Читаем A Tormenta de Espadas полностью

– Por que precisaria de prostitutas? – olhou de relance para onde Ellaria Sand cavalgava entre as outras mulheres. – Cansou-se da sua amante no caminho?

– Nunca. Dividimos coisas demais. – O Príncipe Oberyn encolheu os ombros. – Mas nunca dividimos uma bela loura, e Ellaria está curiosa. Conhece alguma criatura assim?

– Sou um homem casado. – Embora de casamento ainda não consumado. – Já não me deito com prostitutas. – A menos que queira que sejam enforcadas.

Oberyn mudou abruptamente de assunto.

– Dizem que serão servidos setenta e sete pratos no banquete de casamento do rei.

– Tem fome, meu príncipe?

– Há muito tempo que tenho fome. Embora não de comida. Diga-me, por favor, quando será servida a justiça?

– Justiça. – Sim, é por isso que ele está aqui, devia ter compreendido isso de imediato. – Você era próximo de sua irmã?

– Quando crianças, Elia e eu éramos inseparáveis, assim como seu irmão e sua irmã.

Deuses, espero que não.

– Guerras e casamentos têm nos mantido bem ocupados, Príncipe Oberyn. Receio que ninguém ainda tenha tido tempo para dedicar a assassinatos cheirando a mofo após dezesseis anos, por mais terríveis que tenham sido. Faremos isso, naturalmente, assim que pudermos. Qualquer ajuda que Dorne possa oferecer para restaurar a paz do rei só iria acelerar o início do inquérito do senhor meu pai...

– Anão – disse a Víbora Vermelha, num tom que se tornara acentuadamente menos cordial –, poupe-me de suas mentiras de Lannister. Toma-nos por ovelhas ou por idiotas? Meu irmão não é um homem sedento de sangue, mas também não passou dezesseis anos dormindo. Jon Arryn veio a Lançassolar um ano depois de Robert subir ao trono, e pode ter certeza de que foi seriamente interrogado. Ele e mais uma centena de homens. Não vim para um espetáculo de saltimbanco em forma de inquérito. Vim em busca de justiça para Elia e seus filhos, e vou obtê-la. Começando por esse cretino do Gregor Clegane... mas não termina aí, creio eu. Antes de morrer, a Enormidade que Cavalga irá me dizer de onde vieram suas ordens, por favor garanta isso ao senhor seu pai. – Sorriu. – Um velho septão certa vez disse que eu era a prova viva da bondade dos deuses. Sabe por que, Duende?

– Não – admitiu Tyrion com cautela.

– Ora, se os deuses fossem cruéis, teriam feito de mim o primogênito de minha mãe, e de Doran seu terceiro filho. Eu sou um homem sedento de sangue, entende? E é comigo que tem de lidar agora, e não com meu paciente, prudente e artrítico irmão.

Tyrion via o sol brilhar na Torrente da Água Negra a cerca de um quilômetro de distância, e nas muralhas, torres e colinas de Porto Real depois do rio. Olhou de relance por sobre o ombro, para a coluna resplandecente que os seguia pela estrada do rei.

– Fala como quem está à frente de uma grande tropa – disse –, mas não encontro mais de trezentos homens. Vê aquela cidade ali, a norte do rio?

– A pilha de estrume que chama de Porto Real?

– Essa mesma.

– Não só a vejo, como creio que já consigo cheirá-la.

– Então cheire-a bem, senhor. Encha o nariz. Vai descobrir que meio milhão de pessoas fede mais do que trezentas. Cheira os homens de manto dourado? São quase cinco mil. As espadas juramentadas ao meu pai devem somar mais vinte mil. E depois há as rosas. As rosas cheiram tão bem, não é verdade? Especialmente quando há tantas. Cinquenta, sessenta, setenta mil rosas na cidade ou acampadas nos arredores, não sou realmente capaz de dizer quantas restam, mas, seja como for, há mais do que desejo contar.

Martell deu de ombros.

– Na Dorne de antigamente, antes de casarmos com Daeron, dizia-se que todas as flores se curvam perante o sol. Se as rosas tentarem obstruir meu caminho, de bom grado as pisarei.

– Tal como pisou Willas Tyrell?

O dornês não reagiu como era de se esperar.

– Recebi uma carta de Willas há menos de meio ano. Partilhamos o interesse em criação de cavalos de qualidade. Ele nunca nutriu nenhuma má vontade por mim por aquilo que aconteceu na liça. Eu atingi sua placa de peito de forma limpa, mas o pé dele ficou preso num estribo ao cair e o cavalo tombou por cima de seu corpo. Mandei um meistre até ele depois, mas só conseguiu salvar a perna do rapaz. O joelho estava longe de poder ser curado. Se há alguém a culpar, é o palerma do pai dele. Willas Tyrell estava tão verde quanto seu sobretudo e não devia andar em tais companhias. A Flor Gorda atirou-o para torneios numa idade tenra demais, assim como fez com os outros dois. Queria outro Leo Grande-Espinho, e arranjou um aleijado.

– Há quem diga que Sor Loras é melhor do que Leo Grande-Espinho jamais foi – disse Tyrion.

– A rosinha de Renly? Duvido.

– Duvide quanto quiser – disse Tyrion –, mas Sor Loras derrotou muitos bons cavaleiros, incluindo meu irmão Jaime.

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