Sam.

– Muito obrigado – bufou. Só quando agarrou a mão oferecida percebeu que o cavaleiro não usava luvas. A mão era negra e fria, com dedos duros como pedra.



ARYA

Quando atingiram o topo da cumeeira e viram o rio, Sandor Clegane puxou as rédeas com força e praguejou.

A chuva caía de um céu negro de ferro, espicaçando a torrente verde e marrom com dez mil espadas. Deve ter um quilômetro e meio de largura, pensou Arya. As copas de meia centena de árvores projetavam-se das águas rodopiantes, com ramos que tentavam se agarrar ao céu como os braços de homens arrastados pela corrente. Espessos tapetes de folhas encharcadas entupiam a margem, e mais para dentro do canal vislumbrou algo claro e inchado, um veado ou talvez um cavalo morto, deslocando-se rapidamente para jusante. E também se ouvia um som, um rumor surdo no limite da audição, como o ruído que um cão solta logo antes de rosnar.

Arya contorceu-se na sela e sentiu os elos da cota de malha do Cão de Caça enterrando-se em suas costas. Os braços dele rodeavam-na; no esquerdo, o queimado, tinha colocado um braçal de aço para protegê-lo, mas vira-o trocando as ataduras e o braço por baixo continuava em carne viva e cheio de pus. Mas se as queimaduras doíam, Sandor Clegane não demonstrava.

– Isto é a Torrente da Água Negra? – tinham cavalgado tanto pela chuva e na escuridão, através de bosques sem trilhas e aldeias sem nome, que Arya perdera qualquer noção de onde se encontravam.

– É um rio que temos de atravessar, isso é tudo que você precisa saber.

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