–
Meera ficou por cima do homem, com o luar brilhando, prateado, nos dentes de sua lança para rãs.
– Quem é você? – exigiu saber.
– Sou o
Foi Jojen quem alimentou a fogueira com pedaços de madeira e a soprou até que as chamas saltaram, crepitando. Então fez-se a luz, e Bran viu a pálida garota de rosto magro junto à borda do poço, toda embrulhada em peles sob um enorme manto negro, tentando calar o bebê que chorava em seus braços. A coisa no chão estava tentando atravessar a rede com um braço para pegar a faca, mas as voltas não permitiam. Não era nenhuma fera monstruosa, nem o Machado Negro ensopado em sangue; era apenas um homem muito gordo vestido de lã negra, peles negras, couro negro e cota de malha negra.
– Ele é um irmão negro – disse Bran. – Meera, ele é da Patrulha da Noite.
– Hodor? – Hodor acocorou-se para examinar o homem na rede. – Hodor – repetiu, gritando.
– A Patrulha da Noite, sim. – O gordo continuava a respirar como um fole. – Sou um irmão da Patrulha. – Tinha uma corda sob os queixos, forçando sua cabeça para trás, e outras profundamente enterradas no rosto. – Sou um corvo, por favor. Tire-me disto aqui.
De repente, Bran ficou em dúvida.
– É o corvo de três olhos? –
– Acho que não. – O gordo rolou os olhos, mas só havia dois. – Sou só o Sam. Samwell Tarly. Deixe-me
Meera fez um ruído de repugnância.
– Pare de se debater. Se rasgar a minha rede, atiro-o de volta ao poço. Fique quieto que eu o desenredo.
– Quem é você? – perguntou Jojen à garota com o bebê.
– Goiva – disse ela. – Como a flor de goivo. Ele é o Sam. Não queríamos assustá-los. – Embalou o bebê e murmurou para ele, e por fim a criança parou de chorar.
Meera estava desemaranhando o irmão gordo. Jojen dirigiu-se ao poço e espiou lá dentro.
– De onde vieram?
– Da Fortaleza de Craster – disse a garota. – É você o certo?
Jojen virou-se para olhá-la.
– O certo?
– Ele disse que Sam não era o certo – explicou ela. – Que havia mais alguém, disse ele. Aquele que ele havia sido enviado para encontrar.
– Quem foi que disse isso? – quis saber Bran.
– O Mãos-Frias – respondeu Goiva em voz baixa.
Meera puxou uma ponta da rede e o gordo conseguiu se sentar. Bran viu que estava tremendo e ainda lutava para recuperar o fôlego.
– Ele disse que haveria gente – arquejou. – Gente no castelo. Mas eu não sabia que ia encontrá-los bem no topo dos degraus. Não sabia que iriam atirar uma rede em mim e me furar no estômago. – Tocou a barriga com uma mão enluvada de negro. – Estou sangrando? Não consigo ver.
– Foi só uma cutucada para derrubá-lo – disse Meera. – Vem cá, deixe-me ver. – Ajoelhou e tateou em volta do umbigo do gordo. – Está usando
– Bem, doeu do mesmo jeito – lamentou-se Sam.
– É
Os queixos do gordo balançaram quando confirmou com a cabeça. Sua pele parecia pálida e solta.
– Só um intendente. Cuidava dos corvos de Lorde Mormont. – Por um momento pareceu prestes a chorar. – Mas perdi todos no Punho. A culpa foi minha. E também fiz que nós nos perdêssemos. Nem sequer consegui encontrar a Muralha. Tem cem léguas de comprimento e duzentos metros de altura,
– Bem, agora encontrou – disse Meera. – Levante o traseiro do chão, quero a minha rede de volta.
– Como foi que atravessou a Muralha? – quis saber Jojen enquanto Sam lutava para se levantar. – O poço leva a um rio subterrâneo, foi daí que veio? Nem sequer está úmido...
– Há um portão – disse o gordo Sam. – Um portão escondido, tão velho quanto a própria Muralha. Ele chamou-o de
Os Reed trocaram um olhar.
– Encontramos esse portão no fundo do poço? – perguntou Jojen.
Sam sacudiu a cabeça.
–
– Por quê? – quis saber Meera. – Se há um portão...
– Não o encontrarão. Se o encontrassem, ele não se abriria. Para vocês não. É o Portão
– Disse
– Esse não é seu verdadeiro nome – disse Goiva, embalando o bebê. – É só um nome que nós demos para ele, o Sam e eu. As mãos dele eram frias como gelo, mas salvou-nos dos mortos, ele e seus corvos, e trouxe-nos para cá no seu alce.
– O seu alce? – disse Bran, pasmo.
– O seu alce? – disse Meera, sobressaltada.
– Os seus
– Hodor? – disse Hodor.