E cumpriu todas as ameaças. Arya tentou dizer-lhes que tinham dado banho nela
Ao se sentar na sala comum, em suas estúpidas roupas de menina, Arya lembrou-se do que Syrio Forel havia lhe ensinado, o truque de olhar e ver o que estava lá. Quando olhou, viu mais criadas do que qualquer estalagem poderia querer, em sua maioria jovens e atraentes. E, ao cair a noite, montes de homens começaram a entrar e sair do Pêssego. Não ficavam muito tempo na sala comum, nem mesmo quando Tom pegou sua harpa e começou a cantar “Seis donzelas numa lagoa”. Os degraus de madeira eram velhos e íngremes e rangiam furiosamente sempre que um dos homens levava uma garota para cima.
– Aposto que isto é um bordel – murmurou a Gendry.
– Você nem sequer sabe o que é um bordel.
– Sei, sim – insistiu ela. – É como uma estalagem, com garotas.
Ele estava outra vez corando.
– Então o que você está fazendo aqui? – quis saber. – Um bordel não é lugar para uma maldita de uma senhora bem-nascida, todo mundo sabe.
Uma das garotas sentou-se no banco ao lado dele.
– Quem é senhora bem-nascida? A magricela? – Olhou para Arya e riu. – Eu sou filha de um rei.
Arya sabia que estavam caçoando dela.
– Não é nada.
– Bem, poderia ser. – Quando a garota encolheu os ombros, seu vestido escorregou de um lado. – Dizem que o Rei Robert fodeu a minha mãe quando se escondeu aqui, antes da batalha. Não que não tenha possuído também todas as outras garotas, mas Leslyn diz que ele gostava mais da minha mãe.
A garota
– Sou chamada de Sineta – disse a garota a Gendry. – Por causa da batalha. Aposto que também conseguiria tocar o
– Não – disse ele bruscamente.
– Aposto que quer. – Correu uma mão ao longo do braço dele. – Sou cortesia para amigos de Thoros e do senhor do relâmpago.
– Eu disse que
Sineta virou-se para Arya.
– Ele não gosta de garotas?
Arya encolheu os ombros.
– É só estúpido. Gosta de polir capacetes e bater espadas com martelos.
– Ah. – Sineta ajeitou de novo o vestido no ombro e foi falar com Jack Sortudo. Não muito tempo depois, estava sentada no colo dele, rindo e bebendo vinho de sua taça. Barba-Verde tinha duas garotas, uma em cada joelho. Anguy tinha desaparecido com a sua sardenta, e Limo também tinha sumido. Tom Sete-Cordas estava sentado junto à lareira, cantando “As donzelas que desabrocham na primavera”. Arya bebericou da taça de vinho aguado que a ruiva lhe autorizara, escutando. Do outro lado da praça, os mortos apodreciam em suas gaiolas de corvos, mas dentro do Pêssego todo mundo estava alegre. Só que de algum modo lhe parecia que alguns deles estavam rindo alto demais.
Teria sido uma boa hora para escapar e roubar um cavalo, mas Arya não via como isso a ajudaria. Só poderia chegar até os portões da cidade.
Quando sua taça se esvaziou, Arya já bocejava. Gendry não tinha voltado. Tom Sete-Cordas estava cantando “Dois corações que batem como um só”, e beijando uma garota diferente no fim de cada verso. No canto, junto à janela, Limo e Harwin conversavam em voz baixa com a ruiva Tanásia.
– ... passou a noite na cela de Jaime – ouviu a mulher dizer. – Ela e outra moça, aquela que matou Renly. Os três juntos, e ao chegar a manhã a Senhora Catelyn libertou-o por amor. – Soltou uma gargalhadinha gutural.
Um velho sentou-se ao seu lado.
– Ora, aqui está um pessegozinho bonito. – O hálito do homem cheirava quase tão mal quanto os mortos nas gaiolas, e seus pequenos olhos de porco percorriam-na de cima a baixo. – O meu querido pessegozinho tem nome?