O besteiro voltou a aparecer, mas, assim que disparou, três flechas passaram silvando por sua cabeça. Uma chocalhou contra seu elmo. O homem desapareceu, com besta e tudo. Arya via chamas em várias das janelas do segundo andar. Entre a fumaça e a névoa matinal, o ar era uma neblina de preto e branco soprada pelo vento. Anguy e os outros arqueiros estavam se aproximando, a fim de melhor ver os alvos.
Então a septeria entrou em erupção, com os Saltimbancos saltando para o exterior como formigas irritadas. Dois ibbeneses correram pela porta, com escudos marrons e felpudos erguidos bem alto à frente, atrás deles veio um dothraki com um grande
A batalha não durou muito tempo. Os Bravos Companheiros que continuavam de pé rapidamente morreram ou jogaram fora as espadas. Dois dos dothraki conseguiram recuperar os cavalos e fugiram, mas só porque Lorde Beric os deixou ir.
– Que levem a notícia a Harrenhal – disse, com a espada em chamas na mão. – Dará ao Senhor Sanguessuga e ao seu bode mais algumas noites sem dormir.
Jack Sortudo, Harwin e Merrit de Vilalua enfrentaram a septeria incendiada em busca de cativos. Emergiram da fumaça e das chamas alguns momentos mais tarde, com oito irmãos pardos, um dos quais tão fraco que Merrit teve de transportá-lo no ombro. Havia também um septão com eles, de ombros curvados e perdendo os cabelos, mas trajando cota de malha negra sobre suas vestes cinzentas.
– Encontrei-o escondido debaixo dos degraus do porão – disse Jack, tossindo.
Thoros sorriu ao vê-lo.
– Você é Utt.
– O
– Que deus ia querer um homem como você? – rosnou Limo.
– Pequei – choramingou o septão. – Eu sei. Eu sei. Perdoe-me, Pai. Oh, como pequei gravemente.
Arya lembrava-se do Septão Utt dos tempos passados em Harrenhal. Shagwell, o Bobo, dizia que ele chorava e rezava sempre por perdão depois de matar o seu garoto mais recente. Às vezes até obrigava os outros Saltimbancos a flagelá-lo. Todos achavam aquilo muito divertido.
Lorde Beric enfiou a espada na bainha, abafando as chamas.
– Deem aos moribundos a dádiva da misericórdia e amarrem os pés e as mãos dos demais, para o julgamento – ordenou, e a ordem foi cumprida.
Os julgamentos foram rápidos. Vários dos fora da lei avançaram para contar coisas que os Bravos Companheiros tinham feito; vilas e aldeias saqueadas, colheitas incendiadas, mulheres violadas e assassinadas, homens mutilados e torturados. Alguns falaram dos rapazes que o Septão Utt tinha dado cabo. O septão chorou e rezou durante todo o julgamento.
– Sou um fraco caniço – disse ao Lorde Beric. – Rezo ao Guerreiro por força, mas os deuses fizeram-me fraco. Tenha misericórdia de minha fraqueza. Os rapazes, os doces rapazes... nunca pretendi lhes fazer mal...
O Septão Utt logo acabou pendurado pelo pescoço, sob um grande olmo, balançando lentamente, nu como no dia de seu nascimento. Os outros Bravos Companheiros seguiram-no, um por um. Alguns lutaram, esperneando e se contorcendo enquanto o laço era apertado em volta de sua garganta. Um dos besteiros não parava de gritar “Eu soldado, eu soldado”, com um denso sotaque de Myr. Outro ofereceu-se para levar seus captores a um local onde havia ouro; um terceiro explicou-lhes como daria um bom fora da lei. Todos foram despidos, atados e enforcados. Tom Sete-Cordas tocou uma canção fúnebre para eles em sua harpa, e Thoros implorou ao Senhor da Luz para assar suas almas até o fim dos tempos.