Читаем A Tormenta de Espadas полностью

– Nem eu, senhor – disse o armeiro. – Confesso que estas cores não eram o que eu pretendia, e não sei se sou capaz de duplicá-las. O senhor seu pai pediu-me o carmesim de sua Casa, e foi essa a cor que tentei infundir no metal. Mas o aço valiriano é obstinado. Estas velhas espadas têm memória, dizem, e não mudam facilmente. Usei meia centena de feitiços e clareei o vermelho algumas vezes, mas a cor escurecia sempre, como se a lâmina estivesse bebendo o sol dela. E algumas dobras não quiseram aceitar o vermelho de jeito nenhum, como pode ver. Se os senhores de Lannister estiverem insatisfeitos, voltarei, naturalmente, a tentar, tantas vezes quanto desejarem, mas...

– Não é necessário – disse Lorde Tywin. – Isto servirá.

– Uma espada carmesim pode brilhar agradavelmente ao sol, mas a bem da verdade gosto mais destas cores – disse Tyrion. – Têm uma beleza ameaçadora... e tornam esta lâmina única. Não há outra espada como ela no mundo inteiro, creio eu.

– Há uma. – O armeiro debruçou-se sobre a mesa e desenrolou a trouxa de oleado, revelando uma segunda espada longa.

Tyrion pousou a espada de Joffrey e pegou a outra. Ainda que não fossem irmãs gêmeas, as duas eram certamente primas próximas. Esta era mais grossa e mais pesada, pouco mais de um centímetro mais larga e sete centímetros mais longa, mas partilhavam as mesmas linhas belas e limpas e a mesma cor única, as ondulações de sangue e noite. Três sulcos, profundamente incisos, corriam na segunda lâmina, do cabo à ponta; a espada do rei tinha apenas dois. O cabo da arma de Joff era bastante mais ornamentado, os braços da guarda esculpidos em forma de patas de leão com garras de rubi projetadas, mas ambas as espadas tinham punhos de couro vermelho finamente trabalhado e cabeças de leão em ouro como botões.

– Magnífico. – Mesmo em mãos tão inábeis como as de Tyrion, a lâmina parecia viva. – Nunca senti melhor balanço.

– Destina-se ao meu filho.

Não vale a pena perguntar qual deles. Tyrion colocou a espada de Jaime de volta na mesa, ao lado da de Joffrey, perguntando a si mesmo se Robb Stark deixaria o irmão viver tempo suficiente para empunhá-la. Nosso pai certamente deve pensar que sim; caso contrário, para que mandar forjar esta lâmina?

– Fez um bom trabalho, Mestre Mott – disse Lorde Tywin ao armeiro. – Meu intendente tratará do seu pagamento. E lembre-se: rubis para as bainhas.

– Lembrarei, senhor. É muito generoso. – O homem voltou a enrolar as espadas no oleado, enfiou a trouxa debaixo de um braço e ajoelhou-se. – É uma honra servir a Mão do Rei. Entregarei as espadas um dia antes do casamento.

– Certifique-se disso.

Depois de os guardas acompanharem o armeiro até a porta, Tyrion subiu para uma cadeira.

– Então... uma espada para Joff, uma espada para Jaime e nem sequer um punhal para o anão. É assim que as coisas são, pai?

– O aço era suficiente para duas lâminas, não para três. Se precisa de um punhal, vá buscar um no arsenal. Robert deixou uns cem quando morreu. Gerion deu-lhe um punhal dourado com cabo de marfim e botão de punho de safira como presente de casamento, e metade dos enviados que vieram à corte tentaram obter favores presenteando Sua Graça com facas incrustadas de joias e espadas com relevos de prata.

Tyrion sorriu.

– Teriam agradado mais se o tivessem presenteado com as suas filhas.

– Sem dúvida. A única lâmina que usava era a faca de caçar que tinha sido presente de Jon Arryn quando era garoto. – Lorde Tywin sacudiu uma mão, deixando de lado o Rei Robert e todas as suas facas. – O que você encontrou na zona ribeirinha?

– Lama – disse Tyrion – e algumas coisas mortas que ninguém se incomodou em enterrar. Antes de podermos reabrir o porto, o Água Negra terá de ser dragado, e os navios afundados, desfeitos ou tirados da água. Três quartos dos cais precisam de reparos, e alguns poderão precisar ser demolidos e reconstruídos. O mercado de peixe desapareceu por completo, e tanto o Portão do Rio como o Portão do Rei foram rachados pelos aríetes de Stannis e devem ser substituídos. Tremo de pensar no custo. – Se é verdade que caga ouro, pai, arranje uma latrina e ponha-se em ação, teve vontade de dizer, mas não era assim tão tolo.

– Arranjará todo o ouro que for necessário.

– Ah, é? Onde? O tesouro está vazio, já tinha dito ao senhor. Ainda não acabamos de pagar aos alquimistas por todo aquele fogovivo, nem aos ferreiros pela minha corrente e Cersei comprometeu a coroa a pagar metade do custo da boda de Joffrey: setenta e sete pratos, que os Outros os carreguem, mil convidados, uma torta cheia de pombas, cantores, malabaristas...

– A extravagância tem seus usos. Temos de demonstrar o poderio e a riqueza de Rochedo Casterly para que todo o reino veja.

– Então talvez deva ser o Rochedo Casterly responsável por pagar.

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