Читаем A Tormenta de Espadas полностью

– O seu papel é ficar a salvo. Nossa viagem através do Gargalo será perigosa, e nada nos espera no norte a não ser batalhas. Mas Lorde Mallister teve a bondade de se oferecer para mantê-la em segurança em Guardamar até a guerra acabar. Sei que lá estará confortável.

Será esta a minha punição por me opor a ele no assunto de Jon Snow? Ou por ser uma mulher e, pior, uma mãe? Precisou de um momento para perceber que todos a observavam. Eles já sabiam, compreendeu. Catelyn não devia ter se surpreendido. Não conquistara amigos ao libertar o Regicida, e mais de uma vez tinha ouvido Grande-Jon dizer que um campo de batalha não era lugar para mulheres.

A fúria deve ter relampejado em seu rosto, porque Galbart Glover interveio antes que dissesse uma palavra.

– Senhora, Sua Graça é sensato. É melhor que não venha conosco.

– Guardamar será iluminada por sua presença, Senhora Catelyn – disse Lorde Jason Mallister.

– Quer fazer de mim uma prisioneira – disse ela.

– Uma hóspede de honra – insistiu Lorde Jason.

Catelyn virou-se para o filho.

– Não pretendo ofender Lorde Jason – disse, rigidamente –, mas se não puder prosseguir com você, preferiria voltar a Correrrio.

– Deixei a minha esposa em Correrrio. Quero a minha mãe em outro lugar. Se você guardar todos os seus tesouros numa bolsa, só estará tornando a vida daqueles que querem assaltá-lo mais fácil. Após o casamento, irá para Guardamar, e esta é a minha ordem régia. – Robb levantou-se, e, com igual rapidez, seu destino ficou decidido. Pegou uma folha de pergaminho. – Mais uma coisa. Lorde Balon deixou o caos atrás de si, esperamos nós. Eu não farei o mesmo. Mas ainda não tenho um filho, meus irmãos Bran e Rickon estão mortos e minha irmã encontra-se casada com um Lannister. Refleti longa e duramente sobre quem poderá me suceder. Ordeno-lhes agora, como meus senhores legítimos e leais, que coloquem seus selos neste documento como testemunhas de minha decisão.

Deveras um rei, pensou Catelyn, derrotada. Só podia esperar que a armadilha que ele tinha planejado para Fosso Cailin funcionasse tão bem quanto aquela na qual acabara de prendê-la.



SAMWELL

Brancarbor, pensou Sam. Por favor, que isto seja Brancarbor. Lembrava-se de Brancarbor. Ficava nos mapas que tinha desenhado, rumo ao norte. Se aquela aldeia fosse Brancarbor, saberia onde se encontravam. Por favor, tem de ser. Desejava isso tanto que se esqueceu dos pés por um instante, esqueceu-se das dores nas panturrilhas e nos rins e dos dedos rígidos e tão gelados que quase não sentia. Até se esqueceu de Lorde Mormont e de Craster, das criaturas e dos Outros. Brancarbor, rezou Sam, a qualquer deus que pudesse estar ouvindo.

Mas todas as aldeias selvagens eram muito parecidas umas com as outras. Um enorme represeiro crescia no centro daquela... mas uma árvore branca não queria necessariamente dizer Brancarbor. O represeiro em Brancarbor não era maior do que aquele? Talvez estivesse se lembrando mal. O rosto esculpido no tronco branco como osso era longo e triste; lágrimas vermelhas de seiva seca escorriam de seus olhos. Era esse o seu aspecto quando viemos para o norte? Sam não conseguia se lembrar.

Em volta da árvore erguia-se um punhado de cabanas de um só cômodo, com telhado de turfa, um edifício comprido feito de troncos e coberto de musgo, um poço de pedra, um curral de ovelhas... mas sem ovelhas, e sem pessoas. Os selvagens tinham partido para se juntar a Mance Rayder nas Presas de Gelo, levando tudo que possuíam, exceto suas casas. Sam sentia-se grato por isso. A noite estava chegando, e seria bom dormir sob um teto, para variar. Estava tão cansado. Parecia que tinha passado metade da vida caminhando. Suas botas estavam se desfazendo, e todas as bolhas em seus pés tinham estourado e se transformado em calos, mas agora tinha bolhas novas debaixo dos calos e os dedos dos pés estavam ficando queimados pelo frio.

Mas era caminhar ou morrer, e Sam sabia disso. Goiva ainda estava fraca do parto e além disso transportava o bebê; precisava mais do cavalo do que ele. O segundo cavalo tinha morrido três dias depois de partirem da Fortaleza de Craster. Era um milagre que tivesse durado tanto, pobre animal meio esfomeado. O peso de Sam tinha provavelmente acabado com ele. Podiam ter tentado montar ambos no cavalo que sobrara, mas Sam temia que a mesma coisa pudesse voltar a acontecer. É melhor que eu caminhe.

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