Jon via que a Muralha não atemorizava os assaltantes de Jarl.
Bem à sombra da Muralha, os selvagens fizeram os preparativos, enrolando grossas voltas de corda de cânhamo em um ombro e cruzando o peito, e amarrando estranhas botas de pele de corça de veado. As botas tinham espigões que se projetavam de suas pontas; de ferro para Jarl e outros dois, bronze para alguns, mas era mais frequente serem de osso denteado. Pequenos martelos com cabeça de pedra estavam pendurados em uma anca, e um saco de couro cheio de estacas em outra. Seus machados de gelo eram chifres com pontas aguçadas, atadas com faixas de couro cru a cabos de madeira. Os onze alpinistas agruparam-se em três equipes de quatro homens; o próprio Jarl era o décimo segundo.
– Mance promete espadas para cada membro da primeira equipe a atingir o topo – disse-lhes, com o hálito se condensando no ar frio. – Espadas sulistas de aço forjado em castelo. E também seu nome na canção que vai escrever a respeito disso. O que mais pode um homem livre pedir?
– Ali estão eles – disse Ygritte, e Jon olhou para cima e viu o primeiro alpinista surgindo por cima das copas das árvores. Era Jarl. Encontrara uma árvore sentinela que se inclinava para a Muralha e levou seus homens pelo tronco, para obter uma partida mais rápida.
Viu o selvagem passar cuidadosamente da árvore para a Muralha, esculpindo um apoio para a mão com golpes curtos, mas precisos, do seu machado de gelo, e depois apoiando-se nele. A corda que tinha em volta da cintura prendia-o ao segundo homem da fila, que ainda vinha subindo a árvore. Passo a passo, lentamente, Jarl foi subindo, abrindo apoios para os pés com as botas guarnecidas de espigões quando não conseguia encontrar apoios naturais. Ao chegar a três metros acima da sentinela, parou numa estreita saliência de gelo, pendurou o machado no cinto, puxou o martelo e espetou um espigão de ferro em uma fenda. O segundo homem passou para a Muralha atrás dele enquanto o terceiro escalava até o topo da árvore.
As outras duas equipes não tinham árvores dispostas favoravelmente para lhes ajudar, e não demorou muito até os Thenn começarem a se perguntar se não teriam se perdido ao escalar a crista. Todo o grupo de Jarl já se encontrava na Muralha, a vinte e cinco metros de altura, quando os primeiros alpinistas dos outros grupos surgiram à vista. As equipes estavam espaçadas por cerca de vinte metros. Os quatro de Jarl seguiam pelo centro. À sua esquerda, subia uma equipe liderada por Grigg, o Bode, cuja longa trança loura tornava facilmente detectável de baixo. À esquerda, quem liderava os alpinistas era um homem muito magro chamado Errok.