– Ele era verde? – Bran quis saber. – Tinha chifres?
O gordo mostrou-se confuso.
– O alce?
– O
– Ele não era um homem verde. Usava panos negros, como um irmão da Patrulha, mas era pálido como uma criatura, com mãos tão frias que a princípio tive medo. Mas as criaturas têm olhos azuis, e não têm línguas, ou então esqueceram-se de como usá-las. – O gordo virou-se para Jojen. – Ele deve estar à espera. Devíamos ir. Têm alguma coisa mais quente para vestir? O Portão Negro é frio, e o outro lado da Muralha é ainda mais frio. Vocês...
– Por que foi que ele não veio com você? – Meera fez um gesto na direção de Goiva e do bebê. –
– Ele... ele não pode.
– Por quê?
– A Muralha. Disse-nos que a Muralha é mais do que apenas gelo e pedra. Tem feitiços nela urdidos... feitiços antigos, e fortes. Não pode passar para o outro lado da Muralha.
Então caiu um silêncio muito grande sobre a cozinha do castelo. Bran ouvia o suave crepitar das chamas, o vento agitando as folhas na noite, os rangidos do esquálido represeiro que se estendia para a lua. “Do outro lado dos portões vivem os monstros, e também os gigantes e os vampiros”, lembrou-se de ouvir a Velha Ama dizer, “mas não podem passar enquanto a Muralha se mantiver forte. Portanto vá dormir, meu pequeno Brandon, meu garotinho”.
– Não sou eu quem lhe disseram para trazer – disse Jojen Reed ao gordo Sam em seus trajes negros, manchados e largos. – É
– Oh. – Sam olhou-o com incerteza. Talvez só então tivesse percebido que Bran era aleijado. – Eu não... não sou suficientemente forte para levá-lo, eu...
– O Hodor pode me levar. – Bran apontou para o cesto. – Eu ando naquilo, nas costas dele.
Sam estava a encará-lo.
– É o irmão de Jon Snow. Aquele que caiu...
– Não – disse Jojen. – Aquele garoto está morto.
– Não conte – avisou Bran. – Por favor.
Sam pareceu confuso por um momento, mas por fim disse:
– Eu... eu sei guardar um segredo. A Goiva também. – Quando olhou para ela, a garota confirmou com a cabeça. – O Jon... o Jon também era
– Jon está aqui – disse Bran. – Verão o viu. Estava com um grupo de selvagens, mas eles mataram um homem e Jon pegou o cavalo dele e fugiu. Aposto que foi para Castelo Negro.
Sam virou seus olhos grandes para Meera.
– Tem certeza de que era Jon? Viu-o?
– Sou a Meera – disse Meera com um sorriso. – Verão é...
Uma sombra desprendeu-se da cúpula quebrada lá em cima e saltou através do luar. Apesar da pata ferida, o lobo aterrissou leve e silencioso como um floco de neve. A garota chamada Goiva soltou um ruído assustado e apertou o bebê com tanta força contra si que ele começou a chorar de novo.
– Ele não vai fazer mal a vocês – disse Bran. –
– Jon disse que todos vocês tinham lobos. – Sam tirou uma luva. – Eu conheço o Fantasma. – Estendeu uma mão trêmula, com dedos brancos, moles e gordos como pequenas salsichas. Verão aproximou-se, farejou-os e deu uma lambida em sua mão.
Foi então que Bran se decidiu.
– Vamos com você.
– Todos vocês? – Sam pareceu surpreso com a ideia.
Meera despenteou os cabelos de Bran.
– Ele é o nosso príncipe.
Verão deu a volta no poço, farejando. Fez uma pausa no degrau superior e olhou para Bran.
– Goiva ficará a salvo se deixá-la aqui até voltar? – perguntou-lhes Sam.
– Deve ficar – disse Meera. – É bem-vinda à nossa fogueira.
Jojen disse:
– O castelo está vazio.
Goiva olhou em volta.
– Craster costumava nos contar histórias de castelos, mas não sabia que eram tão grandes.
Demoraram alguns minutos para reunir suas coisas e içar Bran para a cadeira de vime às costas de Hodor. Quando ficaram prontos para partir, Goiva estava sentada junto à fogueira, dando de mamar ao bebê.
– Vai voltar para mim – ela disse a Sam.
– Assim que puder – ele prometeu – e depois vamos para um lugar quente. – Quando ouviu aquilo, parte de Bran questionou-se sobre o que estava fazendo.
– Eu vou na frente, conheço o caminho. – Sam hesitou no topo. – Mas há