– Por
– Sor Robar Royce e Sor Emmon Cuy, para dar dois exemplos. E os homens dizem que realizou prodigiosos feitos de valor na Água Negra, lutando ao lado do fantasma de Lorde Renly.
– Então os mesmos homens que viram os prodigiosos feitos viram também o fantasma, foi? – O dornês soltou uma leve gargalhada.
Tyrion olhou-o por um longo tempo.
– A casa de Chataya na Rua da Seda tem várias garotas que podem se adequar às suas necessidades. Dancy tem cabelos da cor do mel. Os de Marie são de um branco-louro muito claro. Aconselharia que você mantivesse uma ou outra permanentemente ao seu lado, senhor.
– Permanentemente? – o Príncipe Oberyn ergueu uma sobrancelha fina e negra. – E por que, meu bom Duende?
– Disse que deseja morrer com um seio na mão. – Tyrion avançou a meio galope para onde as balsas esperavam, na margem sul do Água Negra. Suportara tudo que pretendia suportar daquilo que passava por sagacidade em Dorne.
ARYA
O homem no telhado foi o primeiro a morrer. Estava agachado junto à chaminé, a duzentos metros de distância, não mais do que uma vaga sombra na escuridão que antecedia a alvorada, mas quando o céu começou a clarear, agitou-se, espreguiçou-se e ficou em pé. A flecha de Anguy acertou seu peito. Tombou sem força do íngreme degrau de ardósia e caiu diante da porta da septeria.
Os Saltimbancos tinham colocado ali dois guardas, mas o archote deixara-os cegos para a noite, e os fora da lei tinham se arrastado para perto. Kyle e Notch dispararam ao mesmo tempo. Um homem caiu com uma flecha espetada na garganta, o outro, com uma na barriga. O segundo homem deixou o archote cair e as chamas lamberam-no. Soltou um grito quando sua roupa pegou fogo, e isso foi o fim do avanço furtivo. Thoros gritou, e os fora da lei atacaram a sério.
Arya observou de cima do cavalo, no topo da cumeeira arborizada que se elevava diante da septeria, do moinho, da cervejaria, dos estábulos e da desolação de ervas daninhas, árvores queimadas e lama que os rodeavam. As árvores já estavam praticamente nuas, e as poucas folhas marrons e enrugadas que ainda se agarravam aos galhos pouco faziam para obstruir sua visão. Lorde Beric tinha colocado Dick Sem Barba e Mudge de guarda. Arya detestava ser deixada para trás como se fosse alguma
O horizonte a leste transformou-se num clarão de ouro e rosa, e por cima de sua cabeça uma meia-lua espreitou por detrás de nuvens baixas e rápidas. O vento soprava frio, e Arya ouvia o som de água corrente e o ranger da grande roda de madeira do moinho. Havia um cheiro de chuva no ar da alvorada, mas as gotas ainda não caíam. Flechas incendiárias levantaram voo através da névoa da manhã, seguidas por pálidas fitas de fogo, e foram se espetar com um ruído surdo nas paredes de madeira da septeria. Algumas penetraram através de janelas fechadas e, em pouco tempo, finos anéis de fogo começavam a subir através das venezianas perfuradas.
Dois Saltimbancos irromperam lado a lado da septeria, de machado nas mãos. Anguy e os outros arqueiros estavam à espera. Um dos homens morreu de imediato. O outro conseguiu se esquivar, e a flecha rasgou seu ombro. O homem avançou cambaleando, até que mais duas flechas o atingiram, tão depressa que era difícil dizer qual delas foi a primeira. As longas hastes perfuraram sua placa de peito como se fosse feita de seda em vez de aço. Caiu pesadamente. Anguy tinha flechas de ponta larga, mas também possuía outras, com furadores nas pontas. Estes eram capazes de perfurar até placa pesada.
Chamas escalavam a parede oeste da septeria, e uma fumaça espessa jorrava de uma janela quebrada. Um besteiro de Myr esticou a cabeça através de outra janela, disparou um dardo e se agachou de novo para recarregar a arma. Arya também ouvia sons de luta vindos dos estábulos, gritos misturados com os relinchos dos cavalos e o tinir do aço.