Arya viu o branco nos olhos de Sandor Clegane quando voltou a arremeter para a frente. Três passos adiante e dois para trás, um movimento para a esquerda que Lorde Beric bloqueou, mais dois passos para a frente e um para trás,
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– O escudo dele pegou fogo – disse Gendry numa voz abafada. Arya viu isso no mesmo instante. As chamas espalharam-se pela rachada tinta amarela, e os três cães negros foram engolidos.
Sandor Clegane tinha conseguido ficar em pé novamente com um contra-ataque temerário. Só depois de Lorde Beric ter recuado um passo é que Cão de Caça pareceu notar que o fogo que rugia tão perto de seu rosto era seu próprio escudo queimando. Com um grito de repugnância, golpeou violentamente o carvalho partido, completando sua destruição. O escudo estilhaçou-se, e uma parte voou, rodopiando, ainda em chamas, enquanto a outra se agarrava teimosamente ao antebraço de Clegane. Seus esforços para se libertar só conseguiram atiçar as chamas. A manga pegou fogo, e agora era todo o seu braço esquerdo que queimava.
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Suave como seda de verão, Lorde Beric deslizou para perto, com o propósito de dar cabo do homem à sua frente. Cão de Caça soltou um grito áspero, levantou a espada com ambas as mãos e fez com que caísse com todas as suas forças. Lorde Beric bloqueou facilmente o golpe...
– Nããããããããããão – gritou Arya.
... mas a espada flamejante partiu-se em duas, e o aço frio do Cão de Caça lavrou a carne de Lorde Beric onde o ombro se juntava ao pescoço, e abriu um golpe limpo dali até o esterno. O sangue irrompeu num jorro quente e negro.
Sandor Clegane deu um salto para trás, ainda ardendo. Arrancou os restos do escudo e atirou-os para longe com uma praga, depois rolou na terra para abafar o fogo que corria por seu braço.
Os joelhos de Lorde Beric dobraram-se lentamente, como que para rezar. Quando sua boca se abriu, só sangue saiu dela. A espada de Cão de Caça ainda estava em seu corpo quando tombou para a frente. A terra bebeu seu sangue. Sob o monte oco não se ouviu um som além do suave crepitar das chamas e do ganido que Cão de Caça soltou quando tentou se levantar. Arya só conseguia pensar em Mycah e em todas as estúpidas preces que rezara para que Cão de Caça morresse.
– Por favor – rouquejou Sandor Clegane, agarrado ao braço. – Estou queimado. Ajudem-me. Alguém. Ajudem-me. – Estava chorando. –
Arya olhou-o com espanto.
– Melly, cuide dos ferimentos dele – disse Thoros. – Limo, Jack, ajudem-me com Lorde Beric. Ned, é melhor que venha também. – O sacerdote vermelho arrancou a espada de Cão de Caça do corpo caído de seu senhor e espetou-a na terra empapada de sangue. Limo deslizou suas grandes mãos sob os braços de Dondarrion, enquanto Jack Sortudo o pegava pelos pés. Levaram-no ao redor da fogueira, para a escuridão de um dos túneis. Thoros e o pequeno Ned seguiram-nos.
Caçador Louco cuspiu.
– Acho que devíamos levá-lo de volta para o Septo de Pedra e enfiá-lo numa gaiola para corvos.
– Sim – disse Arya. – Ele assassinou Mycah. Assassinou
– Que esquilo mais zangado – murmurou Barba-Verde.
Harwin suspirou.
– R’hllor considerou-o inocente.
– Quem é o