Читаем A Tormenta de Espadas полностью

– Creio que está na hora de levar sua música às Cidades Livres. Em Bravos, Pentos e Lys são grandes amantes de canções, e generosos com aqueles que lhes agradam. – Bebeu um gole de vinho. Apesar de ser uma porcaria, era forte. – Uma turnê por todas as nove cidades seria o melhor. Não quer negar a ninguém a alegria de ouvi-lo cantar. Um ano em cada uma deve bastar. – Enfiou a mão no interior do manto, onde tinha escondido o ouro. – Com o porto fechado, terá de ir a Valdocaso para embarcar, mas Bronn vai lhe arranjar um cavalo, e vou me sentir honrado se permitir que pague sua passagem...

– Mas, senhor – objetou o homem –, nunca me ouviu cantar. Peço que escute por um momento. – Os dedos dele moveram-se habilmente sobre as cordas da harpa, e uma música suave encheu a adega. Symon começou a cantar.

Cavalgou pelas ruas da cidade,

desde o alto de sua colina,

Por becos e degraus e calçadas,

para os braços de sua menina.

Porque ela era o secreto tesouro,

sua vergonha e seu prazer.

E a corrente e o forte nada são,

comparados com beijos de mulher.

– Há mais – disse o homem quando parou de tocar. – Ah, bem mais. O refrão é particularmente bonito, na minha opinião. Porque mãos de ouro são sempre frias, mas há calor em mãos de mulher...

– Basta. – Tyrion puxou os dedos de dentro do manto, vazios. – Isso não é canção que eu queira ouvir novamente. Nunca mais.

– Não? – Symon Língua de Prata pôs a harpa de lado e bebeu o gole de vinho. – É uma pena. Seja como for, cada homem tem a sua canção, como o meu velho mestre costumava dizer quando me ensinou a tocar. Outros podem gostar mais desta minha música. A rainha, talvez. Ou o senhor seu pai.

Tyrion esfregou a cicatriz de seu nariz e disse:

– Meu pai não tem tempo para cantores, e minha irmã não é tão generosa como imagina. Um homem sensato ganharia mais com o silêncio do que com canções. – Não podia deixar as coisas muito mais claras do que aquilo.

Symon pareceu compreender bem depressa o que Tyrion queria dizer.

– Vai achar meu preço modesto, senhor.

– É bom saber. – Tyrion temia que trinta dragões de ouro não seriam suficientes para resolver a situação. – Diga-me qual é.

– No banquete de casamento do Rei Joffrey – disse o homem – deverá haver um torneio de cantores.

– E malabaristas, bobos e ursos dançarinos.

– Só um urso dançarino, senhor – disse Symon, deixando claro que tinha seguido os preparativos de Cersei com muito mais interesse do que Tyrion –, mas sete cantores. Galeyon de Cuy, Bethany Dedos-Belos, Aemon Costayne, Alaric de Eysen, Hamish, o Harpista, Collio Quaynis e Orland de Vilavelha vão competir por um alaúde dourado com cordas de prata... e, no entanto, inexplicavelmente, nenhum convite foi enviado ao homem que é mestre de todos eles.

– Deixe-me adivinhar. Symon Língua de Prata?

Symon sorriu com modéstia.

– Estou preparado para demonstrar a verdade da minha vanglória perante o rei e a corte. Hamish é velho, e esquece frequentemente aquilo que está cantando. E Collio, com aquele absurdo sotaque tyroshi! Se você compreender uma palavra em três, pode se considerar com sorte.

– Foi minha querida irmã quem organizou o banquete. Mesmo se pudesse lhe assegurar este convite, poderia parecer estranho. Sete reinos, sete votos, sete desafios, setenta e sete pratos... mas oito cantores? O que pensaria o Alto Septão?

– Não sabia que era um homem devoto, senhor.

– A questão não é a devoção. Certas formalidades têm de ser seguidas.

Symon bebeu um gole de vinho.

– Apesar disso... a vida de um cantor não é desprovida de perigos. Oferecemos o nosso talento em cervejarias e tabernas, perante bêbados descontrolados. Se um dos sete de sua irmã sofrer algum imprevisto, espero que possa pensar em mim para ocupar seu lugar. – Deu um sorriso astuto, desmesuradamente satisfeito consigo mesmo.

– Seis cantores seria tão despropositado quanto oito, certamente. Tentarei me informar sobre a saúde dos sete de Cersei. Se algum deles estiver indisposto, Bronn vai encontrá-lo.

– Muito bem, senhor. – Symon podia ter deixado as coisas assim, mas, transbordante de triunfo, acrescentou: – Eu vou cantar na noite da boda do Rei Joffrey. Se por acaso for chamado à corte, ora, vou querer oferecer ao rei as minhas melhores composições, canções que cantei mil vezes e que certamente agradarão. Mas se der por mim cantando em alguma triste taberna... bem, essa seria uma ocasião adequada para experimentar a minha nova canção. Porque mãos de ouro são sempre frias, mas há calor em mãos de mulher.

– Isso não será necessário – disse Tyrion. – Tem a minha palavra de Lannister de que Bronn o visitará em breve.

– Muito bem, senhor. – O cantor barrigudo e perdendo cabelos voltou a pegar a harpa.

Bronn esperava junto dos cavalos, na entrada da viela. Ajudou Tyrion a subir para a sela.

– Quando é que levo o homem para Valdocaso?

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