Читаем A Tormenta de Espadas полностью

Clegane respondia-lhe de vez em quando, mas prevenira-a para não retrucar. Tinha lhe dado um monte de avisos naquele primeiro dia.

– Da próxima vez que me bater, amarro suas mãos atrás das costas – disse. – Da próxima vez que tentar fugir, amarro seus pés um ao outro. Chore, grite ou volte a me morder, e amordaço você. Podemos seguir montados um atrás do outro, ou posso atirá-la na garupa do cavalo, amarrada como uma porca a caminho da matança. Quem escolhe é você.

Ela escolhera ir montada, mas da primeira vez que acamparam tinha esperado até julgar que ele dormia e arranjado uma grande pedra irregular para lhe esmagar a cabeça. Silenciosa como uma sombra, disse a si mesma enquanto se aproximava dele, pé ante pé, mas o silêncio não fora suficiente. No fim das contas, Cão de Caça não estava dormindo. Ou talvez tivesse acordado. Fosse como fosse, seus olhos se abriram, sua boca torceu-se e ele tirou a pedra de Arya como se ela fosse um bebê. A única coisa que conseguiu fazer foi chutá-lo.

– Dessa vez passa – disse ele quando atirou a pedra para o meio dos arbustos. – Mas se for suficientemente burra para voltar a tentar, vou machucá-la.

– Por que é que não me mata, como fez com o Mycah? – tinha gritado Arya.

A essa altura, ainda estava desafiadora, mais zangada do que assustada.

Ele respondeu agarrando a parte da frente da túnica dela e puxando-a até que encostasse em seu rosto queimado.

– Da próxima vez que disser esse nome, dou-lhe uma sova tão grande que vai desejar que tivesse matado você.

Depois disso, enrolava-a na manta do cavalo todas as noites quando ia dormir e atava cordas em volta da parte de cima e da parte de baixo do corpo dela, deixando-a tão apertada quanto um bebê enfaixado.

Tem de ser a Água Negra, decidiu Arya enquanto observava a chuva açoitando o rio. Cão de Caça era o cão de Joffrey; estava levando-a de volta para a Fortaleza Vermelha, para entregá-la a Joffrey e à rainha. Desejou que o sol surgisse para poder ver em que direção seguiam. Quanto mais olhava para o musgo nas árvores, mais confusa ficava. A Água Negra não era tão larga em Porto Real, mas isso foi antes das chuvas.

– Os vaus vão estar todos impossíveis – disse Sandor Clegane –, e também não me agrada tentar atravessar a nado.

Não há maneira de atravessar, pensou ela. Lorde Beric vai nos alcançar com certeza. Clegane forçara bastante o seu grande garanhão negro, voltando três vezes para trás, a fim de despistar os perseguidores, chegando até a avançar ao longo de quase um quilômetro pelo leito de um riacho em cheia... mas Arya ainda esperava ver os fora da lei sempre que olhava para trás. Tinha tentado ajudá-los arranhando o nome nos troncos de árvores quando ia para o meio dos arbustos tirar a água do joelho, mas na quarta vez Cão de Caça a flagrou e pôs fim à tentativa. Não importa, tinha dito Arya a si mesma, Thoros vai me encontrar em suas chamas. Só que isso não tinha acontecido. Ainda não, pelo menos, e depois de atravessarem o rio...

– A vila de Harroway não deve estar longe – disse Cão de Caça. – Onde o Lorde Roote abriga o cavalo de água de duas cabeças do Velho Rei Andahar. Talvez atravessemos nele.

Arya nunca ouvira falar do Velho Rei Andahar. Também nunca vira um cavalo com duas cabeças, particularmente um que fosse capaz de correr sobre água, mas sabia que não era boa ideia fazer perguntas. Controlou a língua e ficou rígida sobre a sela enquanto Cão de Caça virava a cabeça do garanhão e trotava ao longo da cumeeira, seguindo o rio para jusante. Pelo menos, naquela direção a chuva batia nas costas. Já estava farta de ter a chuva picando os olhos, deixando-a quase cega, e correndo pelo seu rosto como se fossem lágrimas. Os lobos nunca choram, voltou a lembrar a si mesma.

Não podia passar muito do meio-dia, mas o céu estava escuro como no anoitecer. Arya já tinha perdido a conta dos dias em que não viam o sol. Estava ensopada até os ossos, esfolada pela sela, tinha o nariz entupido e sentia-se dolorida. Também tinha febre, e às vezes tremia descontroladamente, mas quando disse ao Cão de Caça que estava doente, ele limitou-se a rosnar para ela e mandar que ela limpasse o nariz e fechasse a boca.

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