– Tão devagar – lamentou-se o Magnar em voz alta enquanto observava o avanço dos outros. – Será que ele se esqueceu dos corvos? Devia subir mais depressa, antes de sermos descobertos.
Jon teve de controlar a língua. Lembrava-se bem demais do Passo dos Guinchos, e da escalada ao luar que havia feito com Cobra das Pedras. Naquela noite engolira o coração meia dúzia de vezes e, ao final, doíam seus braços e pernas e os dedos estavam meio congelados.
Mesmo assim, Jon viu-se desejando que os temores de Styr tivessem fundamento.
– Nenhuma muralha pode mantê-lo em segurança – dissera-lhe o pai uma vez, enquanto percorriam as muralhas de Winterfell. – Uma muralha tem apenas a força dos homens que a defendem. – Os selvagens podiam ter cento e vinte homens, mas quatro defensores seriam suficientes para botá-los para correr, com algumas flechas bem colocadas e talvez um balde de pedras.
Mas não apareceram defensores; nem quatro, nem sequer um. O sol subiu no céu e os selvagens subiram a Muralha. Os quatro de Jarl mantiveram-se bem adiantados até o meio-dia, quando atingiram uma extensão de gelo em mau estado. Jarl tinha enrolado a corda em volta de um pináculo esculpido pelo vento e o estava usando para suportar seu peso quando, de repente, ele ruiu por inteiro e se precipitou para o chão, com Jarl ainda preso. Fragmentos de gelo do tamanho da cabeça de um homem bombardearam os três que estavam embaixo, mas eles agarraram-se aos apoios para as mãos, as estacas aguentaram, e Jarl parou bruscamente na ponta da corda.
Quando sua equipe recuperou-se desse azar, Grigg, o Bode, estava quase emparelhado com eles. Os quatro de Errok continuavam muito atrás. A área que estavam subindo parecia lisa e sem buracos, coberta por uma película de gelo derretido que mostrava um brilho úmido onde o sol a roçava. A seção de Grigg parecia mais escura, com traços mais evidentes; longas saliências horizontais onde um bloco havia sido mal posicionado sobre aquele que estava por baixo, rachaduras e fendas, e até mesmo chaminés ao longo das juntas verticais, onde o vento e a água tinham escavado buracos suficientemente grandes para um homem se esconder.
Em pouco tempo Jarl tinha seus homens de novo a subir. Os seus quatro e os de Grigg deslocavam-se quase lado a lado, com os de Errok quinze metros abaixo. Machados de chifre de veado picavam e cortavam, enviando nuvens de cintilantes estilhaços em longas cascatas que caíam sobre as árvores. Martelos de pedra enfiavam estacas no gelo profundamente, para que servissem de fixação para as cordas; as estacas de ferro esgotaram-se antes de chegarem no meio do caminho e, depois disso, os alpinistas usaram chifres e ossos afiados. E os homens chutavam, batendo com os espigões de suas botas contra o gelo duro e resistente, uma e mais outra vez, e outra e outra ainda, até fazerem um apoio para os pés.
Depois de seis horas, Jarl voltara a tomar a dianteira em relação a Grigg, o Bode, e seus homens estavam alargando a vantagem.