A cabeça de Mormont continuava no seu colo, mas os olhos estavam abertos e fixos e os lábios já não se moviam. O corvo inclinou a cabeça e crocitou, e depois olhou para cima, para Sam. “
– Não há grão. Ele não tem grão. – Sam fechou os olhos do Velho Urso e tentou pensar numa prece, mas tudo que lhe veio à cabeça foi: – Mãe, tenha piedade. Mãe, tenha piedade. Mãe, tenha piedade.
– Sua mãe não pode ajudar em nada – disse a velha da esquerda. – Esse velho morto também não. Pegue sua espada e leve aquele grande manto quente de peles dele e leve o cavalo dele se conseguir encontrá-lo. E vá embora.
– A garota não mente – disse a velha da direita. – Ela é minha filha, e arranquei a mentira dela na marra há um bom tempo. Disse que a ajudaria. Faça o que a Ferny diz, rapaz. Leva a garota e depressa.
“
– Para onde? – perguntou Sam, confuso. – Para onde devo levá-la?
– Para algum lugar quente – disseram as duas velhas em uníssono.
Goiva estava chorando.
– Eu e o bebê. Por favor. Serei sua mulher como fui de Craster. Por favor, sor corvo. Ele é um menino, exatamente como Nella disse que seria. Se não o levar,
– Eles? – disse Sam, e o corvo ergueu a cabeça negra e repetiu, num eco: “
– Os irmãos do garoto – disse a velha da esquerda. – Os filhos de Craster. O frio branco está se erguendo lá fora, corvo. Sinto nos meus ossos. Estes pobres ossos velhos não mentem. Eles estarão aqui em breve, os filhos.
ARYA
Seus olhos tinham se acostumado ao negrume. Quando Harwin puxou o capuz da cabeça dela, o clarão avermelhado dentro do monte oco fez Arya piscar como uma coruja estúpida.
Uma enorme cova para fogueiras tinha sido escavada no centro do chão de terra, e as chamas que ali ardiam subiam rodopiando e crepitando para o teto manchado de fumaça. As paredes eram de pedra e terra em partes iguais, com enormes raízes brancas que se retorciam por elas como se fossem um milhar de lentas serpentes pálidas. Enquanto observava, pessoas emergiram de entre essas raízes; saindo das sombras para lançar um olhar sobre os cativos, aparecendo nas aberturas de túneis negros como breu, saltando de fendas e frestas por todos os lados. Num ponto, do outro lado da fogueira, as raízes formavam uma espécie de escadaria que levava a um vão na terra onde um homem se encontrava sentado, quase perdido no emaranhado do represeiro.
Limo tirou o capuz de Gendry.
– Que lugar é este? – perguntou o Touro.
– É um lugar antigo, profundo e secreto. Um refúgio onde nem lobos nem leões vêm zanzar.
Embora a fogueira fosse grande, a gruta era maior; tornando difícil dizer onde começava e onde terminava. As aberturas de túneis podiam ter meio metro de profundidade ou prolongar-se por três quilômetros. Arya viu homens, mulheres e crianças, todos a observá-la cautelosamente.
Barba-Verde disse:
– Aqui está o feiticeiro, esquilo magricela. Agora vai ter as suas respostas. – Apontou para a fogueira, onde Tom Sete-Cordas conversava com um homem alto e magro com peças desencontradas de velhas armaduras afiveladas por cima de uma maltrapilha veste cor-de-rosa.
O Caçador revelou-se um homem atarracado, vestido de couro remendado castanho-amarelado, com os cabelos a rarear e um queixo recuado, além de briguento. No Septo de Pedra, ela achara que Limo e Barba-Verde ficariam em pedaços quando o enfrentaram ao pé das gaiolas para corvos, para reclamar o seu prisioneiro em nome do senhor do relâmpago. Os cães tinham-nos rodeado, farejando e rosnando. Mas Tom das Sete acalmou-os com sua música, Tanásia atravessou a praça com o avental cheio de ossos e carneiro gordo, e Limo apontou para Anguy, à janela do bordel, em pé com uma flecha preparada. O Caçador Louco amaldiçoou-os todos, chamando-os de lambe-botas, mas acabou concordando em levar o homem que tinha capturado ao Lorde Beric para ser julgado.
Tinham amarrado os pulsos dele com corda de cânhamo, posto um laço em volta do pescoço e enfiado um saco na cabeça, mesmo assim o homem era perigoso. Arya podia senti-lo pairando na gruta. Thoros – se é que aquele
– Como foi que o capturou? – perguntou o sacerdote.