Читаем A Tormenta de Espadas полностью

Não tinha grande certeza era quanto poderiam ter se desviado para leste ou oeste. Sim, chegariam à Muralha... dentro de um dia ou de uma quinzena, decerto não poderia estar mais longe do que isso, decerto que não... mas onde? Aquilo que tinham de encontrar era o portão em Castelo Negro; a única passagem através da Muralha ao longo de uma centena de léguas.

– A Muralha é tão grande como Craster dizia? – perguntou Goiva.

– Maior. – Sam tentou parecer alegre. – É tão grande que nem sequer se conseguem ver os castelos que estão escondidos por detrás. Mas eles estão lá, você vai ver. A Muralha é toda feita de gelo, mas os castelos são de pedra e madeira. Há torres altas e porões profundos e um salão enorme com um grande fogo ardendo na lareira, de noite e de dia. Faz tanto calor lá dentro, Goiva, que nem vai acreditar.

– Poderei ficar junto do fogo? Eu e o garoto? Não por muito tempo, só até ficarmos bem quentinhos?

– Poderá ficar junto do fogo todo o tempo que quiser. Vai ter também o que comer e beber. Vinho aquecido com açúcar, canela e outras coisas e uma tigela de guisado de veado com cebolas, e o pão do Hobb, recém-saído do forno, tão quente que queimará seus dedos. – Sam descalçou uma luva para agitar os dele perto das chamas, e rapidamente se arrependeu. Tinham estado dormentes por causa do frio, mas quando as sensibilidade voltou, doeram tanto que quase gritou. – Às vezes um dos irmãos canta – disse, para afastar a mente da dor. – Daeron era quem cantava melhor, mas mandaram-no para Atalaialeste. Mas ainda temos o Halder. E o Sapo. O nome verdadeiro dele é Todder, mas parece um sapo, e o chamamos assim. Ele gosta de cantar, mas tem uma voz horrível.

– Você canta? – Goiva mudou a posição de suas peles, e passou o bebê de um seio para o outro.

Sam corou.

– Eu... eu conheço algumas canções. Quando era pequeno, gostava de cantar. E também dançava, mas o senhor meu pai nunca gostou que fizesse isso. Ele dizia que se eu queria dar voltas, devia fazer isso no pátio, com uma espada na mão.

– Pode cantar uma canção do sul? Para o bebê?

– Se quiser. – Sam pensou por um momento. – Há uma canção que o nosso septão costumava cantar para mim e para as minhas irmãs, quando éramos pequenos e era hora de irmos para a cama. Chama-se “A canção dos sete”. – Limpou a garganta e cantou em voz baixa:

A face do Pai é severa e forte,

entre o bem e o mal determina um corte.

Pesa a vida, do nascimento à morte,

e adora os seus filhinhos.

A Mãe concede a dádiva da vida,

pras esposas é apoio e guarida.

Um sorriso e pra tudo há saída,

e ela ama os seus filhinhos.

O Guerreiro enfrenta o inimigo,

e é sempre para todos um abrigo.

Com espada e lança e com arco e espigo,

protege os seus filhinhos.

A Velha é tão sabedora e antiga,

que de todos o destino investiga.

Uma candeia de ouro ergue e liga,

orienta os seus filhinhos.

O Ferreiro trabalha noite e dia,

pra devolver ao mundo a harmonia.

Com martelo, arado, fogo e mestria,

constrói para os filhinhos.

A Donzela anda pelo céu a dançar,

vive quando um amante suspirar.

Sorri e as aves aprendem a voar,

e dá sonhos aos filhinhos.

Os Sete Deuses que a todos criaram,

sempre ouviram aqueles que os chamaram.

Podem adormecer, não cairão,

eles vigiam-nos, filhinhos.

Só fechem os olhos, não cairão,

eles vigiam-nos, filhinhos.

Sam lembrou-se da última vez que tinha cantado a canção com a mãe, para embalar o bebê Dickon. O pai ouviu as vozes e arremeteu quarto adentro, furioso.

– Não quero voltar a ver isso – tinha dito Lorde Randyll à mulher num tom duro. – Estragou um rapaz com essas canções moles de septão, quer fazer o mesmo com este bebê? – depois olhou para Sam e disse: – Vá cantar com as suas irmãs, se tem mesmo de cantar. Não quero você perto de meu filho.

O bebê de Goiva tinha adormecido. Era uma coisinha tão minúscula e estava tão quieto que Sam temeu por ele. Nem sequer tinha nome. Interrogara Goiva a respeito disso, mas ela havia dito que dava azar dar nome a uma criança antes de ela fazer dois anos. Eram muitas as que morriam.

Voltou a aconchegar o mamilo dentro das peles.

– Isso foi bonito, Sam. Você canta bem.

– Devia ouvir o Dareon. Tem uma voz doce como hidromel.

– Bebemos o hidromel mais doce que já provei no dia em que Craster fez de mim uma esposa. Naquela época era verão, e não estava tão frio. – Goiva lançou-lhe um olhar de dúvida. – Só cantou sobre seis deuses? O Craster sempre nos disse que vocês, no sul, tinham sete.

– Sete – concordou ele –, mas ninguém canta sobre o Estranho. – O rosto do Estranho era o rosto da morte. Até falar dele deixava Sam desconfortável. – Devíamos comer qualquer coisa. Uma mordida ou duas.

Nada restava além de algumas morcelas, duras como madeira. Sam serrou algumas fatias finas para ambos. O esforço fez seu pulso doer, mas tinha fome suficiente para persistir. Se mastigasse as fatias o suficiente, elas amoleciam e tinham um sabor bom. As esposas de Craster condimentavam-nas com alho.

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