Arya espremeu-se tão depressa para a frente de Barba-Verde que ele nem a viu.
– Você
Cão de Caça fitou-a sem sequer um lampejo de reconhecimento.
– E quem era esse Mycah, menino?
– Não sou um menino! Mas o Mycah era. Era filho de um açougueiro e você o
– Quem é essa agora? – perguntou alguém.
Cão de Caça respondeu.
–
– Não,
Harwin pegou o braço de Arya e puxou-a para trás enquanto Lorde Beric dizia:
– A garota chamou-o de assassino. Nega ter matado esse filho de açougueiro, Mycah?
O grandalhão encolheu os ombros.
– Eu era defensor juramentado de Joffrey. O filho do açougueiro atacou um príncipe de sangue.
– Isso é uma
– Viu o rapaz atacar o Príncipe Joffrey? – perguntou Lorde Beric Dondarrion ao Cão de Caça.
– Ouvi a história dos lábios reais. Não me cabe questionar príncipes. – Clegane sacudiu as mãos na direção de Arya. – A própria irmã desta contou a mesma história diante de seu precioso Robert.
– A Sansa é só uma mentirosa – disse Arya, de novo furiosa com a irmã. – Não foi como ela disse. Não
Thoros puxou Lorde Beric de lado. Os dois homens conversaram em murmúrios enquanto Arya fervia.
Beric Dondarrion virou-se de novo para Cão de Caça.
– Foi acusado de assassinato, mas ninguém aqui conhece a verdade ou a falsidade da acusação, portanto não cabe a nós julgá-lo. Agora só o Senhor da Luz pode fazer isso. Condeno-o a ser julgado por batalha.
Cão de Caça franziu a testa, desconfiado, como se não acreditasse em seus próprios ouvidos.
– Você é tolo ou é louco?
– Nem uma coisa nem outra. Sou um senhor justo. Prove a sua inocência com uma arma, e ficará livre para partir.
– Não – gritou Arya, antes de Harwin cobrir sua boca.
E foi o que ele fez, uma longa gargalhada áspera que ecoou nas paredes da caverna, uma gargalhada sufocada de desprezo.
– Então, quem vai ser? – olhou para o Limo Manto Limão. – O corajoso com o manto cor de mijo? Não? E que tal você, Caçador? Já chutou alguns cães, experimente comigo. – Viu Barba-Verde. – Você é suficientemente grande, Tyrosh, avance. Ou será que espera que seja a garotinha a lutar comigo? – Voltou a rir. – Venha, quem quer morrer?
– Serei eu quem você enfrentará – disse Lorde Beric Dondarrion.
Arya recordou todas as histórias.
– Vou precisar de espada e armadura. – Cão de Caça esfregou um pulso ferido.
– Terá a sua espada – declarou Lorde Beric –, mas a armadura terá de ser a sua inocência.
A boca de Clegane torceu-se.
– Minha inocência contra a sua placa de peito, é assim que funciona?
– Ned, ajude-me a tirar a placa de peito.
Arya ficou arrepiada quando Lorde Beric disse o nome do pai, mas este Ned era só um garoto, um escudeiro de cabelos claros que não teria mais de dez ou doze anos. Aproximou-se rapidamente para abrir as fivelas que prendiam o aço amassado em volta do senhor da Marcha. O almofadado por baixo estava podre de velhice e suor, e caiu quando o metal foi desprendido. Gendry prendeu a respiração.
– Mãe, misericórdia.
As costelas de Lorde Beric delineavam-se vivamente por baixo de sua pele. Uma cratera enrugada marcava seu peito imediatamente acima do mamilo esquerdo, e quando se virou para pedir uma espada e um escudo, Arya viu uma cicatriz condizente em suas costas.
Ned trouxe ao Lorde Beric o cinto da espada e um longo sobretudo negro. Destinava-se a ser usado sobre a armadura, e por isso envolvia seu corpo com folga, mas nele crepitava o relâmpago púrpura bifurcado da sua Casa. Desembainhou a espada e devolveu o cinto ao escudeiro.
Thoros trouxe ao Cão de Caça seu cinto da espada.